10 de novembro de 2009

Placebos, Premonição e Explicação Científica


Zé Luís

Placebo, a grosso modo, é algo dado a alguém como se fosse remédio, mas não contendo nenhuma substância efetiva de tratamento. Um comprimido a base de amido e açúcar, por exemplo.
Muitos utilizam este recurso em casos diversos, para estancar a necessidade de alívio de alguns quando geram em si doenças imaginárias. Por isso, medicações imaginárias.
De certo, nunca é o remédio (real ou imaginário) que nos cura, mas o corpo que gera, através do material ingerido o que se precisa para normalizar nossos sistemas vitais (no caso do placebo, o efeito é psicológico).
O risco do "remédio de mentirinha" é exatamente sua eficácia. Um paciente pode se convencer que foi curado, quando a doença permanece em seu corpo.
A dor é necessária. Sem ela, muitos tratamentos não seriam ministrados a tempo, por falta de sinais que a revelem.

Alguns afirmam que a crença num deus real é uma espécie de placebo. Dizem que as massas ingerem esta fé para dar sentido a suas vidas, com a certeza que os benefícios da religião darão a alma o alívio em nossas ilusões.

Domingo, a TV transmitia uma reportagem sobre premonição, fatos sobre pessoas sentirem a milhares de quilômetros a angustia da dor de um ente querido.
Foi mostrado o caso da Big Brother brasileira Cida , que, isolada durante semanas na casa, ouviu o chamado da irmã enquanto tomava sol, momentos depois que a mesma morrera, a milhas de distância. Isso foi transmitido ao vivo.
Outros casos semelhantes foram citados, e quando a ciência entrou com sua explicação, tentei assimilar de bom grado:
Em resumo, nosso cérebro libera estas sensações de perigo eminente o tempo todo: quando vamos embarcar em um avião pela primeira vez, por exemplo. Com o passar do tempo, o cérebro se adapta , aprendendo que não há perigo, e começa a emitir sinais menos intensos.

Toda a explanação oferecida, com maquetes perfeitas do cérebro humano não explicou como Cida, por exemplo, teve o perfeito sincronismo entre a morte da irmã e o"possível" chamado. Não explica a sensação única e profunda, que acordam pais em desespero, antes que o telefone toque de madrugada anunciando a tragédia. Nem tocaram no assunto sobre a matéria que une essas vidas naquele momento.
Ouvi um conto certa vez que exemplifica bem certos comportamentos científicos:
 

Numa noite, certo homem procurava sua chave pela rua deserta. Seu amigo passava, e, ao ver sua busca, perguntou o que procurava e obtendo a resposta, passou a ajudá-lo. Tempo se passado algum tempo, o amigo pergunta:
- Onde foi que você perdeu a chave?
- Ali...naquele canto...
- E por que procrura neste lado da rua?
- Porque ali está escuro e não conseguirei enxergar nada...



Muitas áreas da Ciência oferecem placebos em suas explicações, enquanto não tem coragem (ou condições) de iluminar os pontos obscuros da compreensão humana.
Para estes, uma explicação parcial e facilmente refutada por um leigo é mais aceitável do que uma que põe em risco a sobriedade destes profissionais. Não admitem o óbvio e vasto campo oculto, e enquanto não o exploram - talvez por falta de ferramentas adequadas - continuam negando, fingindo que nada existe, a não ser que possa ser explicado.