20 de setembro de 2009

Pesquisa mostra perfil do leitor brasileiro






O brasileiro lê cerca de 1,8 livros por ano; uma média bem insignificante se comparada a dos franceses, os quais lêem cerca de sete a dez livros no mesmo período, segundo dados da Unesco. Isso também se deve ao fato do preço acessível das obras franceses, que custam cerca de três Euros na França; menos até mesmo que um café na Cidade Luz. A principal indústria cultural francesa é a leitura.O Instituto Pró-Livro resolveu aprofundar o perfil do leitor no Brasil e fez uma pesquisa intitulada “Retratos da Leitura no Brasil” na qual avalia o hábito da leitura entre os brasileiros. Foram considerados leitores, as pessoas que haviam lido, pelo menos, um livro nos últimos três meses. Já o “não-leitor” é aquele que respondeu negativamente a essa pergunta (ainda que tenha lido ocasionalmente ou em outros meses do ano).

Para cerca de 45,2 milhões (26% dos entrevistados), leitura significa conhecimento. O mesmo percentual de entrevistados não respondeu a pergunta ou não soube opinar. Segundo dados da pesquisa, “uma entre cada quatro pessoas não faz a menor idéia sobre o papel da leitura”.


Retratos da Leitura no Brasil revela que “conhecimento é o valor mais associado à leitura (e aumenta entre os mais velhos)”. Enquanto que para a leitura como uma atividade prazerosa é a resposta mais citada entre crianças com ate 10 anos.

Chega a ser realmente triste quando se olha os dados da pesquisa referentes ao fato de se vencer na vida através da leitura. 60% dos entrevistados disseram que não conheceu ninguém que tenha vencido por conta do hábito de ler, o que significa duas em cada três pessoas dentro da amostragem da pesquisa 172.731.959 pessoas (92% da população).

A maioria dos brasileiros gostam de assistir televisão (77%) ou ouvir música (53%). Ler está em quarto lugar, atrás de descansar e ouvir rádio. “60 milhões (35%) declaram gostar de ler em seu tempo livre. 38 milhões dizem fazer isso com freqüência. A preferência cresce com a renda e a escolaridade (48% no Ensino Médio e 64% no Superior). Entre quem ganha mais de 10 SM, vai a 67%.” Um dado interessante é que “nas famílias onde há um professor, este índice sobe de 32% para 46% (mostra a importância da valorização da leitura na formação de leitores)”.

Os leitores que declararam gostar de ler no tempo livre e fazer isso com freqüência têm formação superior (79%), renda familiar acima de 10 salários mínimos (78%); são, em sua maioria, chefes de família (76%), espíritas (76%), membros das classes A (75%) e B (74%), moradores da região Sul (72%), moradores das regiões metropolitanas (69%), jovens e adultos de 18 a 24 anos (67%) e 30 a 39 (68%), além de trabalharem e estudarem (73%).

As mulheres lêem mais do que os homens. 55% delas são consideradas “leitoras”, de acordo com a pesquisa, contra 45% dos entrevistados do sexo masculino. As mulheres lêem muito mais do que os homens por prazer ou gosto. E também por motivos religiosos. Os homens lêem mais por atualização profissional ou exigência escolar/ acadêmica.”

Quanto ao que gostam de ler, as revistas são campeãs (52%), em seguida estão os livros (50%) e os jornais (48%). Os romances (32%), os livros didáticos (34%) e a Bíblia (45%) são os gêneros mais lidos. As mulheres lêem mais a Bíblia (49%), livros didáticos (44%) e religiosos (30%), enquanto os homens preferem ler livros sobre história, política e ciências sociais (27%).

Os romances são os preferidos entre os jovens de 18 a 24 anos (47%), os favoritos das pessoas acima de 50 anos são a Bíblia e os livros religiosos, já a poesia e as histórias em quadrinhos os favoritos das crianças e dos adolescentes.

Os três escritores mais prestigiados pelos leitores são Monteiro Lobato, Paulo Coelho e Jorge Amado. Machado de Assis encontra-se na quarta colocação seguido por Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo.

O livro mais importante da vida dos brasileiros é a Bíblia. Em segundo lugar, está o Sítio do Pica-pau amarelo; em terceiro Chapeuzinho Vermelho; em quarto, Harry Potter e, em quinto, O pequeno príncipe.

O último livro que os brasileiros leram ou estavam lendo na época da entrevista foram: Bíblia (1º lugar), O Código da Vinci (2º lugar), O segredo (3º lugar) e Harry Potter (4º lugar).

De acordo com os dados da pesquisa, também se pode verificar que “quanto maior a escolaridade, maior é o tempo dedicado à leitura de livros”. A maioria dos brasileiros (51%) dedica de uma a três horas por semana à leitura de livros. “A infância e a adolescência são lembradas como o período em que as pessoas mais liam.”

Um dado que mostra que é favorável é que, “apesar da obrigatoriedade da leitura nas escolas, é alto o índice de estudantes que dizem ler por prazer ou gosto”.

Os fatores que mais influenciam na leitura de livro são o tema, o título da obra e a indicação de outras pessoas, todavia o que menos influencia é a editora.

E, como os leitores costumar ler os livros? “Maioria dos que gostam de ler ouvindo música tem entre 11 e 24 anos (índice aumenta entre 14 e 17 anos). Os que mais gostam de ler com a televisão ligada são as crianças (14% entre 5 e 10 anos e 10% entre 11 e 13). A preferência por lugares silenciosos para ler cresce quanto maior a idade do leitor (mais de 90% acima de 40 anos).”

No que diz respeito à leitura em outro idioma, o inglês ocupa a segunda posição - com 9%, cerca de 8,3 milhões de pessoas - seguido do espanhol - 5% equivalente a 4,9 milhões de pessoas - e do francês e do italiano - com 1%, mas referentes a 779 mil e 624 mil, respectivamente. “Entre quem tem nível superior aumenta para 23% (13% o espanhol e 4% o francês).” Alemão e japonês são as línguas menos lidas - 0,18% e 0,17% respectivamente.

As mães (49%) e as professoras (33%) são as maiores influenciadoras da leitura. “A influência das mães é maior no Norte (59%) e Nordeste (56%).”

E livros como presentes? “Enquanto 52% dos leitores geralmente são presenteados com livros, 85% dos não leitores nunca ganharam esse presente.”