10 de outubro de 2009

Identificando uma Seita


 Trabalhei com vendas - ramo imobiliário - durante seis anos. Neste período meu gerente, na intenção de melhorar minhas vendas, deu-me diversos cursos de PNL (Programação Neuro Lingüística) a ponto de me formar como facilitador.
Logicamente, com o passar do tempo, descobriria a ineficácia das técnicas de auto-convencimento, auto-hipnose, entre tantas induções e auto-induções.
Frustrante descobrir o óbvio: procurar me convencer que sou o que não sou, e quando fracasso, justifica-lo pelo pouco volume de pensamentos positivos. Crer que o "universo conspirava a meu favor" me fez entrar em muitas enrascadas financeiras.

Anos depois, conheceria o Evangelho, me convertendo a Jesus, e com Ele, conviveria com as pessoas mais tresloucadas. O problema é que crente, para mim, sempre foi gente tresloucada, e eu me tornara um deles. Daí, a confusão:

Surgiam, na época, ofertas de doutrinas das mais estapafúrdias (hoje posso afirmar que eram) sobre dinheiro, Disney, homossexuais, G12, revelações com cara de show de auditório,entre tantas outras. Os mais experientes começavam a aceitar dentro do lugar onde eu recebi o puro e nítido Espirito Santo coisas claramente heréticas. E pior: com muitas técnicas de covencimento esdrúxulas da PNL.

Mas quando saber que faço parte de uma seita?
A bíblia é o caminho mais seguro, mas a mesma é usada nestas seitas, e – no caso da minha biblia, com 66 livros - não se aprende por osmose, e nem sempre estudos-relâmpagos-confiáveis sobre a “teologia certa” estão disponíveis e inteligíveis. Sem contar que, a "teologia" que escolhi é a certa? e quem me ensinou, não a distorceu?...

Jesus prima pela liberdade, como frisado pelo Grande Inquisidor de Dostoievisky. Essa é a dica primordial.
Já a algum tempo, cultos e seus líderes são objeto de estudo por especialistas em comportamento, traçando suas características gerais e alertado contra seus possíveis danos. Steve Hassan, psicólogo e autor de estudos sobre cultos e seitas que realizam algum tipo de controle mental sobre seus participantes. Para Hassan, esse tipo de culto visa basicamente a operar sobre a personalidade do indivíduo participante, de modo que ele se desligue de sua vida anterior e passe a ter novas crenças e valores. Segundo ele, são três estágios de controle mental:
Descongelamento
O indivíduo é sobrecarregado ou privado de estímulos emocionais. Reduz-se seu sono e sua privacidade. Muda-se sua dieta. Uso intensivo da hipnose e da meditação. O indivíduo passa a questionar a própria identidade. Seu passado é redefinido com o implante de falsas memórias. Mudança:
Criação e imposição de uma nova identidade ao indivíduo, através de sessões de doutrinação. O indivíduo é recompensado ou punido, de acordo com seu comportamento. Utilização da repetição e da prece ritmada. Confissões.
Recongelamento
A nova identidade é reforçada. O indivíduo é separado da família, e encorajado a abdicar de suas posses materiais. Passa a ter novo nome, novas roupas, novo visual, nova "família".

Hassan, conheceu de perto o fenômeno, pois foi membro da seita Moon, e escreve a mais de vinte anos sobre os cultos e seitas "destrutivas". Para ele, a busca da espiritualidade e do enriquecimento interno devem motivar a escolha religiosa de um indivíduo.
Fonte sobre Hassan: Malagrino

Zé Luís

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