12 de outubro de 2009

Mensagem na Garrafa


11 de Outubro, são 15:00.
Acabei de chegar de um evento, no qual fui chamado para pregar.
Era um evangelismo, onde um caminhão de som, atravessado no meio de uma rua interditada, apresentava, através da membresia, diversos jograis e coreografias infantis, enquanto lanches e refrescos eram distribuídos para crianças e pais que não paravam de descer o morro.
Os moradores da rua colocavam suas cadeirinhas em frente a suas casas, e acompanhavam o acontecimento curiosos e a distância, sem deixar as latinhas de cerveja cheias por muito tempo.

Até poucas horas antes do evento não sabia o que dizer naquele microfone.(tenho este probleminha sempre que vou pregar: sempre tenho algo a dizer, até ser convidado a trazer a Palavra).
Creio que, como diz meu amigo Kleber: “Deus está neste negócio”.

Quem escreve e publica – como eu, neste Blog – não tem idéia de quem (ou se) alguém lerá. É como uma mensagem numa garrafa lançada num oceano de garrafas e pescadores de garrafas.
Não sei se você, que escreve ou tem seu site, já passou por esta questão:
“Para que raios eu escrevo?”

Coloquei em meu blog contadores, verifico os mais lidos, os locais de acesso.
A intenção é acrescentar, dar ao que procura a informação precisa, e realmente a gente deixa de acreditar que está de alguma forma beneficiando alguém.

Foi quando recebi a visita de minha sobrinha, uma jovem mãe e esposa:
- Tio! Adoro seu site!
- Você o lê?Como soube dele? - surpreso.
- Leio tudo! Nem sabia que você escrevia tão bem (nessa hora, quase dei dez “conto”prá ela...pelo elogio, sabe?) Seu filho foi quem me contou.
Aquele sentimento de inutilidade evaporou-se instantaneamente, e o tema do sermão que levaria para o evento também surgiu:

Eclesiastes 11.1: “Lança teu Pão sobre as Águas”
Um dos primeiros sermões que marcaram minha vida em Cristo tinha este tema. Escutei-o através de uma fita K-7 emprestada por um irmão. Não sabia nada sobre o pregador, mas era cego, e agora enxergava. Minha alma havia sido tocada de forma irreversível.

A necessidade de lançar aquilo que me alimenta passou a fazer parte de minha essência. Não ver o possível benefício – e a gratidão – das pessoas deixou de ser importante. A falta de reconhecimento, ingratidão, já não era tão doloroso. Restava-me apenas continuar emitindo o sinal, pregando nos telhados, falando sobre o Sangue nas mensagens das garrafas.

Foi o que preguei em cima do caminhão através daqueles auto-falantes estridentes, para uma multidão de crianças aparentemente desinteressadas no que tinha para dizer, e nada mais natural, já que havia uma promessa dos organizadores de entrega de brinquedos após a pregação.

Não sei quantos minutos falei naquele microfone, mas me senti como um músico num restaurante lotado de famintos. Lancei o pão sobre as águas, e diferente do que seria normal, desci daquele palanque sem a sensação de frustração, própria de quem foi inútil para o Reino (tinha que crer no que preguei).

Antes de finalizar este post, pessoas me procuraram. Elas não puderam deixar de ouvir o que preguei (o volume dos amplificadores estava realmente alto) dentro de suas casas. Gostaram do que ouviram. O pão foi lançado, e Deus permitiu-me perceber que isso nunca é a toa.

Zé Luís