20 de setembro de 2009

Ainda sobre A Cabana...


Gosto de ler.
Ler por diversão, por lazer, e aproveito deste estranho gosto para brasileiros (um mínimo percentual de compatriotas lêem e entendem o que leram: 7%).
Leio no banheiro, no ônibus, desligo a televisão e leio.
Não que tenha bons gostos por autores e escritas.
Apenas leio sem compromisso de me sentir mais culto ou informado.

Quando li A Cabana, gostei.
Gostei do que li e da forma que o autor conduziu seu conto.
Gostei mais ainda quando vi de que forma heróica o livro chegou às livrarias da Terra.
O autor nunca teve a pretensão de ser escritor de best-seller. Era um presente para seus cinco filhos a ser dado no natal (que nem deu tempo de encapar e encadernar).
Decepcionante: os filhos não se empolgaram com o presente, mas algumas cópias sobressalentes, dadas a amigos da familia, foram comprovando a força da propaganda “boca-a-boca”.
Um emprestou para outro e de repente, o canadense era lido por centenas de pessoas.

O mais interessante veio a seguir:
Nas divisões do mundo cristão e o chamado secular, havia um conflito: Editoras chamadas cristãs não aceitavam detalhes do conto, por parecerem incondizentes com uma ou outras das doutrinas de determinadas denominações evangélicas (sei bem como é isso).
Já as editoras “seculares” não aceitavam por ser “cristão” demais.


Necessário foi se criar uma editora para que esse livro pudesse ser editado, o que fez dele TOP nos Estados Unidos, e também aqui no Brasil, sendo campeão de vendas durante semanas, entre gente que frequenta e não frequenta religião.
Ainda hoje, vejo nos sites, opiniões das mais diversas sobre a leitura citada.
Curioso é que quando alguém do lado religioso quer criticar negativamente, primeiro, traz a luz suas credenciais: “sou pastor”,” bispo”, “apóstolo”(se bem que estes últimos não são muito dados a leitura), depois trazem versículos bíblicos, explicando como a heresia está demonicamente inclusa nas entrelinhas, e como não deveríamos nos empolgar com a deliciosa trama. Era nossa carne se empolgando com aquela fantasia, confessadamente ocorrida na alma da personagem.


Tenho um nome para estes caras: estraga-prazer.


É muito interessante quando indico um livro para alguém que sabe da minha fé. A pergunta é mais ou menos essa:
 - É leitura cristã?
 - Sim... mas pode ler que é legal! (o que traz a frase implicita: ”apesar de ser sobre Cristo, não é chato.”)
  - Aff...vou pensar...- e raramente lerá a indicação.


Transformar assuntos sobre Jesus em coisas massantes, próprias de religiosos entediantes, certamente não era idéia do Senhor, nem de seus discípulos.
Faz parte da divisão inventada legalisticamente por gente que não entende a Graça, e precisa de saber qual denominação consumirá suas edições e quais credenciais fortalecerão suas vendas.
O efeito colateral desta idéia “abençoada” é que “A Cabana” é instrumento raro a favor da divulgação de Jesus, o amor do Pai, e a simpatia irresistível do Espirito. Além disso, poderia certamente alavancar as vendas entre tanto entulho que se aglomera em suas prateleiras.
Parabéns, editoras e críticos cristãos, por dificultarem a divulgação de textos tão bons.

Zé Luís

2 comentários:

  1. Obrigado, não prescisa escrever mais nada sobre o livro não!

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  2. Li, e gostei muito! Concordo que tem algumas heresias sim, mas guardei apenas aquilo que achei que deveria.

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