21 de setembro de 2009

Travesseiros de Pena




Dúvidas povoam minha alma em madrugadas insones:
Será que, em um mundo onde se cultua a imagem(de forma literal) e a informação, onde se registra pecados em ordinárias câmeras e se divulga publicamente,de forma tão banal essas intimidades, haverá espaço para perdoar e esquecer?
Todos os dias, milhares de garotos e garotas, num dia onde faltou juízo (tão comuns em NOSSA existência, e não só na DELES, já que não podemos esquecer que conhecemos aquela fase) registrou de forma promiscua esta, ou aquela atividade, e expôs publicamente sua nudez, sua vergonha, sua forma de convencer o outro de como se é capaz de cometer loucuras ou mesmo de ser um completo imbecil.
Meninos e meninas expõem e se expõem em vídeos toscos, fazendo coisas que possivelmente se arrependerão quando a maturidade vier, e estes, se multiplicam pelas lans espalhadas por todo o globo terrestre, através de todo tipo de “usuário”.
Mesmo os chamados profissionais do sexo, já velhos e aposentados, continuam exibindo suas performances pornográficas diante do público mais heterogêneo possível.
Como reverter esse processo na net, quando um item minusculo, num telefone celular, é capaz de guardá-los, e redivulga-los indefinidamente, quando quiser?
Dia desses, lia sobre a aparente mudança de “ideologia” de Daniel Mastral, que vendeu muitos livros contando sobre sua experiência no Satanismo e seu fantástico processo de conversão.
Como reverter a crença dos milhares que gente crédula que recebeu aquilo como se fosse verídico? “Filho do próprio diabo, onde existiam até mulheres lobisomens (ou lobimulheres?), pondo a mãe numa situação delicadíssima, quando declara a todos que é fruto de uma relação extra-conjugal.
Isso tudo registrado, confessado, escrito e vendido como um testemunho confiável.
Não é o direito de se falar que questiono, mas o direito de se arrepender (ou esquecer) é removido quando se usa o primeiro direito indevidamente.
Talvez a mãe de Mastral (nome fictício) pudesse ser poupada desta informação, seja real ou não, e talvez, o filho já tenha pensado nisso, mas o que ele pode fazer?
A velha história do sujeito que falou o que não devia, e arrependido, vai a sua vítima para pedir perdão, e que pretende se retratar.
Este, dá um travesseiro de penas, e pede que vá até certa distância, e enquanto vai, que solte as penas, gradativamente e feito isso, retorne.
Ao retornar, o agredido complete o pedido, recolhendo todas as penas, no que o agressor diz, obviamente, que a tarefa agora é impossível.
O agredido então diz que aquelas palavras proferidas contra ele eram como as penas: Você as lança, mas nunca mais conseguirão ajuntar-se.
Agora, imagine os travesseiros soprados pelas redes.
Quanto pode se destruir com essa ventânia?

Zé Luís