25 de novembro de 2009

Cangas, Jugos, Bois e Arados


Zé Luís

Jesus sempre buscou exemplos cotidianos como instrumento para ensino.
Ciente da sociedade que o cercava, com suas atividades predominantemente agrícola, usava palavras como semeador, arado, colheita, trigo, campos.
Certa vez, escolheu o jugo(e não JULGO) para descrever como pretendia conduzir àquele que aceitasse tê-lo como guia.
A cangalha (ou jugo) é uma peça de madeira que ata os bois, dando-lhe direção quando estão puxando carroça, ou mesmo um arado para a preparação da terra para o plantio

“Minha canga é leve, e os fardos a serem carregados, suaves”

Algum malintencionado pode insinuar que o Filho de Deus nos impõe rédeas. É a mais pura verdade, mas antes de ir a frente, perceba:

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”

Não existe liberdade
Estamos restritos a nossos próprios limites, as leis da Física – como a Lei da Gravidade, nossos desejos, medos, crenças, e uma série de outras situações que não cabem neste atual assunto.

Imagine o boi sem jugo: ele é livre, mas não tem rumo. Está destinado a viver como quer, mas o propósito em sua vida de gado é ser alimento para outro bicho que também vive sem sua canga.

Fazendeiros normalmente amarram bois aos pares, um jovem e rápido, o outro, mais velho e de passo lento e seguro: um tenta correr, mas o passo do experiente o retém. O que é lento, é apressado pelo jovem. Eis aí uma boa dica para se usar em nosso convívio cristão.

Jesus trazia sua proposta de conduzir-nos de uma forma branda, suave, sem culpas. Isso certamente ainda desagrada a muitos. Essa leveza, a alegria e o sorriso fácil incomoda esses homens zelosos e estes começam a fazer o que aborrece o Nazareno: Impunham pedágios para o sorriso, amam lembrar-nos que Deus é amor, mas Ele é justiça, e nessa justiça haverá punição, dor, enxofre, gritos, decepção.
Aquela satisfação surge nos olhos deles: “o fardo ganhou uns quilinhos, o céu precisa ser merecido e nada melhor que o suor destas criaturas” - pensam eles, como se não estivessem inseridos na medida que medem. Eles crêem piamente que estes requintes na canga alheia não serão exigidos a eles.

Interessante é que, embora o Cristo não exija pesos e fardos, ele recomenda foco.
Ensina sobre a inabilidade do que olha para trás quando já está no arado.
O que conduz é o mesmo que puxa a carroça.
O que se desvia o faz por seguir em frente, enquanto olha para traz, mostrando-se inapto para o Caminho. Uma boa dica de como levar seus bois:

“Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele o fará...” Salmo 37:5

Voltaremos ao assunto num momento oportuno...

Comentários
1 Comentários

1 comentário

Anônimo disse...

Gostei muito da imagem do jugo de boi. Nela vejo Jesus como o boi mais velho, de passo lento e seguro. Eu e voce como o boi novo, apressado, sempre querendo estar à frente e seguir seu próprio caminho.

Mas se a missão do boi é puxar arado para preparar a terra para o plantio, lembremos pois a missão de cada cristão, o sacerdócio de conduzir um irmão para Jesus e edificarmos o corpo de Cristo.

Mauro
maurogarcez@gmail.com

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