19 de novembro de 2009

Pequenas Histórias de Crente

Zé Luís

Frustrada, Queila chegou em casa e sentou-se a mesa. Descascou a suculenta manga rosa com uma faquinha, após as horas que passara orando pela madrugada, no que chamam monte - a chácara do pastor, com a mocidade da igreja e outras irmãs de intercessão.

Típica pentecostal, buscou o que entre eles se chama "Dom de Línguas" e mais uma vez, apesar do alarido dos irmãos, tal fenômeno não se manifestou.
Não era a primeira vez que tentara , e entre seus amigos, músicos da igreja local, era uma das poucas que ainda não recebera o dom.
- Ainda não foi desta vez... - diziam os esquisitos cristãos, tentando consolá-la do aparente fracasso.
- O que me falta? - pensava ela, ao tentar decifrar as causas de não ser visitada pelo Espírito daquela forma tão diferenciada - Fiz de tudo: Jejuei, li a Palavra, cri o que tinha que crer... e nada acontece. Não quero copiar os outros enquanto falam em línguas...quero que seja genuíno!

Passava das três da madrugada, mas a agitação de seus familiares e amigos ainda persistia na pequena cozinha, coisa normal na casa de Assuicélia, sua mãe.

Com a fome que as altas horas trazem, a manga descia cada vez mais deliciosa.
Sentia todo o sumo se espalhar pela boca e garganta, o cheiro adocicado se espalhar pela cozinha, e sentiu-se grata pela graça, naquele momento, por saber degustar aquela fruta. No fundo de sua alma, o simples degustar foi se tornando uma experiência plena, impar, intensa. O simples experimentar de uma fruta.

Lágrimas emanaram de seus olhos, e ela ao tentar explicar para os presentes, engasgou, num grunhido incompreensível, entalado pelo nó na garganta do choro incontido.
Tentou procurar palavras para exprimir a experiência única da alegria que sentia em algo tão ordinário e nisso, inexplicavelmente, disparou a falar num dialeto estranho, repetitivo, repleto de coisas incompreensíveis aos que não o possuem.

Logo, a crentaiada saltava em volta da moça, abraçados, comemorando o dom alcançado na pequena adoração de Queila.
A moça havia aprendido a adorar a Deus pelos pequenos dons que ele nos dá. Era só isso que ela tinha que buscar.

2 comentários:

  1. GOSTEI DA HISTORIA POIS TRAIS
    UMA REALIDADE A CERCA DO QUE
    É REALMENTE O BATISMO COM
    O ESPÍRITO SANTO

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