1 de outubro de 2009

Sobre As Cartomantes


"...Há quem pense que, com o progredir da civilização, diminui o número dos supersticiosos. Completa ilusão. Nunca houve tantos supersticiosos e tantas superstições como agora. A civilização causa o naufrágio e a bancarrota das religões, mas não aplaca esta sede de saber e esta ânsia de compreender que ainda não foram satisfeitas. Morrem e sucedem-se as religiões, mas não se altera o instinto religioso; reformam-se as superstições, mas a Superstição é eterna.
Todos nós costumamos rir das crendices... É um riso exterior e postiço, como que mascaramos o nosso medo. É de crer que, para não perder o seu ganha-pão, os delegados de polícia, obedecendo às ordens do chefe, varejam as casas das cartomantes; muitos deles, porém, cumprirão esse dever com um certo terror. E até o chefe... quem sabe que superstições terá o chefe? A investidura de tão alto cargo não destrói dentro da alma de um homem as estratificações de preconceitos que séculos e séculos de humanidade e de fraqueza têm deposto nas almas de todos os homens..."


Não querendo desanimar àqueles que crêem que um dia, toda esta coisa de massa de manobra vai parar e que nosso povo abandonará crêndices e mentiras, mas este trecho acima foi retirado de uma crônica de Olavo Bilac, de título "As Cartomantes" escrito em meados de 1910, e publicado em um jornal da época, quando a policia começou a prender mulheres deste ofício, com a desculpa de estarem praticando "charlatanismo".

Por sua escrita, vê-se realmente que ninguém é capaz de ser 100% cético, e imune inclusve, a charlatanisses.
Fonte: As Cem Melhores Crônicas Brasileiras

Zé Luís

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