5 de outubro de 2009

Olimpiadas, BOPE e o Estraga-prazer.



Estraga-prazer.
É assim que me sinto.
Hoje é 02 de Outubro de 2009
Acabaram de decidir que a sede das Olimpíadas em 2016 será o Rio de Janeiro.
Queria realmente me alegrar com isso.
Sei que é uma grande honra, que trará benefícios dos mais diversos para a região e tudo mais, mas não consigo deixar de pensar nisso acontecendo hoje, com a estrutura atual, com os problemas de segurança de hoje, com os políticos, a corrupção, o desmazelo público, da presente data, por que isso nunca muda.

Queria ficar feliz por saber que centenas de atletas, dos mais diversos países, virão para cá gastar seu dinheirinho de patrocínio, mas me preocupo com os mesmos sofrendo assaltos e extorsões, sequestro e todo tipo de agressão por meus conterrâneos, que se escondem atrás de sua pobreza para tentar justificar suas barbaridades.

Não pude deixar de lembrar do filme “Tropa de Elite”, e da operação policial que movia a trama, onde uma visita papal em uma perigosa comunidade carioca fazia valer a truculência empregada, necessária para impor a ordem naquela favela em específico. Será que temos BOPE para tanta gente?

Também recordei-me do que aconteceu em São Paulo, quando os bancos aumentaram seus mecanismos de segurança. A bandidagem não deixou de existir e atuar: Os sequestro simplesmente dispararam. O que acontecerá se a contenção da criminalidade for feita de forma não planejada, naquele processo de “cobrir um santo, descobrindo outro”.

Tenho preocupações em relação às futuras instalações olímpicas – e por sequência, para-olímpicas – e em sua conclusão no prazo, e já começo a me envergonhar antecipadamente pelos previsíveis desvios de verba, pelos super-faturamentos, pela nossa – possível – desonestidade futura ,exposta ao mundo que nos observa mais atentamente então.

Uma de minhas irmãs mora na Suécia, e é politicamente educada. Amo quando ela entra no assunto (embora seja bem mais nova que eu, sinto-me mais imbecil quando ela me instrui).
Explicou-me a visão do mundo sobre nossa politica, e talvez isso seja responsável por minha apreensão:
Somos observados, analisados, criticados. O mundo não entende como “Malufes” continuam elegíveis quando são comprovadamente ladrões, ou porque votam neles como se fossem um time de futebol a ganhar numa competição: Sou Palmeirense e Malufista (na França, se utiliza o verbo “malufar” para indicar improbidades administrativas).

Certa vez, contou-me sobre diversas organizações que reconhecem a necessidade brasileira em determinadas áreas e de milhares de euros poderiam vir em nosso auxilio, mas sabem que a verba destinada para auxiliar estes nichos sempre é desviada.

O brasileiro que gostamos de imaginar que somos, festeiros, alegres, sempre em churrascos e sambas, não são os mesmos que eles enxergam na Politica.
O atual presidente – que o Obama chamou de “O Cara!”se encaixa mais neste primeiro perfil, mas ele não é “todos os políticos”, nem de longe pode-se tratar o perfil do político brasileiro a partir dele. E outra: ano que vem, a luta suja pelo poder voltará, as propagandas denegritivas começarão, as reportagens com prováveis denúncias – que se arrastam até o dia da eleição - se multiplicarão, conduzindo até os que se acham mais esclarecidos a acreditar que os jornais realmente estão sendo verdadeiros e imparciais no que transmitem.

Como Jeremias, vejo um futuro negro para minha nação.
Não consigo ver o povo dando continuidade ao trabalho que está sendo feito hoje. Vejo velhos costumes voltarem a seus gabinetes, e o mesmo povo que os colocou de volta lá, sendo esquecido, desamparado, dando espaço para que novos “malufistas” deem continuidade a sua imbecilidade.

Que Deus entre com sua mão poderosa, e não deixe que eu acerte nesta minha reflexão tão angustiada, própria de estraga-prazeres que não conseguem lidar muito bem com a esperança.

Zé Luís

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