30 de outubro de 2009

Missões, Livros e Amizade

Atualmente estou lendo "Por Esta Cruz te Matarei", de Bruce Olson.
Até segunda-feira, nunca havia ouvido falar deste missionário. Nem mesmo sabia que a obra se tratava de uma auto-biografia. Não gostei da capa amarelada, nem do desenho de um caboclo cangaceiro ilustrando-a. O livreto, com duzentas páginas (ainda não cheguei nem em sua metade) tem uma letra minúscula e a diagramação não é das melhores.
Comprei em um sebo aqui de São Caetano, na hora de meu almoço, mas estive por diversas vezes por devolve-lo a prateleira e não levá-lo.
Se soubesse que era a história de um jovem americano que recebe um chamado da parte de Deus para levar o Evangelho a índios primitivos nos confins da Venezuela, jamais teria comprado!
Nunca entendi qual sentido racional na cabeça de um sujeito desejar ir aos confins da Terra levar solitariamente o evangelho para gente que nunca viu, não sabe seu idioma, não o respeita... isso até poucos dias. Estou amando o livro!
Enquanto leio, novos "insights" me inundam. O tal Bruce não foi "fazer missões" dentro dos padrões instituídos pelo grupos, e portanto, não impôs trejeitos e vícios aos nativos. Apanha, leva flechadas, lamenta suas dores, solidão, desventuras, aberta e despudoradamente, sem tentar maquiar com vocabulários "crentescos" o que realmente sente.
Não foi aceito por juntas missionárias ou financiando por igrejas (a única que se comprometeu, não demorou a esquecer de honrar o benefício).
Tudo deu errado segundo os planos que imaginara cumprir, mas nitidamente descubro o que é o solitário e genuíno "caminho de milagres".
Quanto a desimportante pessoa do indígena - ou seja lá qual a minoria que Deus escolhe para se apresentar de forma tão espetacular - sempre pensei que isso poderia ser feito por gente mais próxima, com melhores recursos , mas o autor e mandatório do "Ide" tem lá suas razões, que aos poucos, vou entendendo.

Não sei realmente por qual motivo sou impulsionado a escrever. Já existem centenas de milhares de blogs, sites, portais, main-frames, todos eles especializados em difundir ideias cristãs. Muitos desses com melhores pontuações, gráficos, ortografia, templates.
Mas...
Tive a oportunidade de saber que UM visitante, meu amigo, de bem longe daqui, foi edificado através deste trabalho, e a emocionante sensação que tive é que: se eu encerrasse este trabalho agora, e nunca mais houvesse alguém que recebesse tal edificação, já seria suficiente. UM já faz valer a pena (e nem quero saber o por que de Deus não usar o vizinho dele para edificá-lo!).
Essa alegria que invade e revigora valida o cansaço de uma forma exageradamente agradável.
Entendo o missionário, assim como capto melhor a Parábola das Cem Ovelhas, e a forma solicita que o pastor busca aquela que se perde, ou apenas não consegue mais voltar - uma única, e o valor do individuo, do pessoal, do íntimo.

Jeová escolhe fazer um sinal entre os descendentes de Abraão, algo em sua própria carne: no ponto mais sensível, mais íntimo, mais oculto: a circuncisão.
Jesus não faz um Mega Santa Ceia numa Praça de Alimentação de Jerusalém: prefere a intimista reunião com amigos, e fala a cada um, aberta e francamente, o que surti muito mais efeitos pelos séculos e séculos. Dois ou três, diz Ele, são suficientes.
Esse amor chamado Amizade, (tão confundido nos dias de hoje com homossexualismo), precisa ser valorizado e entendido - por que o Cristo assim o fez, mas isso é assunto para outro post.(por que vale a pena escrever, por mais que pense que ninguém o leia ou seja insípido, desconexo, confuso).

Zé Luís

4 comentários:

  1. Bahhh, não acredito! Esse livro de capa feia! Eu trabalhei numa banca evangélica em São Bernardo, e sempre achei esse livro muito repulsivo, por causa da capa de gosto duvidoso.
    Acho que nunca o ditado "nunca julgue o livro por sua capa", coube tão bem....

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  2. É... a importância da concepção visual faz mesmo a diferença. Pelo jeito o conteúdo do livro ficou no limbo por causa dessa capa estilo século XIX.

    E essa sensação de recompensa emocional e satisfação de um missionário ou um cristão confuso que edifica, ... nostálgico pra mim. Saudades dessa época em que eu sentia um pouco desse sabor que saciava.

    Leão.

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  3. É bem fácil julgar com esta percepção incial, sem compromisso, sem um interresse verdadeiro em conhecer a verdade dos fatos. Um missionario comprometido com Deus não saí de sua patria para aventurar, ou mesmo sem uma clara convicção que realmente é Deus quem o está enviando. A verdade nua e crua é que todo cristão autentico é também um missionario, à partir de sua casa, sua rua, seu bairro. Disse Jesus aos seus discipulos: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura, quem crer e for batizado será salvo. Mas especificamente no caso de Bruce Olson, quando li o livro entendi que especificamente seu chamado missionário em uma cultura que podemos chamar de "confins da terra", pois a obra misssionário segundo o Próprio Jesus começaria na Judeia, Samaria... e por ultimo até os confins da terra! não fique mais confuso saiba que Deus está preoculpado em salvar todos os povos.

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  4. Salve, anônimo. Não sou confuso. Confuso é do que me chamam, por não seguir os trejeitos evangeliqueses, mas seguir nosso Mestre, único e suficiente salvador como se fosse uma pessoa cheia de trejeitos e esquisitisses místicas, mas me denomino apenas cristão.

    Concordo que todos somos missionários, mas dentro dos parâmetros do Olson me pareceu mais autêntico, já que a objetividade e ações superam a necessidade de vender uma crença. Disponibilizei o e-book há algum tempo, já que julguei ser um excelente parâmetro para um missionário autêntico (Braulia Ribeiro, em um breve bate-papo on-line, concordou com isso)

    Respondi apenas para esclarecer: não sou um menino na Fé.

    Obrigado pela visita.

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