25 de dezembro de 2009

Trapos de Imundícia – Mais de 300 anos de Condenação

Zé Luís


Foi com lágrimas nos olhos e abraços que a última cena foi transmitida pelo jornal na noite de 24 de Dezembro. Sua família podia ser vista ,entre os portões da mansão e os truculentos guarda-costas, abraçando o austero e mundialmente conhecido senhor, que não voltava para casa a meses, desde que foi preso sob a acusação de estupro.

Se você vem acompanhando algum jornal há mais de seis meses, já sabe a quem me refiro: doutor Roger Abdelmassih, comemorado pelas “Ilhas de Caras” da vida, exaltado por Amauri Junior, e até o próprio Roberto Carlos já cantou para ele(vide todas as referências no Paulo Lopes).

O médico é especialista em reprodução humana, mas durante as centenas de tratamento que administrou, estuprou mais de trinta pacientes, além dos assédios sexuais. Sabemos, porém, que normalmente, por vergonha ou medo, este tipo de crime raramente é revelado, devido ao machismo brasileiro, e podemos imaginar que a dimensão destes crimes podem ser bem maiores.

Os argumentos de defesa de seus advogados chegam ao absurdo de afirmar que as pacientes-vítimas fizeram isso por ma fé ou motivos emocionais em relação ao célebre médico. Os advogados, aproveitando o recesso em Brasília, entraram com pedido de soltura para o único – e conveniente – Juiz, alegando que o mesmo não oferecia mais perigo, já que seu registro foi caçado, podendo assim, passar o Natal no conforto de sua mansão, com sua família e amigos, comemorando esta vitória na Justiça.

No entanto, neste momento, dia 25 de Dezembro, ele diz a imprensa que voltará a exercer a função, despreocupado com qualquer problema com as Leis deste país.

Trapo de imundícia era uma espécie de absorvente íntimo utilizado pelas mulheres judias na época do profeta Isaías, autor da frase, quando compara isto a justiça dos homens. Pode-se fazer caretas ao imaginar alguém tentando limpar alguma coisa com isso. Quanto mais se lustra, mais sujeira se espalha, tornando o objeto mais imundo do que antes.

Anos atrás, a imprensa, procurando vender seus jornais, aceitou a denuncia de duas crianças de cinco anos, que contaram uma história traduzida pelos pais das mesmas como “tarde de fotos pornográficas fora do recinto escolar”. Com a repercussão, sem provas , foi ao ar a noticia. Professoras de maternal foram violentadas pela multidão de desocupados que foi ao local, movidos pelo que viu na TV, e na cadeia onde foram presas, pelo apelo da mídia. A escola depredada, os funcionários agredidos e marcados para sempre. Muitos deles, após esclarecido que NADA havia ocorrido, não conseguiram voltar às suas vidas. A escola? destruída. Sem trabalho, sem paz, sem vida, e o pior: sem esperança e cheios da dor do revide do ato que não cometeram.

Outros estupradores – reais como nosso doutor – são abandonados muitas vezes em celas cheias de outros marginais – que abominam este tipo de crime – e ali são constantemente agredidos, e muitas vezes, mortos.

Nossa celebridade foi poupada destas agressões, independente da dimensão de seus crimes; a imprensa de vários canais foi extremamente branda (a ostentosa clínica – recém fechada – não era lugar para muitos, e certamente, muitas outras celebridades passaram por lá, e talvez, para evitar este tipo de publicidade negativa - ou mesmo evitar a reação de um conjugê irado, não denunciou).

Algumas questões ficam com suas respostas óbvias entaladas em nossa garganta, enquanto eles, se lessem este tipo de texto, certamente ririam, sarcásticos, de nossa cara de idiota indignado:

Por que esse homem parece ser menos criminoso que os outros que comente menos crimes que ele?
Por que nossa legislação procura proteger bandidos estudados?
Será que algum destes bandidos colaborou na criação destas leis tão diferenciadas? Como será que se sente as mulheres agredidas, depois de ver que não haverá punição para uma agressão tão hedionda?

São perguntas óbvias que qualquer pessoa responde, mas que a mais alta da mais alta cúpula da Justiça parece não perceber o quanto isso implora por correção. Sabemos o que fazer, mas interesses pessoais parecem anular a compreensão deles.

"Esse mundo morre no maligno" disse Jesus. Se você prestar atenção, lá no fundo, a gargalhada irônica do próprio Diabo ecoa, vitoriosa, pela desnessecidade de seu trabalho em destruir este povo. Nós mesmos já o fazemos.

2 comentários:

  1. É meu irmão...
    É realmente muito triste assistir do sofá da sala, tanta impunidade!!!
    Esse mundo jaz no malígno!!!

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  2. Que triste!
    Deprimente.
    É isso mesmo.
    O mundo jaz no maligno e parece que o diabo nem precisa fazer esforço ... o mundo de auto destrói.

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