18 de setembro de 2009

Constantine perdeu, “prayboy”...



Zé Luís

Ontem, pererecando pelos canais de tv, assisti pela “enésima” vez o filme Constantine.

Se você ainda não viu esta produção americana baseada numa história em quadrinhos,(e não vai assistir, pois se continuar lendo, vou estragar a “diversão")concordará que é mais uma daquelas tramas entre o mal, presente e atuante, e um deus misteriosamente ausente, que chega a ser comparado pelo herói da história com um “garoto que possui uma fazenda de formigas”.

No filme, um plano do inferno, através do filho de Lúcifer, Mammom, que trama dominar a humanidade e destronar seu pai, usando uma médium como portal de entrada, logo depois de rasga-la num ritual, com a relíquia chamada “lança do destino”(a mesma que perfurou Jesus na cruz).

Detalhe: O anjo Gabriel, personagem de boca suja, andrógeno, representado por Tilda Swinton( A feiticeira Branca, das Crônicas de Nárnia) é a peça do “lado do bem” que está de conluio com o inferno para destruir a humanidade.

O inferno tem até Escrituras Sagradas, com direito a carta aos Corintios, com capítulos adicionais.

Entre tantas bobagens - atribuídas no filme ao culto católico, senti que poderia alterar o enredo do mesmo, se estivéssemos na realidade evangélica tupiniquim atual.

Infelizmente, embora cristão, e tenha por hábito, especial preferencia por finais felizes em nossos contos, me embasaria em fatos mais realísticos.

Enquanto Constatine, no filme, “bentificava” o tanque que conduzia água benta contra incêndios, transformando uma sala com sprinters numa camara de gás para capetas, poderíamos lançar litros de óleo ungido contra os demônios(chamaríamos de capirotos?)

Constantine, ao invés de entoar rezas em latim, poderia falar em línguas, enquanto músicos entoariam mantras e dariam ordens para que o diabo fosse para debaixo dos seus pés.

Quanto aos demônios mais poderosos: migrador, cortador e ceifador, seria suas estréias na tela, mas ninjas dizimistas os controlariam com sua secreta e infalivel arte de ofertas de sacrificio.

Mas Constantine não venceria no final, por uma simples razão: na maioria dos lugares onde os “Contantines” são chamados, Mammom já venceu, dispensando o uso de médiuns, portais, relíquias ou ajuda divina angelical.

Na verdade, ele é invocado, adorado, desejado, e para que seu forte cheiro de enxofre seja suportável, nos informam que se Jesus não nos levar a este “deus” Mammom, nós não temos parte com o Cristo, em uma das milhares de obscenidades pregadas por teologias convenientes aos bolsos de quem prega.

“Se sou filho de Deus, e a ele pertence o ouro e a prata, então, herdo com ele todas as “Riquezas”(Mammom). - é seu credo, que subsitui João 3.10

O segundo assunto mais falado por Jesus foi o dinheiro (só perdeu para “O reino de Deus”). O que não significa que ele deu ordens para perseguir Mammom. Na verdade, foi bem o contrário.A escolha é binária: ou este ou aquele.

Mas é como ouvi certa vez, numa discussão de gente que pensa que sabe o que fala, mas só matraqueia frases que ouve na tv:

- Ah! Estes políticos... raça de canalhas! Mas é no voto que iremos resolver isso!
- Mas não foi no voto que começou essa baixaria? - indagou o outro.

Estes políticos são brasileiros típicos, gente como nós, e por isso, fazem tantas falcatruas.

Assim são os “espertos” que buscam prosperar financeiramente pela teologia (independente se pregam ou recebem): Eles parecem tolos ingênuos, mas na verdade, são gananciosos com roupagem de “piedosos”. Não se importam em ser massa de manobra, desde que tenham a possibilidade de conseguir bens e mais bens, e ostentem suas aquisições, alimentando o eterno apetite de ser sempre o primeiro a chegar ao único pão do cesto.

Nem lembram que o grande prazer dos cristãos que seguem Jesus (como se o culto a Mammom pudesse ser cristianismo) é repartir o pão com singeleza de coração.

Mammom venceu. Nossa versão acaba sem que Constantine possa entender o amor do Pai, sem razão de existir na película.

E “nóis”? Nóis perdeu “prayboy”.

Um comentário:

  1. Ow, ow, ow do céu!
    Não quero dar uma de metida, não, mas acontece que o nome da atriz que faz o Gabriel tá errado,
    é Tilda Swinton.
    Sabe como são os fãs narnianos, né?rsrs

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