17 de novembro de 2009

Nossa Compulsão por Chutar "Santas"


Zé Luís

Ainda sobre o post com o infeliz evento envolvendo o Pastor Batista Jorge Linhares.

Deixe-me explicar do que se trata:
Alguém foi convidado a estar apreciando um evento de seu sobrinho - de pouco mais de cinco anos - que aconteceu em uma Igreja Evangélica.
Durante o evento, transformado num culto, o preletor acima citado trouxe "a palavra" para os que ali estavam, como se esse fossem ovelhas em busca de seu pastoreado, mesmo não sendo o evento, necessariamente um culto.

Conseqüências do Ato:
Total repulsa daqueles que não conheciam Jesus, nem o "Status Quo do universo gospel", em comentários abertos e preconceituosos da parte de quem se diz "mensageiro de Deus".
No site onde foi postado, os comentários e indignação foram contra TODOS os cristãos .

Conheço pessoas que viveram a tragédia que se abateu em Santa Catarina. Viram seus bens, conquistados em uma vida, desaparecerem de uma hora para outra. Em Itajaí, cidade costeira, o mau cheiro teve sua origem revelada quando a prefeitura conseguiu remover toneladas de barro vindas do interior do estado, e descobrir nelas corpos e animais.

A dor deste povo não foi suficiente para alguém associa-la a punição divina causada - segundo o "sábio pregador" - pela possibilidade de haver casamentos homossexuais no Brasil?

Imagine o cidadão chegando em meio ao velório e consolando os parentes:
"Conforme-se. Seu bebê morreu porque Deus não quer que gays casem..."

Este pastor, no qual confesso ter lido alguns livros, e até assistido DVDs com mensagem, mostra no que deu sua compreensão sobre o Amor Divino e seu senso diante de uma plateia não-evangélica, deixando transparecer toda sua falta de conhecimento em muitas áreas que se propunha a divagar.

Para piorar, nós, que freqüentamos igrejas evangélicas, sabemos muito bem que muitos outros respeitáveis pregadores (conhecidos ou não), hora ou outra, se ocupam em apontar falhas nas crenças alheias. O velho costume desastroso de chutar os ídolos dos outros.

Proponho algo a estes: que ofendam, diante da torcida corintiana(ou qualquer outra torcida apaixonada), o objeto de adoração deles (rasgar a bandeira do clube, por exemplo). Ao invés de homossexuais conhecidos, desdenhem de traficantes conhecidos. Que tal?

Quem se propõe a ter um único discurso em defesa da fé, tem que fazer isso diante daqueles que podem revidar, e não apenas diante daqueles que - supostamente - o admiram.