23 de novembro de 2009

Caixinhas de Promessa e meu Tarô


Zé Luís

Dia destes, recebi um e-mail de que passava cotação de serviço a ser contratado. Quem assinava a postagem era o próprio dono da empresa, e não foi difícil saber sua crença: No rodapé, onde ia sua assinatura e telefone, ia um versículo bíblico, como encontrado em alguns carros. Se não me engano era esse (Jeremias 28, 2):
"Assim fala o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrarei o jugo do rei de Israel"

É tipicamente uma "palavra" de incentivo para aquele que lê, e precisa daquela força da parte do Criador de Galáxias.

Não seria surpresa se achássemos esta frase incluída naquelas caixinhas com versículos recortados em pedacinhos e encaixados, para puxarmos como se fosse papagaio de realejo.

Conta-se que o irmão adúltero buscava resposta de Deus sobre seu ato, quando puxou um dos papeizinhos e saiu a parte em que Jeová fala a Gideão:
"Não temas! Eis que sou contigo. Segue nesta tua força..."

Outro conhecido "causo" foi a do pregador que tinha por hábito, não preparar mensagens, mas só na hora da ministração da mensagem, abria a bíblia e, onde caísse, pregava (por julgar que o trecho aleatório era recurso de providência divina), até que um dia saiu numa página em branco, na divisória entre o Velho e o Novo Testamento:
"Deus hoje não quer falar nada conosco, irmãos!" - disse ele, dando por encerrado o culto.

Essa coisa de manter o Salmo 91 aberto como se fosse amuleto continua em nós, resquícios da maldita religião que ainda circula pelas veias do Adão que, quando em vez, volta do coma.

Nos meus caminhos anteriores ao encontro com o Filho, entre tantas bobagens exotéricas que pela Graça me desfiz, manipulei cartas de tarô, tanto o de 22 como as de 78 arcanos.
Um dos princípios era exatamente este:
Uma carta com um desenho tinha o poder, através de seu simbolismo , poder de revelar o destino alheio, seja morte, amor, adultério, enfim, qualquer coisa.

Qual não foi minha surpresa quando encontrei, em minha conversão, estes crentes e suas caixinhas de versículos.

Quanto a frase que o caro empresário - e irmão em Cristo - enviou com sua assinatura, tem um contexto que, talvez, ele nem imagine:
A tal declaração de libertação do povo de Deus provinha de um falso profeta, que se contra-punha ao que Jeremias recebia da parte de Deus.
A tal profecia era "fake"!
Uma mentira de alguém querendo ganhar popularidade numa nação que apreciava estes "profissionais", e que sabia o que falar para agradar uma platéia.

Se o versículo, por si só, tivesse poder na vida de alguém só por estar ali, este seria uma maldição no e-mail daquele empresário..
Embora Jeremias tivesse palavras de derrota, de vergonha, de tragédia, de "agouro", era nele que Deus estava operando, era isso que Jeová tinha a dizer àquele povo, e sabe "comé":
Deus falou, tá falado

Um comentário:

  1. Em tempo: "Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus." (Mateus 22 : 29)
    ... e não é que erram mesmo??? : )

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