12 de janeiro de 2010

O Irmão do Pródigo: Tão Desviado Quanto...

Zé Luís

Quando voltava do serviço, ouviu a algazarra, som de festa, e perguntou aos empregados do que se tratava a inesperada comemoração: Era o irmão caçula, conhecido beberrão, freqüentador dos prostíbulos mais imorais, que retornara. Usava toda a herança que recebera do pai nisto, e passava fome pelos becos imundos da vida.

Geralmente, se tem direito a partilhas quando o o dono da herança já é morto. Este, no entanto, pede sua parte antes. Não queria esperar o pai morrer para por a mão na grana: “Vamos ao que interessa” era seu lema.

Mas o filho, o que ficou, fiel companheiro, trabalhador , testemunha das tristezas que o pai sentiu enquanto ele aguardava noticias do caçula, este sim era bom...

Será?

O filho mais velho se recusa a fazer parte da alegria daquele dia. O anel do pai está na mão do filho, as roupas do pai estão vestindo o gastador moleque que, por ter gasto tudo nas farras, não tinha o que por. A melhor refeição da grande casa foi servida. Tudo para um sujeito que não vale nada.

O pai então, questiona a reação de seu primogênito, esta é a resposta que se tem:

Você nunca me deu um novilho para gastar com meus amigos! Você nunca deu-me tanto, embora eu valha muito mais que este cabra safado! Eu mereço mais por viver com você, por nunca ter saído do seu lado! Eu tenho direito de não aceitar sua tola bondade por nunca ter te decepcionado!

Mal sabia ele que, naquele momento, sua máscara estava caindo. O real motivo de sua estadia não estava em querer ficar com o Pai por amor. Ele também almejava a herança, mas cinicamente, pensava ser melhor que o outro por manter todas as suas maldades e instintos debaixo da roupagem de bom filho e “esperar o tempo certo”.

O pródigo não queria que o pai morresse. Queria o dinheiro para saciar sua sede de carne.

O mais velho também. Só que nunca teve coragem de pensar que isso pudesse ser perdoado. Ele não aceitava a misericórdia que emana do Pai.

O caçula veio, buscando vaga nas fileiras de trabalho de seu pai. Nem conseguiu completar seu discurso previamente decorado. O pai o aceitou como filho, beijando-o, abraçando-o.

O mais velho não aceitou: o irmão, a atitude de seu pai. Mostrou ao pai, boquiaberto, sua verdadeira face. Não era por viver com Ele que o filho era como ele. Para isso, o Pai teria que viver “nele”.

Por isso o plano de Jesus, que sejamos um, parece não acontecer. Ser como Jesus é se alegrar – como Ele - quando gente que assume viver sem máscara decide – mesmo assim – estar com o Pai. Não importa para Ele quais os motivos que te trazem de volta. E isso aborrece os que ficaram, com suas máscaras de boa pessoa.

Se Deus é Amor, mas não se aceita o Amor do Pai, então não se aceita o Pai em sua essência.

Dois filhos distantes do Pai, um no mundo dos sentidos egocêntricos, outro, na Igreja, esperando a oportunidade de viver algo que só existe no mundo dos desejos egocêntricos.