21 de outubro de 2009

Deus nos Livre.



Tragédias que nunca imaginamos acontecer em nossa vida sempre acontecem na vida dos outros.
Foi preso, o foragido a oito anos, o ex-promotor Igor Ferreira da Silva.
Ele havia sido condenado por ter assassinado a advogada Patricia Longo, sua própria esposa, quando estava grávida. Ele tentou encobrir o crime, mas a verdade veio a tona, foi condenado, mas fugiu.
Sua vida foi exposta por toda a mídia, sua imagem divulgada, sua intimidade revelada: a criança no ventre de sua mulher não era filho dele, o que alegaram ser o motivo do assassínio.
As famílias vinham aos meios de comunicação, hora defender, hora condenar.

Quando o ex-promotor foi preso, entregue por ligação anônima, não resistiu a prisão. Abatido, seus cabelos caíram, pesa pouco mais de cinquenta quilos, seus dentes apodreceram.
Ele confessa que viver em fuga, é como carregar um piano nas costas.
Impossível não lembrar de "Crime e Castigo" de Dostoievisky, ou mesmo o filme “O Operário”.

Vi o álbum de família destes personagens reais citados acima.
Um belo e jovem casal bem sucedido casou e foi morar em Atibaia, em busca de sossego, logo que descobriram que a moça estava grávida.
Laser, estabilidade financeira, boa formação, família, saúde, carreira profissional promissora.
Tudo destruído em uma noite de ira.

O que me choca mais é a possibilidade do dia ruim acontecer na minha vida, ou na vida daqueles a qual amo.
Acordar com uma ligação na madrugada, com uma noticia terrível. Algo que fará minha vida nunca mais ser a mesma.
Ou pior(quem sabe?): que um dia perca a cabeça num surto de ira e se cometa uma insensatez tal que se me contassem agora eu riria de tamanha bobagem:
- Só na sua cabeça seria capaz de uma loucura destas! - diria eu – Isso só acontece com os outros.Gela-me a coluna saber que Igor certamente pensava assim, igual a mim, com a segurança de que somos incapazes de nos auto-destruir. Assim como as moças que agora afogam seus filhos, mas sonharam com belos casamentos, os drogados que matam e morrem a mingua, sem que a família saiba o que fazer, mas se imaginavam jogadores de futebol famosos ou astros do rock.

Minha única oração é “Que Deus nos livre!” com a esperança de ser atendido e jamais ter a falsa segurança de que isso não pode me acontecer. Aprender a compaixão é isso.
Que Deus nos Livre.

Fonte: O Globo

Zé Luís

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