quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Tudo é Vaidade - João Alexandre

Zé Luís



Já tem alguns anos que esta canção foi escrita por João Alexandre.
Doutrinas e manias evangélicas rondam sempre.
Letra super atual.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Perdão: Abrindo mão de Viver Desgraçadamente

Zé Luís

Certa vez, numa destas escolinhas maternais, Pedrinho e Gabriel tiveram uma briga muito feia. Tinham quatro anos. Não se sabe o motivo: se foi o roubo de uma bala, ou outro objeto de sua lancheira. Trocaram tapas, mordidas e puxões de cabelo. Um alegava que a mamãe foi xingada, outro o chamava de “ladlão”. As professoras correram para separar os bebês, mas mesmo no colo, queriam continuar a luta.

O tempo passou, nunca mais se viram. Estudaram, cresceram, ficaram burros e casaram. Quarentões, se reencontraram em um movimentado shopping, com suas famílias, esposa, filhos, e a reação foi imediata. Estavam em uma mesa da praça de alimentação, um pegou uma cadeira, o outro se armou de uma pesada lixeira de ferro.

- Você roubou minha mochila, Pedrinho! E meu pirulito de cerejinha!

- Desgraçado! Chamou a mamãe de vaca! Quebrou a ponta do meu lápis azul de golfinho!

Com um golpe certeiro, um deles – não importa qual - matou o outro, rachando-lhe a cabeça, deixando o oponente estirado no meio da multidão, em frente aos filhos que choravam desesperadamente.

Tal história só é absurda por sabermos que crianças esquecem, perdoam. Não andam com magoas por toda a vida. Fosse o contrário, obviamente esses meninos nunca teriam crescido de forma sadia, se formado, amariam alguém, casariam e constituiriam família. Não é usual ap essoas que carregam magoa em sua existência.

Vivemos a beira do ódio, da inveja, do homicídio, do ciúme. Levamos estas coisas em nossa vida, sacos de lixo teimosamente acorrentados e empilhados onde deveria ser o trono de Deus em nossa alma. Nem por isso nos julgamos absurdos, trágicos, ilógicos quando não perdoamos.

P perdão é a única forma de arrancar as raízes putrefadas que o pior da vida semeia em nossa existência. Como dito na “A Cabana”, precisamos tirar a mão do pescoço daquele que merece ser esganado, tirar as garras de nosso próprio pescoço. E isso é muito simples de entender quando quem exige isso oferece o que for necessário para desfrutar da eternidade.

Será que daqui a trezentos anos permaneceremos chorando o abandono de alguém?
Odiaremos com a mesma intensidade aquele que nos agrediu, ou tocou naquele que amamos?
Permaneceremos ruminando a maldade alheia que nos tirou da rota que - supostamente - nos levaria
a felicidade plena?
Quando perdoaremos a nós mesmos por nossa tendência a imbecilidades(coisa que Jesus já fez)?

O Mestre diz que se não for como crianças, não chegaremos ao reino. Crianças choram, sofrem e esquecem. Até que a inocência acaba, abrimos os olhos e vemos que estamos nús... é quando começamos a morrer.

As coisas velhas passarão, e tudo se fará novo. Creia. Fique em paz.

Feliz Ano Novo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Briga de Crente: Algumas Consequências

Zé Luís


Acompanhando estudo de Pr. Kivitz sobre o livro de Atos dos Apóstolos(os de verdade), aproveitei para reler sobre a amizade de Paulo e Barnabé. Como um verdadeiro "C.S.I.", ele exuma a História, numa linha contínua, o que foi esta convivência, dando contextos e situações.

Barnabé já aparece antes, nos Evangelhos, fora da convivência dos doze apóstolos, mas ligado diretamente ao lugar onde a última ceia de Jesus foi celebrada. Ali, certo garoto, João Marcos, seu sobrinho, é citado e horas mais tarde, se registra o mesmo correndo nu pelo Monte das Oliveiras, quando tentaram prendê-lo por seguir o recém encarcerado Messias.

Naquele momento, nem se imaginava que o Cristo se deixaria crucificar, ressuscitaria e ascenderia aos céus. Será que Tiago desconfiou que seria decapitado antes mesmo de começar seu ministério? O que pensou o martirizado Estevão, que após sua bela explanação, ganha uma chuva de pedras? Isso tudo diante de certo fariseu, que consentiu naquele assassinato, e que tempos depois, se converteria à fé que perseguia, e junto a Barnabé, começa suas longas viagens missionárias, repletas de conversões, conflitos, surras, perseguições, prisões e tentativas de assassinato.

Foi exatamente numa destas viagens que o ainda moço João Marcos, sobrinho de Barnabé, não agüentou a árdua rotina e desistiu de acompanhá-los. Isto soou para nosso recém apóstolo Paulo de Tarso como desdém com a obra de Deus. Quando Barnabé, companheiro de tantas jornadas resolveu trazer seu sobrinho para mais uma viagem, Paulo não aceitou.

Foi aí que "o pau quebrou na casa de Noca". Consta nas Escrituras que a briga foi realmente feroz. Coisa que muitos pastores por aí gritariam: "Tá amarrado! Tá amarrado!".

Os dois crentes brigaram tão feio que ali, Barnabé encerrou suas viagens, voltando para sua casa, para não aparecer mais nas escrituras. Paulo continua seu ministério, agora com Silas. Mas Barnabé desiste de trabalhar na Obra. Anos mais tarde, quando preso, solicitou a presença do sobrinho de Barnabé, pois naquele momento, dizia ser de grande valia. Opiniões mudam. Este João Marcos é o autor de um dos Quatro Evangelhos. O Evangelho de São Marcos.

Paulo não conseguiu apagar a chama de quem, um dia ficou cansado, correu pelado de soldado do templo; talvez seja por Marcos não levar a vida mais a sério do que o necessário. Mas neste seu impeto que alavancou o Cristianismo pelo mundo, Paulo magoou um amigo e companheiro de várias viagens, a ponto de faze-lo desistir do Reino.

Estes tropeções que nós, seres humanos precários, damos com frequência vergonhosa, não devem ser varridos para debaixo do tapete. Devem ser expostos, contados em almoços de natal, comentados em rodas de amigos. Não devemos imaginar que a proximidade com Deus nos fará perfeitos. Essa necessidade de perfeição é uma herança que temos de nossa queda, quando uma serpente propôs quebrar as regras em troca de ser perfeito, como Deus.

Quanto mais repetimos a nossos ouvintes que estas falhas(e muitas outras) estão fora de nossa existência, mais soamos, no mínimo, superficiais, parciais, mentirosos, como personagens de um conto inóquo, que com o tempo passamos a não dar atenção.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Mico Nosso de Cada Dia: Você sabe quem você é?

Zé Luís


Em Minas Gerais, em uma de minhas várias viagens a serviço pela empresa, tive a oportunidade de conhecer uma cidade chamada Governador Valadares, famosa por ser o paraíso dos praticantes de Asa Delta, além de ser o maior "exportador" de brasileiros para os Estados Unidos. Tal êxodo causou um certo desequilíbrio entre os sexos: contam que a cidade tem 14 mulheres para cada homem.

Não sei se o dado estatístico está correto, mas nas ruas do centro da cidade se pode notar que a grande maioria é do sexo feminino, o que para muitos homens pode parecer um paraíso, mas para mim, diante do acontecido, passei a preferir que não existissem. Ainda mais quando descobri que a cidade tinham em sua fauna noturna, muitos morcegos - uma de minhas fobias infantis - voando a noite, entre as árvores do centro da cidade. Explico logo abaixo.

Todos os dias, nas duas semanas em que ali fiquei, eu e outro técnico,íamos para a nova loja que a empresa na qual trabalho inauguraria, sempre fazendo o mesmo percurso. Naquele horário, por volta das 9:00, as outras lojinhas e bazares ainda não tinham aberto suas portas; as funcionárias, na maiorias moças, aguardavam a abertura, sentadas a porta.

Meu colega de serviço, feio como eu, concordou que ali era um paraíso para nosso ego: por sermos minoria, como a lei de oferta e procura, mesmo feios, eramos observados pelas moças como "belezas aceitáveis". Até que aconteceu a tragédia:

Sai naquela manhã sem imaginar o que me sucederia. Quando estava no "geo-centro" do mulheril, algo desceu dos céus, e com pequenas garras, apertou meu ombro. Num gesto espontâneo, deixei uma menininha fluir de dentro deste homem de 1,80 e cabelos grisalhos, gritando fino e acenando com o braço esquerdo como uma miss, só que aceleradamente, enquanto rodopiava no meio da rua, feito uma baiana de escola de samba. A "coisa" voou de meu ombro, talvez mais assustada que eu, e pousou no orelhão, me encarando com o que parecia um sorriso maroto. Era um papagaio.

Com suor frio ainda na testa, percebi então que meu colega, assim como a rua inteira, gargalhavam da minha cara. Olhei para o telefone público, e ainda tive que aguentar o papagaio assoviar para mim, como num deboche. Respirei fundo ao encará-lo.
- Papagaio corno...- falei descontrolado, antes de voltar ao hotel, morto de vergonha. Desde o fatídico dia, não passei mais pela rua. Ainda ouço as gargalhadas das moças em meus pesadelos.

Dramalhões a parte, você ficaria surpreso com as reações que teria em momentos de tensão inesperada, abrupta. Se você pensa realmente que se conhece, você acabou de dar um passo para confirmar que não sabe mesmo. São em momentos intensos que revelamos o que vai em nossa alma. Em uma tragédia, num telefonema as 3 da manhã, numa descoberta decepcionante, ou mesmo em um papagaio safado que nos faz gritar como uma mocinha (gente: pensei que fosse um morcego, dá um desconto!) podemos descobrir alguém em nós que nem Jung deve ter estudado em seu "consciente coletivo".

Por isso, sempre me pego rindo quando vejo pregadores esbravejando certezas que não viveram, dando garantias que não tem, ensinando a escapar de paixões que são tão incapazes de escapar quanto aqueles a quem ensina, e tristemente, omitindo suas quedas mais vergonhosas no interesse de manter sua boa imagem publica.

Somos cristãos. Não precisamos de votos ou aprovação pública para se-lo. Tem gente que acha o contrário, mas se já tem esta experiência em sua vida, deve ter rido muito ao ter lido meu "tristemunho".

domingo, 27 de dezembro de 2009

Uma palavra do Gigapóstolo Canarinho


O que a reportagem “Globesca” divulgada neste blog mostra claramente é a necessidade de revelar , de forma não ungida, as facilidades de se divulgar a palavra e conseqüentemente, a necessidade máxima de arrecadação de dízimos e ofertas, prioridade máxima para nosso reino.

Como a mim foi revelado direto dos céus (diga-se de passagem, transmissão digital, em Full HD), o verdadeiro sentido das águas que provém do trono, e porque existem brasas debaixo do altar: São águas-vivas debaixo do trono, aquele bicho que parece um cogumelo. Claro! E se você duvida deste ungido que vos dirige humildemente a palavra, sem cobrar-lhes –ainda – um centavo, certamente, basta que vá a alguma praia do litoral sul de São Paulo: Praia Grande, São Vicente, Santos; e verificar como este bichos queimam. Não crê? Não existe temor em seu coração! Certamente não está definitivamente convertido. Assim como Jonas, que orou para morrer no estômago daquela lagosta – outra revelação pessoal: baleia é ecologicamente incorreto, e um simples grande peixe não esta a altura de minha pregação: “Ó Senhor! Antes de me salvar, deixando-me naquele belo litoral, em Nínive, com apartamentos com vista para o mar, cura a gastrite deste anima!”. Eis a verdadeira natureza da bondade do profeta que salvou Jonas.

Mas qual a vantagem de fazer este milagre, se não for televisionado? O que isso gera em patrocínio?Não sou trouxa! Se colocassem emissoras de TV na porta do Hospital das Clínicas, certamente iríamos para lá curar (com os devidos seguranças, é claro). O problema seria identificar os nossos doentes dos deles.

Mas o que tem isso em relação à revelação infernal da Folha; das facilidades que se inventar infinitas comunidades religiosas?

Oras! Não demora muito e esta noticia se espalha: quantos novos pretendentes a líder religioso não surgirão? Ainda mais quando o 13º ainda não foi totalmente gasto (tem um pouco guardado para evangelizar no carnaval, claro). Um investimento seguro como este vale até entrar no limite do cheque especial.

Lamento apenas não ter pensado naquele nome tão interessante. Como podem perceber, tenho dificuldades em achar nomes, e normalmente, quando o espírito vem e revela, tenho que melhorar a “coisa”: Ele é cheio de “idéias”, e isso, normalmente, atrapalha nos interesses do reino que me propus a realizar. Já há algum tempo, Ele já não dá pitaco. Melhor assim.

Se duvidas de meu ministério, conheça meu testemunho. Dele provém a explicação de todo meu poder sobre as nações. Sempre me instruí com boa literatura clássica: Marvel, DC Comics, Chiclete com Banana, Circo, Angeli. Não condeno quem segue Turma da Mônica, nem Disney (embora até goste daquela teologia anti-Disney: ela é até rendosa), mas não é algo que o leve até meu nível.

Logo no início de minha conversão, ouvi o chamado:

- Naná? Tá acordado? É Deus falando... – (sempre tivemos essa intimidade como o criador, como pode ver).
- Fala Senhor, que teu servo escuta... – respondi humildemente, como Samuel. Eis que o próprio Deus bradou dos céus:
- Servo Naná? Eis que unjo-te com azeite Galo (estou atualmente em busca de patrocínio com a marca. Caso fracasse, a marca do azeite será vetada deste testemunho) e te faço meu assessor direto. Nem meus quatro querubins têm tanta proximidade a meu recinto.

É daí que tiro toda minha autoridade sobre as galáxias. Logicamente, algum infiel pode duvidar deste que vos, humildemente, escreve sem esperar nada que não lhe seja devidamente entregue (não falemos de dízimos, por hora). A estes que ofendem com sua incredulidade, não a mim, mas meu póóóóóói (ops, este é outro), cito palavras do teólogo Chicó de Ariano, nascido em Suassuna:

“- Num sei. Só sei que foi assim...”

Encerro meu grande devocional dominical prometendo que novas revelações serão feitas para sua vida, através de meu ministério. Revelarei meu chamado: o evangelismo de alienígenas, os pobres cabeçudos de olhos grandes, sem roupas, sem bolsos, sem salvação. Mas isto é coisa para o próximo domingo, já no ano que vem. Por enquanto, aguardem a tal sessão prometida pelo editor deste humilde blog – foi o que consegui ao chegar neste país, indicado por meu amigo Morris. Ele falou muito bem dos brasileiros. O editor deste, assim como vocês, é um atrasado, o que está proporcionando enorme prejuízos aos cofres do reino.

Assina a benção:

Di Giorgio Canarinho
Querubim da Catedral Galáctica dos Ungidos do Reino

sábado, 26 de dezembro de 2009

Diferença entre o Crente e o Cachaceiro

Zé Luís



Sempre fico com uma sensação que estou cometendo algum pecado implícito, que por mais que me esforce, não consigo perceber aonde é que está meu delito.

Amigo meu me olhou com estranheza quando disse que goste do repente de Castanha e Caju, e que colocaria no blog. Gostei que até ri. Foi aí que acho que pequei. Não sei.

Meus filhos fizeram o mesmo olhar quando disse que não conhecia a música. "Em que mundo meu pai anda?": esta era a tradução dos seus olhares.

Gostaria de ver a cara de vocês, enquanto ouve a comparação cantada acima. A minha foi de riso.Mas talvez esta seja apenas a reação de um confuso cristão. Você diz.

Para o Ano Novo: Faça dinheiro, montando uma Igreja!

Por Paulo Lopes do Paulopes Web Blog

Cristão Confuso
Abrir uma empresinha, para se manter, criar empregos, pagar impostos, contribuindo assim para o desenvolvimento do Brasil, não é fácil. Porque é a burocracia um grande desafio a ser vencido, entre outros.

Mas abrir uma igreja para, suspostamente, pregar a palavra de Deus e, com certeza, colher dízimo, é fácil, muito fácil.

Não é preciso ter nenhuma formação teológica ou doutrinária, nem apresentar um número mínimo de fiéis.

Para mostrar o quanto é fácil se estabelecer como um “homem de Deus”, três jornalistas da Folha de S. Paulo fundaram a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio.

Em dois dias úteis, com R$ 218,42, registraram a nova religião em cartório. Três dias depois obtiveram o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), ao custo de R$ 200.

Ou seja, no total gastaram R$ 418,42 e agora, como tantos outros, possuem uma denominação que desfruta de isenção de impostos sobre patrimônio, renda e serviços, como o IR (Imposto de Renda) e o IOF (Imposto sobre Operação Financeira), IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), entre outros.

A única exceção é que alguns estados, como São Paulo, cobram o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). Mas na maioria dos estados as seitas e igrejas estão livres da incidência desse imposto sobre água, luz, gás e telefone.

Essa isenção tributária é constitucional e se insere no espírito de que todos têm a liberdade de crença e coisa alguma, como a cobrança de impostos, por exemplo, poderá cerceá-la.

Mas o que ocorre na prática é que picaretas se aproveitam do benefício tributário para abrir uma agremiação religiosa e se enriquecerem por intermédio da cobrança do dízimo.

Tida como associações civis, as igrejas estão impedidas por lei a remunerar ou distribuir patrimônio aos seus controladores. Mas como geralmente os controladores são também sacerdotes, essa lei é letra morta.

Algumas dessas seitas se agigantaram, como se sabe, e hoje são, na prática, dutos de recursos a custo zero para criação e manutenção de conglomerados de empresas. O que é uma ilegalidade.

O bispo Edir Macedo e outro nove integrantes da Igreja Univeral, por exemplo, respondem a uma ação criminal sob a acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro do dízimo.

Hélio Schwartsman, um dos jornalistas que fundou a Igreja Heliocêntrica, informa que os ministros religiosos obtêm o direito de prisão especial, além da isenção do serviço militar obrigatório.

Integrantes das seitas Santo Daime, União do Vegetal e A Barquinha conseguiram até mesmo licença para o uso de um chá alucinógeno, o ayahuasca.

Em outros países os cultos religiosos desfrutam de privilégios tributários e não têm nenhuma obrigação de prestar contas do dinheiro que arrecadam.

Nos Estados Unidos, em 2007, o senador Chuck Grassley, por Iowa, apresentou proposta para a criação de uma lei que obrigue as igrejas a abrirem sua contabilidade ao público.

A proposta sofreu forte pressão dos religiosos e não prosperou.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Trapos de Imundícia – Mais de 300 anos de Condenação

Zé Luís


Foi com lágrimas nos olhos e abraços que a última cena foi transmitida pelo jornal na noite de 24 de Dezembro. Sua família podia ser vista ,entre os portões da mansão e os truculentos guarda-costas, abraçando o austero e mundialmente conhecido senhor, que não voltava para casa a meses, desde que foi preso sob a acusação de estupro.

Se você vem acompanhando algum jornal há mais de seis meses, já sabe a quem me refiro: doutor Roger Abdelmassih, comemorado pelas “Ilhas de Caras” da vida, exaltado por Amauri Junior, e até o próprio Roberto Carlos já cantou para ele(vide todas as referências no Paulo Lopes).

O médico é especialista em reprodução humana, mas durante as centenas de tratamento que administrou, estuprou mais de trinta pacientes, além dos assédios sexuais. Sabemos, porém, que normalmente, por vergonha ou medo, este tipo de crime raramente é revelado, devido ao machismo brasileiro, e podemos imaginar que a dimensão destes crimes podem ser bem maiores.

Os argumentos de defesa de seus advogados chegam ao absurdo de afirmar que as pacientes-vítimas fizeram isso por ma fé ou motivos emocionais em relação ao célebre médico. Os advogados, aproveitando o recesso em Brasília, entraram com pedido de soltura para o único – e conveniente – Juiz, alegando que o mesmo não oferecia mais perigo, já que seu registro foi caçado, podendo assim, passar o Natal no conforto de sua mansão, com sua família e amigos, comemorando esta vitória na Justiça.

No entanto, neste momento, dia 25 de Dezembro, ele diz a imprensa que voltará a exercer a função, despreocupado com qualquer problema com as Leis deste país.

Trapo de imundícia era uma espécie de absorvente íntimo utilizado pelas mulheres judias na época do profeta Isaías, autor da frase, quando compara isto a justiça dos homens. Pode-se fazer caretas ao imaginar alguém tentando limpar alguma coisa com isso. Quanto mais se lustra, mais sujeira se espalha, tornando o objeto mais imundo do que antes.

Anos atrás, a imprensa, procurando vender seus jornais, aceitou a denuncia de duas crianças de cinco anos, que contaram uma história traduzida pelos pais das mesmas como “tarde de fotos pornográficas fora do recinto escolar”. Com a repercussão, sem provas , foi ao ar a noticia. Professoras de maternal foram violentadas pela multidão de desocupados que foi ao local, movidos pelo que viu na TV, e na cadeia onde foram presas, pelo apelo da mídia. A escola depredada, os funcionários agredidos e marcados para sempre. Muitos deles, após esclarecido que NADA havia ocorrido, não conseguiram voltar às suas vidas. A escola? destruída. Sem trabalho, sem paz, sem vida, e o pior: sem esperança e cheios da dor do revide do ato que não cometeram.

Outros estupradores – reais como nosso doutor – são abandonados muitas vezes em celas cheias de outros marginais – que abominam este tipo de crime – e ali são constantemente agredidos, e muitas vezes, mortos.

Nossa celebridade foi poupada destas agressões, independente da dimensão de seus crimes; a imprensa de vários canais foi extremamente branda (a ostentosa clínica – recém fechada – não era lugar para muitos, e certamente, muitas outras celebridades passaram por lá, e talvez, para evitar este tipo de publicidade negativa - ou mesmo evitar a reação de um conjugê irado, não denunciou).

Algumas questões ficam com suas respostas óbvias entaladas em nossa garganta, enquanto eles, se lessem este tipo de texto, certamente ririam, sarcásticos, de nossa cara de idiota indignado:

Por que esse homem parece ser menos criminoso que os outros que comente menos crimes que ele?
Por que nossa legislação procura proteger bandidos estudados?
Será que algum destes bandidos colaborou na criação destas leis tão diferenciadas? Como será que se sente as mulheres agredidas, depois de ver que não haverá punição para uma agressão tão hedionda?

São perguntas óbvias que qualquer pessoa responde, mas que a mais alta da mais alta cúpula da Justiça parece não perceber o quanto isso implora por correção. Sabemos o que fazer, mas interesses pessoais parecem anular a compreensão deles.

"Esse mundo morre no maligno" disse Jesus. Se você prestar atenção, lá no fundo, a gargalhada irônica do próprio Diabo ecoa, vitoriosa, pela desnessecidade de seu trabalho em destruir este povo. Nós mesmos já o fazemos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Impedido de Trabalhar na Obra... por Deus.


Zé Luís

Sempre deparo com gente insatisfeita com a falta de oportunidade dada nos templos evangélicos. Gente cheia de vontade de trabalhar, pré-dispostas a acompanhar sua liderança aonde for, e mesmo assim, parece que ninguém se importa com estas almas, sedentas por servir a Jesus.

Quando me converti, foi diferente. Não demorou muito e já estava pregando. Meu pastor viu em minha capacidade comunicativa algo positivo, e me pôs no púlpito para trazer a Palavra, tocar um instrumento, cantar junto aos ministros.

Como sou de uma igreja pentecostal, não demorou muito para que fizesse as pregações com os trejeitos carismáticos. Diante do espelho, me via pregando às multidões de crentes, que falariam em línguas no meio do alvoroço, tão comum em templos desta linha, enquanto se esborrachavam no chão, ao cair no Espírito.

Ao subir naquele púlpito, me transformava: assumia uma postura séria, semblante rígido, dedo em riste, palavras duras para correção e repreensão dos poucos ouvintes que ali compareciam(que nunca caíram no Espírito com meu sermão, diga-se de passagem).

Já não andava muito satisfeito com as declarações do apóstolo Paulo (o de verdade) quando recomendava que pregadores não fossem neófitos. “Que raios é neófito?” pensei eu. O Aurélio, chamado dicionário, me explicou: não é bom que “novos convertidos” preguem. Certamente Saulo de Tarso não imaginou que alguém como eu, com toda minha inteligência e modéstia, seria capaz de desdizer suas cartas.

Mas aquele processo de vestir roupas de pregador pentecostal austero e sério no púlpito, para logo em seguida, ao descer de lá, minha alma voltar a usar seu bermudão e camiseta regata, chinelo de dedo e total irreverência, começou a me incomodar. Não que eu fosse diferente dos outros pregadores: Muitos usavam o púlpito como alguns proprietários de blogs e sites: se escondem atrás daquele escudo aparentemente inalcançável para falar o que bem entende, já que não podem – na cabeça deles – ser tocado. Essa sensação de segurança faz com que certas pessoas falem muito, e mostrem de si, mas do que normalmente fariam. De uma hora, estava orando algo diferente, logo após minha última pregação:

“Deus, se for de teu agrado, se não for para ser eu, e tiver que usar máscara no púlpito, não me chame mais para pregar...” – sussurrei a Ele, na intimidade de uma madrugada insone.

Quase um ano se passou até que fosse chamado novamente para pregar. Certamente, Ele não queria que usasse máscaras, já que me deu esta personalidade única, não precisava “macaquiar” a personalidade de outro. Mas também, para falar com exatidão de sua Palavra, o parco conhecimento da bíblia que possuía era insuficiente para que o Espírito pudesse me fazer lembrar . Vim do espiritismo, e como todo bom espírita, lia com bastante freqüência literatura relacionada. O problema é não sabia que o meu discernimento bíblico estava “contaminado” com as idéias que Kardec fazia em sua doutrina, e sem perceber, podia estar ensinando coisas ainda aceitáveis no meu recém-convertido entendimento, uma nova doutrina para os irmãos não instruídos, que não passaria de mais uma heresia. Hoje, vários anos e experiências depois, percebo o quanto me faltava e quanto prejuízo foi evitado ao Reino com meu afastamento.

Naquela noite, na Igreja do Nazareno como convidado, preguei depois de um ano. Contei piadas, deixei bem claro quem era, sem tentar provocar rompantes emocionais nos irmãos ou artifícios de oratória. Preguei sobre a frase de Jesus, dita a Pedro, quando este recusou-se a aceitar que seu mestre fizesse o lava-pés:

“Pedro: O que faço agora não entende. Entenderás depois...”

Um dia a gente entende. Tenha certeza disso.

Alguns "Melôs" da Gospel Music


Véspera de Natal, correrias para fazer, preparar-me para encontrar com  parentes que nunca deixarão de comentar como engordei, ou como meus filhos cresceram, ou mesmo como meu cabelo embranqueceu de repente. Que seja; Sempre me divirto com as mesmas piadas ( se você acha que rir da mesma coisa anos a fio não é normal , como é que "A Praça é Nossa" passa até hoje na TV? Sou normal!).

Abaixo, a coletânea hilária de músicas evangélicas que um maluco fez, e o Pavarini repostou. Divirta-se (atenção: Os trocadilhos abaixo são próprios do universo evangélico e não fará o menor sentido se você não conhecê-lo) :
Melô do crente com dor de barriga
"Eu quero me esvaziar de mim..."
(Me Esvaziar - Nívea Soares)
Melô da Declaração do Imposto de Renda
"Restitui, eu quero de volta o que é meu..."
(Restitui - Apascentar de Nova Iguaçu)

Melô do terrorista
"Incendeia, Senhor, a tua noiva... Incendeia, Senhor, a tua igreja..."

Melô do endividado
"Não posso pagaaaaarrr... Não posso pagaaaaar... Tudo o que eu faço é tão pouco..."
(Não posso pagar - André Valadão)

Melô da amnésia
"Quem eu sou? Quem tu és? Quem tu queres que eu seja?"
(Filhos do Homem)

Melô do esquizofrênico
"Quando estou em tua presença..
Dá vontade de pular
Dá vontade de dançar
Dá vontade de gritar
Dá vontade de correr"
(Diante de Ti - Quatro por Um)
Melô da loira crente
"Se tu olhares, Senhor, pra dentro de mim, nada encontrarás..."
(Preciso de ti - Diante do Trono)

Melô do guloso
"Como um farol que brilha a noite
Como ponte sobre as águas
Como abrigo no deserto
Como flecha que acerta o alvo..."
(Aline Barros)

Melô do bonecão de posto
"O vento sopra e me balança pra lá e pra cá, mas eu não caiu não, nem saio do lugar."

Melô da chapinha
"Quando a tempestade vem, quando a tempestade vem, tudo se transformaaaa"
(Quando a tempestade vem - Diante do Trono)

Melô do papa anjo
"Tu és a minha coroa..."
(Diante do Trono)

Melô do celular no vibracall
"Quando sinto teu toque, tudo em mim estremece..."
(Clamor pelas nações)



Por  Pavablog via Mukamatrix

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Para fãs de Dragon Ball: a transformação continua!



Aí Claudião...acho que não converso mais com você, nem frequento mais o Genizah...kkkkkk

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Offer - Uma Oferta de Alanis Morrisette


Offer: Com legendas em Português

Zé Luís

Se você é da turma que vê divisórias entre cantores e cantores, garanto que a letra da canção acima fala mais que muito música com "cara de louvor".

Logicamente, Alanis usa elementos de sua cultura, quando ainda usa erroneamente o termo "Terceiro Mundo", já que isso é da época da Guerra Fria, e não considerava países emergentes como Brasil, Índia, China...

No mais, a cantora expõe a indignação consigo, quando tem tanto e seu coração ainda está insatisfeito, embora a miséria nos rodeie e ela não consiga ficar indiferente a isso.

Algumas Estatísticas Interessantes







Pais, Filhos e a liberdade de Escolher

Zé Luís


Ano que vem meu primogênito faz dezoito anos.
Nem parece que tanto tempo se passou, e não sei como alcançou minha altura e peso em tão pouco tempo (ambos precisamos de uma dieta "anti-barriga").

O garoto estava trabalhando até pouco tempo, e com um ano de serviço, secretamente, comprou uma moto. Não quero aqui defender ou repudiar o uso de motocicletas. Sou pai, e com nossa preocupação típica, fica difícil aceitar que um dos meus "bebês" ande por aí montado neste troço, tão conhecido no trânsito paulista por seus constantes acidentes.

O detalhe é que, por ser menor de idade, não possui habilitação ou mesmo autorização para te-la em seu nome. Esse detalhe fez com que revelasse a compra, já que o vendedor só concordou em ceder-lhe a moto se alguém da confiança dele passasse em seu nome, que, com não pouca relutância e contrariedade, acabou sendo eu. Mas tinha minhas condições para concordar com tal feito:

"Que ele não utilizasse-a até que estivesse com sua carta de habilitação em mãos"

Ele concordou de pronto. Falta um mês para sua maioridade.

Não demorou muito para a mãe dele perguntar por que não escondi a chave, ou mesmo sugerir correntes para travar as rodas, o que me recusei. Sei quem são meus filhos. Este, em específico, se vangloria de sua maturidade, e se aborrece se questionado, não que ser tratado de nenhuma outra forma que não seja a maneira que tratamos pessoas responsáveis. Como típico adolescente, exige ser tratado como adulto, usando gestos infantis.

Deixar a chave, os documentos a mostra, pode ser interpretado como uma isca, uma tentação. Mas vejo como a chance para que perceba quem ele é. Sei que é muito esperar que não pegue a chave, e vá dar uma volta no quarteirão (inicialmente). Eu sei. Quem não se conhece é ele, quem não admite as próprias fraquezas e falhas é ele. Ele argumentará que sabe o que faz, quando já provou o contrário(sim: ele pegou a chave e foi bem mais além que um quarteirão).

Essa é a liberdade de Deus dá a todos. A Lei é para crianças, que não sabem lavar as mãos antes das refeições, levantar ao toque do despertador, ou cuidar de descansar o corpo e alma em períodos regulares.

Antes de existir a Lei e queda, existiu um paraíso, e dentro dele, uma forma de perdê-lo. Era nossa chance de dizer a Deus que cansamos daquilo. Se não houvesse a lacuna da imposição, estaríamos presos a eterna busca dela, estaríamos sempre imaginando como seria extrapolar a vontade do Pai, se fosse possível.

Deus não fará o que você tem que fazer, não falará as palavras que só você tem que declara, não afastará você daquilo que te derruba, se você pode se afastar sozinho. Isso não nos faria bem.
Ele ressuscitará Lázaros, mas não removerá pedras de sepulcros.

Nem esconderá as chaves do mal em sua vida: se o fizesse, não seriamos verdadeiramente livres.

Quanto a meu filho, assim que chegar em casa, escondo a chave, acorrento a moto, desmonto o motor dela. Garoto desobediente, Jesus...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Carta aberta do Apóstolo ao Salvador do Planeta, Carlos Magalhães.


Caro Salvador.


Muito comovido fiquei quando recebi seu cartaz através de minha caixa de entrada de e-mails ungida.


Como profissional da área, vi que você se esforça, mas falta-lhe o básico. Se você pretende ser reconhecido como autoridade espiritual, tente credenciais mais eficazes: apóstolo, episcopesa, pai-póstolo. Só “”pastor não daria o impacto necessário que você almeja, quando tenta convencer que seu projeto é mundial.


Argumentos sociais como o auxilio em creches, albergues, clínicas de tratamento de drogados só tem peso se você alega que o dinheiro doado, além de ser usado nisso, ainda os enriquecerá. A ganância travestida de altruísmo convence a maioria destes seguidores. Misture versículos para dar veracidade à seus apelos, e não se importe com o contexto: quase todos não lêem a bíblia, e não tem a menor noção do que estamos ensinando.


Procure fazer pregações que tenham temas com força emocional, sentido dúbio, use misticismos, e o nome de Jesus tem de ser incluído sempre: isso fortalece o argumento, independente do que fale. Não se importe com isso. Se for questionado, use a falácia da autoridade: fale sobre a unção que você recebeu do próprio Criador, e por ser ungido, não pode ser questionado (tem versículo pronto para isso).


Não se preocupe se meia dúzia descobre que não somos mais do que eles: estes são sempre minoria absoluta, e a própria maioria, se puder, os expulsará do nosso convívio.


Outro ponto crucial: Troque seu apelo pela oferta, não conte com doações voluntárias por piedade ou compaixão. Faça o ofertante imaginar que ele doa, mas seu lucro sempre será maior, faça-os crer que Deus aceita barganhas e que o céu se obriga a devolver o dinheiro...Como se sabe, Deus não falha...rs


Sei que vai achar estranho, mas a melhor literatura para os púlpitos (ou palcos, se preferir) são os livros de auto-ajuda. Lair Ribeiro, ou qualquer um dos autores desta linha; eles, assim como nós, apóstolos, se plagiam sistematicamente. Tem uns que usam astrologia, numerologia, mas recomendo mais cautela nisso. Não convém abusar da imbecilidade alheia.


Quanto às ofertas recebidas, fique tranqüilo: não existe nestas terras legislação que policie esta prática, mesmo se feita de forma ilícita. Só não cometa a tolice de tentar fazer estas ações em outros países com uma lei mais séria e eficaz.


Isto é o básico. Fico por aqui, na esperança que você não tenha entendido, já que o nosso negócio está muito concorrido, refinado, e a concorrência por ovelhas está cada vez mais dura. Basta verificar como o tráfego aéreo vem se congestionando entre nossos iguais.


Um abraço ungido e apostólico

Di Giorgio Canarinho
Querubim da Catedral Galáctica dos Ungidos do Reino

Quo Vadis? Aonde Vais?



O trecho foi tirado do filme épico de 1951, Quo Vadis, gravado numa época onde não havia computação gráfica. Nele, constata-se de que forma o evangelho era vivido, como ele foi pregado e de como os imperadores tratavam aquele que não negava a Jesus. Muitos, na época, recuavam diante deste destino, embora alguns voltavam atrás, e numa segunda "chance", escolhiam a arena e enfrentavam seu destino em paz.

Embora seja um clássico, as cenas são fortes.

Fonte: Baseado em matéria divulgada no Pulpito Cristão

sábado, 19 de dezembro de 2009

Como Evitar Brigas no seu Casamento

Zé Luís

Mate o Cavalo!
Certa mulher, admirada com seus vizinhos,um casal de velhinhos casados a tantos anos perguntou se eles brigavam muito:

- Não, minha filha. São mais de cinquenta anos, meu primeiro e único namorado, e nunca brigamos. Só uma vez...
- Que bonito, dona Alzira. Mas como foi essa briga?
- Foi pouco tempo após o casamento. Naquela época a gente usava cavalo para se locomover.: esse era nosso meio de transporte. A cerimônia na igreja foi linda, e depois da festa, montamos no bicho, ele na frente, eu na garupa, e galopamos noite afora pela escura estrada de terra. Após alguns quilômetros, o cavalo deu um tropeção...
- Nossa! - disse a vizinha – E aí?
- Aí que o Genésio falou “Uuuuuuuuum”, como se falasse para o cavalo. Quando o bicho percorreu mais alguns quilômetros, e tropeçou de novo, ele disse na orelha do bicho “dooooooooois”. NO terceiro tropeção, gritou “Três!”, parou o bicho, me desceu da garupa, tirou um revolver da cintura e deu cinco tiros na cabeça do animal. Eu fiquei indignada com aquela cena. Gritei com ele:”Por quê fez isso? Que exagero! Você enlouqueceu! E agora? Como a gente vai chegar em casa? O que você tem na cabeça! Seu descontrolado... Foi aí que ele olhou bem prá mim e falou “Uuuuuuuuuuummmm!”

Se você não casou ainda, e vai cometer esse ato, nunca deixe de matar o cavalo na primeira oportunidade. Não vai? "Uuuuuuuuuuuuuuummmmmmm!"

Para Ler e Pensar - Herman Hesse

Zé Luís


"Não acredito que o futuro nos traga uma humanidade "melhor". Não creio que venha ela a ser nem melhor nem pior do que esta. A humanidade é sempre a mesma. O demônio irrompe no ser humano não apenas de maneira velada ou encarnado em criminosos e psicopatas. Muitas vezes e em alta escala, o diabo faz política e dizima povos inteiros."
Para Ler e Pensar - pg 19 - Herman Hesse

Existem frases e discursos que não fazem o menor sentido quando alguém conta o quanto aquilo foi impactante em toda uma sociedade e época, como o famoso discurso de Mathin Luther King Jr., "I Have a Dream", os marcantes sermões de Spurgeon, ou mesmo os protestos de Luthero.

O detalhe não está no texto, mas no contexto em que eles vieram
Marthin Luther King falava de igualdade de raças em uma América que exigia que o negro desse lugar no ônibus quando algum branco assim o solicitasse. A opinião pública julgava o racismo cotidianamente aceitável. O trabalho pacífico iniciado através deste homem, ainda nos anos sessenta, mudou a história de um país de forma tão radical, que em poucas décadas foi capaz de eleger um presidente negro.

A frase acima, do alemão Herman Hesse, (Calw, 2 de julho de 1877 — Montagnola, 9 de agosto de 1962), que em 1923 naturalizou-se suíço não é bem um destes casos.

Nascido no seio de uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (pietistas, como é típico da Suábia) que tinham pregado o cristianismo na Índia. Estudou no seminário de Maulbronn, mas não seguiu a carreira de pastor como era da vontade de seus pais. Tendo recusado a religião, ainda adolescente, rompeu com a família e emigrou para a Suíça em 1912, trabalhando como livreiro e operário. Acumula então sólida cultura autodidata e resolve dedicar-se à literatura...

Até aí, nenhuma novidade: ser nobel de literatura com várias obras com O Lobo das Estepes, Demian, Hoshdale, Sidarta, entre tantas, mostrando estilos tão diferentes que nem parecem que foram escritas pela mesma pena, é tão comum entre gênios como Saramago, mas são apenas livros na estante.

O que o diferencia? Sua escolhas:
Ser anti-nazista em plena Alemanha de Hitler, ser anti-guerra numa época que sua nação ganhava força com esta prática, não se preocupar com popularidade quando ela impõe que aceitemos o que é imoral. Seus livros estavam entre aqueles que o 3º Reich queimou em praça pública, suas honras foram destruídas pelo governo do fuhrer, sua obra: proibida, censurada, banida.

Nós, por comodidade ou sabe-se lá qual justificativa, desistimos de nossas convicções por qualquer vento que nos torne impopular, procurando sempre o melhor atalho, menos doloroso mas que tem como pedágio, o abandono de nossas primeiras convicções, que certo homem ressurreto chamava de "Primeiro Amor".

Além de uma clara provocação política, a frase, escrita numa época onde o Evolucionismo era tido como resposta absoluta para a origem da vida, pode ser hoje contemplada como uma espécie de profecia, onde o homem contemporâneo, apesar de tanta tecnologia, permanece o mesmo. Como dizia aquela velha música dos Titãs:
"...Desde os primórdios até hoje em dia , O homem ainda faz o que o macaco fazia..."

Herman Hesse, que não conheceu o Titãs nem imaginava conhecer a América do Sul, já sabia disso.

Mais detalhes biográficos de Herman Hesse: Wikipedia

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Informativos em Murais de Igreja

Zé Luís

Alguns amigos que seguem este modesto blog, de tão amigos, me dão o privilégio de saber onde erro. Segundo o célebre "Leão", preciso urgentemente de um revisor de texto, pois quase sempre, existem frases confusas em meus posts... Oras! Qual o nome do blog? rss..

Relendo meus e-mails, achei as perolas abaixo, enviado pelo amigo Paulo Marcos, ha séculos atrás. Senti-me consolado: não estou sozinho neste universo de confusões gramaticais. Confira:

"No estudo desta noite, nosso pastor trará a mensagem intitulada o que é o inferno. Venha cedo e assista o ensaio do coral."


”Teremos Festa do Sorvete na igreja no próximo sábado, as irmãs que forem doar leite cheguem mais cedo."


"Para aquelas irmãs que têm filhos e não sabem, o berçário fica no segundo andar"


"Após a feijoada do próximo sábado, teremos um período de meditação com a sinfonia dos irmãos."


"Os adolescentes apresentarão no dia 10 uma peça de Shakespeare. Venha assistir esta tragédia."


"A irmã Laura agradece a todos os muitos irmãos que contribuíram para que finalmente ela engravidasse. Foi muito difícil, foi uma luta. Sem suas orações..."


"A irmã Zilda estará distribuindo Bíblias na favela na próxima terça. O diabo que se cuide."


"Precisamos orar intensamente pelo problema de saúde da irmã Cândida. Não tem Cristo que resolva."


"Os irmãos e irmãs que não sabem ler devem devolver os boletins da igreja no final do culto, assim que já tiverem usado."


"O novo zelador é o irmão Manuel. Não é casado, mas faz tudo que os outros mandam."


"O pastor viajou para o enterro da mãe do irmão Paulo. No culto cantaremos "Ouve-se o Júbilo de Todos os Povos."


"O diácono irmão Zaqueu convida os homens da igreja para no próximo sábado podarem as árvores."


"A todos os irmãos que doaram alimentos à família da irmã Lurdes: a igreja agradece, ela morreu em paz."


"Convidamos a todos para possessão do nosso novo pastor no dia 25. Traga..."

Pecados Confessados - David Letterman



Confissão do apresentador: em inglês

Zé Luís

Em Outubro deste ano, o mundialmente conhecido apresentador, o americano David Letterman, confessou ao vivo, diante das câmeras, ter cometido adultério com mulheres da equipe de seu programa.

Como de praxe, fez piada durante sua confissão, embora ele soubesse o quanto isso lhe custaria.

A Atitude:

Fonte: youPode


A admissão do apresentador veio após uma série de acontecimentos de natureza baixa: foi chantageado por um colega, o produtor do programa de documentários sobre crimes e tragédias, 48 Hours, Robert Joe Halderman. O chantagista deixou um vídeo comprometedor e um bilhete no carro de Letterman. Mais tarde pediu US$2 milhões para ficar quieto. Depois de aconselhar-se com seus advogados, Letterman resolveu denunciá-lo tornar pública a questão, revertendo assim o situação, e expondo o chantagista.

Quantas vezes somos acuados em nossa vida por aquele que nos ameaça em revelar nossos pecados?
A bíblia aponta para prática da confissão dos mesmos, uns aos outros, embora creia que vivamos numa igreja que abomina isso. Certa vez, numa dinâmica em sala de aula de escola bíblica, propus essa prática. Os garotos, todos bem vividos no meio "evangélico", já haviam aprendido que a melhor maneira de ser aceito por todos, é fingir que não pecam. Alguns até, por ser ótimos fingidores, tornam-se conselheiros, enquanto os que não disfarçam tão bem, fingem que crêem que aquela "inerrância" é passível de ser vivida. A dinâmica não vingou.

David confessou seus pecados pessoais diante daqueles que o admiram. O senhor Robert, que sonhava fazer dele sua fonte de renda, foi desmascarado e ridicularizado em caráter mundial. Seu sonho de ganhar muito através da falha alheia transformou-se em pesadelo pessoal, ganhando repúdio público e uma ação judicial de brinde.

Não é curioso - e triste - que nós, auto-intitulados cristãos, não consigamos fazer isso, por receio de "manchar" nossa imagem. Quanto prejuízo há em cada alma que está presa a pecados não confessados?

Se você tem um irmão que pode chamar de amigo - a ponto de poder confessar seus tropeços sem que ele te acuse ou te condene, ore a Deus, em agradecimento. Este é uma rara e genuína benção do Pai, ainda remanescente nestas terras. Confesso que tenho amigos, e se eles estiverem lendo, sabem que falo deles.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Pastor abandona Filha adotiva - O cara teve Blog Cristão!

Zé Luís

Atenção: 
O Blog de Eber Rosa da Silva foi desativado. (Atualizado em 01/01/10)

Esta semana saiu em muitos canais da mídia, também postado no Blog da Leilahh a noticia sobre Eber Rosa da Silva, onde ele abandona a filha adotiva numa estrada de Minas, a mais de duzentos quilômetros de distância de casa.

O chamado da noticia é reforçado não pela falta de humanidade do pai adotivo, que trata a criança como aquele que deixa um cachorro para morrer por ter perdido a empolgação com o bichinho, ou a própria mãe que parece compactuar com o ato, já que já fazia uma semana que o ato foi executado, e ninguém se prontificou - nem ela - a notificar às autoridades.

Na delegacia, após tentar negar, confessou que o casal não se adaptou a criança, e foi então que resolveram (creio eu que a coisa não foi só com ele) cometer esta insensatez.

Curioso - e trágico - é a necessidade de exaltar a notícia, citando o cargo do pai, conhecido pastor da cidade de Ipatinga - MG - para tornar a notícia ainda mais terrível.
O tal "abandonador" também tem seu cargo na mesma igreja, e em muitos jornais, nada disso foi citado.

Eu que sou pai, sei muito bem que nem sempre somos a principal influência na vida de nossas "crias", assim como o meu, que até tentou muito me ensinar suas qualidades, mas como típico "rebelde", não atentei para aquilo. Não por culpa dele ou de qualquer outro: era minha a adâmica culpa.


No mais, o que mais me chocou foi a falta de compaixão do dito "crente".
As fotos do blog do "filho de Pastor" mostram um homem equilibrado, um casal numa eterna lua de mel, um pai orgulhoso de seu filho( e vice-versa), uma igreja firme e instruidora, mas o que vai naquela alma não parece ser o que se apresenta nas imagens e posts.

Toda a pompa e alinho das celebrações religiosas fracassam vergonhosamente diante da simples e singela necessidade de continuar a amar alguém como gente (ou mesmo como bicho: tem gente tratando cachorro muito melhor que os filhos).

Quando vejo que uma atrocidade destas tornou-se pública (creio que o que a mídia consegue divulgar é só a ponta do Iceberg), me pergunto sobre utilidade da atual igreja na vida destas pessoas. Entendeu por que "Cristão Confuso"? Ou tudo isso não é muito estranho para você também?

Satanás é Real


Capas Toscas

Perambulando pela internet, achei está perola em um blog sobre capas de discos.
Nesta matéria, As 15 piores Capas de Disco, encontrei uma destas perolas (além de muitas outras, na maioria, evangélicas).
O pior que realmente parece mais um rascunho do conhecido disco "The Number of the Beast" da banda inglesa Iron Maiden.



Interessante o quanto a industria fonográfica "gospel" em relação a isto, embora ainda possamos ver coisas semelhantes na Conde de Sarzedas, aqui em São Paulo.

Mais imagens, não tão cristãs: Covers Design by Bruno Rocha

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Testando a Máquina do Tempo

Zé Luís


Acordei de madrugada para ir ao banheiro, coisa cada vez mais freqüente quando a idade chega. Ainda tinha mais uma hora até que o despertador tocasse. Não parecia que voltaria a dormir, mas consegui até sonhar. Sonho que me deixou intrigado:

Um amigo estava em casa, mostrando seu projeto experimental: um pequeno aparelho, capaz de viajar pelo tempo. Como clichê de filmes de "sessão da tarde", deu-me uma espécie de relógio que atei ao pulso, e de uma hora para outra, voltei mais de vinte anos no tempo, junto com toda a família, na igreja que hoje freqüento.

Não reconheci quase ninguém daquela época: todos eram jovens. Procurei entre os músicos, os atuais amigos de longa data. Embora tenha visto alguns, então bem moços, eles não sabiam quem eramos. Perambulávamos pela deliciosa algazarra pré-culto que se forma quando os irmãos se reencontram e começam a preparar seus instrumentos, colocar a conversa em dia, fazer acertos de futuras festas e congressos. Era estranho voltar ao passado de um lugar onde se é íntimo, e não ser reconhecido por ninguém.

Foi então que reconheci um dos pequenos garotos: era Fabrício, que hoje, já adulto, causa muita decepção a seus pais, devido a seu comportamento tolo. Aproximei-me do menino, que ainda tinha aquele ar inocente das crianças. Com um leve sorriso, não estranhou quando chamei por seu nome, e comecei a tagarelar de forma estúpida e inevitável:
- Oi Fabrício. Você não me conhece... ainda. Por alguma razão, vim do futuro. Queria dizer para você pegar mais leve com seus pais quando ficar mais velho. Você vai ser bem rebelde...

O garoto me olhava com a complacência de quem ouve um demente, e eu, depois de ter disparado tamanho absurdo, me dava conta da inutilidade de minha advertência.

Foi quando meu caçula alertou que o pastor e sua esposa estavam estacionando seu carro: acabavam de chegar. De imediato, pensei nos filhos deles. Foi naquela época que um se seus filhos morreu, vítima de um acidente de moto. Embora tenha conhecido-os anos após a tragédia, vi aquela mãe chorar muitas vezes por sua perda. O moço, recém casado, deixou uma viúva bem jovem, sem filhos, quando sua banda evangélica começava a fazer sucesso.

- Tenho que avisá-los sobre a tragédia! Posso evitar que ele morra! - pensei. - Quanta dor poderia evitar com essa mensagem!

Estranhamente, um pensamento sóbrio e lúcido - tão raro em minha alma - me invadiu:
- E a viúva, que hoje já está muito bem casada e com dois lindos filhos? O que será da vida daquele atual e apaixonado marido? Os garotos que jamais existirão? O que fazer daqueles que cresceram com aquele falecimento, quando a banda se desfez e cada um seguiu seu rumo, fazendo-se pastores sérios, excelentes cantores e reconhecidos profissionais da área de sonoplastia?

Nenhum pai deveria enterrar seus filhos, mas essa é uma regra que a gente cria para ver se Deus acata como obrigação, e nosso coração não sofra dor tão pungente. (embora o coração Dele não tenha sido poupado).

Embora me parecesse cruel, desperdicei a chance de "melhorar" o destino alheio: percebi que o tempo mostrou ótimos frutos naquela tragédia, tratada de forma magistral pelo Senhor e seus filhos. Regulei o relógio do tempo e, sem saber se voltaria na data certa, acionei-o. Eram 6:00 e o despertador tocou.

Será que existe algo que realmente pode se corrigir se pudéssemos voltar no tempo? Desculpem a teimosia, mas ainda creio que sim...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Como se mostrar Cristão até debaixo D'agua


Como tem gente estranha neste mundo... pelamordeDeus...
Fonte:Rei da Cocada Preta

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Agradeço por Deus me Ignorar...Ou quase isso...

Zé Luís

Sempre tive meus planos quando ingressei no que chamam "fileiras do Evangelho". Ainda mais quando, lá do púlpito, veio a confirmação de que eu tinha um ministério no Reino, tinha um grande trabalho a ser feito em nome de Deus.

Desde então, passei a sonhar com o que seria meu trabalho eclesiástico.
Logo que entrei na Igreja, por ser músico e compositor, fui convidado a auxiliar o grupo de louvor, o que logo aceitei: me imaginava diante de multidões com um microfone e um violão (ou, quem sabe, uma guitarra estridente e distorcida a lá Metallica). Nunca compus mais que vinte músicas, que são tocadas raramente em algum evento, só na minha igrejinha.

Fiz então curso para pastor, li a bíblia inteira por duas vezes, e me arriscava no grego e hebraico, e com minha alta capacidade de absolver informações, em menos de um mês devorei todas as apostilas, fazendo a prova de avaliação em menos de cinco minutos. Fui reprovado.

Jejuei, busquei orar em montes a oração que faz com que eu jogue a ancora do meu pequeno bote para puxar a Ilha até minha presença, sem me importar se meu raciocínio discordava do que me pré-dispunha a crê. Falei em um idioma estranho, e senti em meu ser algo indescritível. Esperava que isso fosse o início de uma carreira evangélica promissora, próspera, lucrativa. Não foi.

Ansiava por um cargo na Igreja que justificasse minha alta capacidade, mas, apesar de minha modéstia, Deus não se comoveu com o desperdício da igreja e foi me dado um ou outro serviço menor, que estranhamente, fracassei em cumprir.

Muito do que requisitem em minhas orações em meus sonhos de grandeza não foram respondidos. Depois, até minhas mesquinharias mais fúteis foram aparentemente ignorados. Logo no início da conversão elas eram atendidas, mas parecia que os desejos da lâmpada mágica haviam se esgotado.

Mas ainda ficou pior: até nas coisas mais básicas comecei a falhar. Já não conseguia mas nem manter o mínimo de aparência como um tradicional crente. A maldita máscara já não se fixava em meu rosto. Nunca consegui ser pastor de multidões, nem cantei - ou toquei - para estádios lotados. Nunca viajei para nenhuma terra distante em missão para o Evangelho, nem fui convidado a dar palestras em congressos - nem ao menos os municipais.

Hoje não tenho os adeptos e seguidores que imaginei que inevitavelmente teria.

Tenho amigos que sempre bagunçam meus ralos e grisalhos cabelos quando me cumprimentam. Não sou respeitável nem ilustre, sou comum, simples e acessível e estou plenamente satisfeito com isso.

Meus admiradores são meus filhos, no qual consegui ensinar a tocar, e perpetuam-se louvando a Deus com seus instrumentos na mesma igrejinha que até hoje freqüento, bem mais barrigudo do que no começo.
Tenho irmãos que choram quando por mim intercedem, sem se importar com meus talentos, e graças a Deus, com meus pecados.

Gente que me ama, apesar de eu não ser nada a mais que um crente. Pessoas que morrem de rir do meu jeito ridículo, estupido, do zíper que esqueci aberto, da piada que de tão mal contada, ficou cômica.

Agradeço a Deus por não ter atendido nenhuma daquelas orações, e nem ter mandado um raio na minha cabeça, quando fracassava sistematicamente em ser exemplo bom de qualquer coisa.

Obrigado por não permitir que a soberba me tornasse pior do que sou, me mantendo sempre um filho livre de ser o que não podia ser. Mas confesso: demorou para entender, e ainda estou aprendendo...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Mais sobre Jugos: Quando não há como nos acompanhar.

cristão confuso
Como já postado, jugos (ou cangas) são aqueles apetrechos atados nos pescoços do gado, que puxam arado no intuito de direcionar seu caminho enquanto preparam a terra para o plantio.

Não só Jesus usou o exemplo, quando comparava sua doutrina a dos fariseus, ou em como proceder enquanto conduz o arado, fixando-se no caminho, sem perder o foco, mas era uma sociedade com este aparelho muito presente na cultura, e outros escritores da bíblia também usaram.

O campeão dos versículos usados quando um jovem cristão pergunta sobre namorar com alguém que não confessa a mesma fé é esse:

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos” II Coríntios 6.14

Isso é dito, e pronto. Resolvido. Como se fosse mandamento ou mantra. Permita que eu isole outro texto, “postado" para a mesma igreja:

“se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele...” I Corínthios 7.13

Muitos alegam que os conceitos morais – ligados normalmente a sexualidade – são os principais problemas evitados quando o “jugo é desigual”, mas o que seria essa desigualdade de cangalha?

Imagine dois bois atados para andarem juntos. Um tem em seu pescoço a leve, mas necessária, obrigação de cumprir com o que o Espírito que nele habita o direciona, enquanto o outro boi, com uma canga diferente(ou nenhuma), é dirigida pelo próprio boi, fazendo o que lhe vem a mente, não sendo necessariamente atitudes sempre más, mas sem compromisso com o Caminho que o outro se comprometeu a seguir.

O curioso é que a igreja, a qual a carta é enviada, é a comunidade da cidade de Corintho. Nela, todos os dons espirituais são manifestos. Em contra-partida, intrigas, fofocas, homossexualismo - tudo isso e muito mais - eram flagrantes na vida daqueles crentes da igreja primitiva.

Embora Jesus tenha dito que aquele que se separa adultera, e só no caso de pornéia a separação seria admitida, Paulo consente que a separação ocorra em casos de divergência de fé, embora admita, se consentido pelo parceiro pagão, que o casamento continue.

Voltando ao primeiro versículo citado, a recomendação paulina vem dentro de um contexto de uma vida miserável que os crentes eram capazes de suportar, com flagelos, açoites, perseguições e mortes, e que alguém sem o Espírito não teria condições humanas de suporta-la.

Era um mundo onde deuses gregos e romanos ajudavam a movimentar a economia, e alterações nesta área incomodavam empresários, fecharia fábricas de imagens, geraria desemprego de sacerdotes destas religiões, e traria miséria a muitas famílias, além de ameaçar a cultura tradicionalmente transmitida a séculos.

Cristãos, que aumentavam em adesão em grande velocidade, não consumiam os produtos (imagens, apetrechos mágicos, sacrifícios) daqueles grupos,os ricos religiosos daquela época. (hoje, eles já aprenderam: vendem quinquilharias e as rotulam “evangélicas”, recuperando assim a fortuna perdida em outros tempos”).

O problema não era a sexualidade. Era dinheiro. Mamom. O deus concorrente ao verdadeiro Jeová. O versículo, usado de forma errônea, pode servir como pretexto, mas em seu contexto é outro.

Certamente, muitos se aproximarão de crentes esperando que estes abandonem seu costume cristão, e tentarão que ele assuma seu comportamento descompromissado com qualquer coisa moral ou ética. O cristão e o não-cristão tem conhecimento da lei vingente do país e sabe que roubo, assassinato, tráfico, consumo de drogas, corrupção, são crimes puniveis por código penal, além de que, para o que se diz cristão, é algo evitado por amar e respeitar a Deus.

E por amor a Deus, como quem respeita um bom Pai, ou Mãe (como na “A Cabana”), procuramos nos guardar de comportamentos, independente de mandamentos.

Um bom “estudo” em MP3 sobre sexualidade, é ministrado por Ed René Kivitz, em Luxúria, numa série de pregações sobre os 7 Pecados Capitais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os Amigos de Jó: Uma Dor a mais

Cristão Confuso

Zé Luís

 Muitos não sabem, mas dos livros da bíblia, o Livro de Jó é o mais antigo. Isso porque a mesma não foi distribuída de forma cronológica.

A história deste livro – chamado poético – acontece com um desafio satânico sobre a inerrância divina em suas escolhas. O escolhido para esta comprovação diabólica é o rico e feliz Jó, que em meio a seus vastos bens, bela família, projeção pública favorável, é abatido sistematicamente pela perda de tudo.

Sempre ouço pessoas se compararem a este personagem em momentos de tribulação, embora não conheça ninguém que o possa: quebra financeira, todos os filhos mortos, a podridão em seu estado de saúde, a solidão na incompreensão em seu casamento (a esposa ordena que abandone sua fé para um óbito mais rápido), o desprezo público, a incompreensão dos amigos e o pior: não merecermos o que obviamente lhe parecia um terrível castigo divino.

Como é difícil quando Deus silencia diante de nossas doloridas e chorosas indagações. A aparente indiferença diante da miséria humana, embora não canse de chamar cristãos para trabalhar neste auxílio. Nem percebemos que sempre nos escusamos diante da pesagem entre aquilo e nossa mediana vida.

Mas quem são os amigos de Jó, afinal?

Auto-entitulados esclarecidos, são os que esmiuçam a vida alheia procurando causas para dores tão agudas. Buscam convencer que a miséria é justificada por nosso atos, e que nos ordenam a engolir a dor, as lágrimas, a tristeza. Não querem se incomodar com gemidos e choros. Brincam com chavões e versículos fora de contexto para nos acusar de injustiças cometidas.

Os amigo de Jó quando veem um cego de nascença, buscam entender com Jesus onde está a causa, quando ela nem sempre existe nos pecados de um ou outro.

Narcisistas e invejosos, aproveitam o momento do caído para acusá-lo, detratá-lo, esquecendo que aquele mesmo Jó foi, um dia, conselheiro deles.

Fazendo coro com a a mulher, ficam na expectativa do fim do moribundo, para continuar suas vidas entre os eleitos que até o momento nada sofrem. Esquecem que a miséria pode estar a um segundo de distância.

Não choram com os que choram: não querem ser associados com esse tipo de situação impopular e incômoda.

O que não sabem é que, por melhor que seja seu discurso e oratória, precisarão, diante do Deus que dizem defender, da intercessão do miserável que afligem, pois este sim é o que está agradando-O.

Os amigos de Jó somos nós, eu e você, cheios de escusas quanto a fazer isso ou aquilo pelo reino. Gente que Gandhi dizia ser o grande problema do cristianismo: “cristãos”.

Gente que torna a dor de Jó muito maior, por não se importarem com ela, por mais piedosos que pareçam seus conselhos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fake: Campanha Evangélica para mudar o Control+S


Zé Luís

Circula em velocidade avassaladora a seguinte informação:


Evangélicos querem que Microsoft mude o atalho para salvar documentos de CTRL+S para CTRL+J
Jesus Saves

Fundadores da Igreja Jesus Saves, autora da campanha.

Segundo o folhetim evangélico americano Moses Cradle Board Newsum abaixo assinado está circulando por diversas igrejas dos Estados Unidos pedindo para a Microsoft que a mudança da tecla de atalho para salvar documentos, o atual ctrl+s, mude para o ctrl+j.

A justifica dos evangélicos é que o J deve salvar, pois só Jesus Salva e também que o S é a letra inicial de Satã. “Há cada vez um número maior de evangélicos ingressando no mundo da informática e é interessante a personalização do produto para agradar esse nicho novo do mercado” explicou o consultor em informática Arnold Hadley. ... se quiser, continue a ler clicando aqui

A noticia, de um dia para outro, está em centenas de blogs, incluindo igrejas sérias, como uma notícia verídica, o que mostra nossa necessidade de escândalos e apedrejamentos.

Não há nenhuma menção ao tal "jornal" em toda a internet que não seja nesta matéria, assim como os personagens são fictícios, e a fonte, BOBAGENTO, é conhecida como "geradora de fakes", sendo essa, única referência. Faltam fontes: locais, nomes, denominações.

O que me admira é nosso escândalo, antes de concluirmos que se trata obviamente de uma mentira. Nossa pré-disposição em acreditar que tudo que nos denigre está acontecendo sempre.

Ouvi de uma roda de escarnecedores:
"Certa vez, levaram uma prostituta pega em adultério para Jesus avaliar qual seria seu destino:
- Quem nunca errou que atire a primeira pedra - disse o Mestre.
Um judeu atípico, dono de um imenso bigode, e dono de uma padaria local, acertou uma forte tijolada na cabeça da moça.
- Que é isso, meu filho! Você nunca errou?
- Dessa distância não, ora pois! - disse o rapaz."


O pior que, enquanto alguns ali riam,um comentou:
"- Essa bíblia tem umas histórias estranhíssimas..."

Até aí, tudo bem. Ele não levava a marca de quem diz conhecer a Palavra. Seria estranho se algum crente ali concordasse, sem ao menos ler o texto e compará-lo com o que está sendo dito.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mudança de Programação: 2010 vem aí.

O que a mídia nos oferece

Zé Luís

Estamos a beira de mais um ano de eleição.
Boa parte das pessoas que conheço não se interessa pelo assunto. Coincidentemente, e parafraseando Renato Russo, esse pessoal normalmente é “gente que fala demais por não ter nada a dizer”.

Ainda na sessão “parafrases”, “tem que ter cultura para cuspir na estrutura” dizia Raul Seixas, e não é preciso pensar muito para perceber como isso falta. Nós, assumidos massa de manobra nos conformamos com isso, e começo a sentir-me anestesiado com o rumo que as coisas tomam repetidamente por anos. E olha que chego a quarenta agora.

Alguém pode imaginar que falo do que os jornais divulgam, mas não é disso especificamente. Toda matéria parte de uma pré-matéria, uma pauta, um assunto. E essa pauta tem suas metas, obedecem a interesses. Exemplo:

Imagine que sou dono de uma emissora de TV, rádio ou outra forma poderosa de mídia. Pense que sou afiliado a um partido político qualquer, que pode ser – ou não – moral e eticamente incorreto. Como sou um empresário e meu objetivo é aumentar ganhos, posso usar minha ferramenta, a TV, para “pinçar” o que eu quero que seja divulgado, escolhendo palavras que podem transmitir o que quero: palavras negativas depreciam a imagem daquele que quero derrubar, imagens editadas podem mostrar só aquilo que quero mostrar, e isso pode ser um momento bom ou não. Só depende do que eu quero. Palavras positivas ganham votos, aprovação pública.

Você, que não ouvia nada sobre Mensalão a quatro anos, recomeçará a ouvir como se fosse realmente importante, para quem divulga, debelar este mal. Imagens e filmagens de anos atrás serão apresentadas de uma forma que você odeie as pessoas que ali aparecem: é um tipo nosso de Idolatria, que procura mostrar um perfil congelado como os de gesso. Sorrisos bem perfilados, mangas dobradas mostrando pré-disposição para o trabalho.

Minha irmã Jana, residente na Suécia a quase dez anos, mandou-me um vídeo exibido nas faculdades de lá, a tempos e proibido no Brasil, na época. O vídeo, postado aqui, mostra como uma má imprensa elege e derruba quem quer. No caso, em 1982.

Ela, que passará o Natal aqui no Brasil com a família, prometeu trazer vasto material, proibido por aqui por gente que se diz democrata, e imprensas que se projetam como imparciais. Vou tentar divulgá-los por aqui.

Mais denominações evangélicas lançarão candidatos, pastores, profetas e apóstolos: as denominações, como toda empresa, visa benefícios por ter gente em cargos públicos, candidatos jurarão a suas ovelhas que só querem o progresso do Reino de Deus, embora você nunca os verá peregrinando nas matas indígenas nem em favelas perigosas. Lá não desse jatinho.

Nossa casa, chamada Brasil, é símbolo de corrupção e estelionato no mundo. Muitas ONGs gostariam de auxiliar-nos, mas sabem que o dinheiro nunca chega ao destino, embora gente que se diz discípulo do Pai da Justiça, esteja corrompida junto com toda a quadrilha, não comprometidos com Deus.

Bancadas evangélicas incomodam as outras bancadas, não por serem incorruptíveis ou combatentes da Injustiça. Eles tomam a vaga de quem não usa a religião para enganar seu eleitor.
Esse mundo também Jaz no Maligno, mas quantos de nós, chamados crentes, anseiam por este belo emprego?
Somos os culpados por não se envolver com política, quando somos tão rasos em nossa fé, já que elegemos pilotos de avião pela fé, e não pelo que apresenta quando mostra suas horas de vôo.

“Quem dera fosse burro, não sofreria tanto...”
- diria Raul Seixas.
“ Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e que aumenta a ciência, aumenta a dor. “ diria o escritor de Eclesiastes, na última frase do primeiro capítulo.