6 de janeiro de 2010

O Necessário no Hall dos Derrotados

Zé Luís

Nem parecia que era o mesmo grupo. Há quatro dias, na quinta-feira, a multidão os aclamava às portas de Jerusalém, consagrando-os em definitivo como legítima solução para a nação.

Até aquela hora, tinham sonhos de grandeza, vislumbravam a divisão dos ministérios e explanadas, uns barganhavam com o Mestre por cargos mais privilegiados, indignando os outros discípulos-candidatos: todos eles podiam ter boas posições na nova ordem, e tentar influenciar quem decide desta forma no parecia honestos, já disputavam as melhores poltronas, as salas com ar-condicionado, massagistas para as horas do coffee-break. Herodes e o Imperador Romano que se cuidem: "Os revolucionários estão chegando e tem uma arma secreta!".

Mas logo alguns perceberam que não seria assim, que Jesus não usaria seus "poderes" em prol da retomada do Estado. Um deles, vendo que o tal Reino não se referia a uma ação política, tentou se adiantar e não ficar no total prejuízo: Ofereceu seu líder por trinta moedas, preço médio de um escravo, e recebeu dinheiro originado nas ofertas dadas no Templo.

Agora, naquele domingo, todos, excetuando o que não quis ficar no prejuízo, amargavam a mais profunda frustração, a angustia que só quem sabe é quem já a viveu. As portas trancadas não acalmam o pavor de serem os próximos presos e executados. Talvez Pedro deseje isso: Fracassou vergonhosamente diante do amigo, o mesmo que jurou publicamente defender até a morte.

Sonhos desfeitos, esperança destruída, a voz da Verdade calada de forma truculenta, estúpida, violenta, inconformável, imoral. E seus discípulos simplesmente o abandonaram para morrer sozinho.

Qual dinheiro no mundo seria capaz de reverter esse quadro de tristeza? Mamom ali não tem poder, não ilude ninguém, não barganha, nem faz promessas que possa seduzir.

Há algo naquele momento que desejam, mas nem em seus sonhos mais lindos imaginam que aquilo acontecerá. Não falo do retorno milagroso do Messias. Não! São homens os que estão ali, como eu e você, e tem em sua alma as mesmas ânsias e desesperos em horas como esta. O presente mais necessário, mais desejado, menos merecido, vem na ordem que Deus, em pessoa traz, ao aparecer entre eles, quando as trancas ainda estavam passadas nas janelas e porta:
"PAZ... PAZ seja convosco..."
Pergunte ao que chora a perda de um filho, um pai, um grande amigo, o quanto de ouro ele quer para ficar feliz. O que se arrepende tardiamente, o que morre, o que caiu em si e sem esperanças, deseja se redimir. O que se quer nesta hora dinheiro não compra nem vende.

Jesus traz um presente, em sua fala, assim como fez a Lázaro. Creio nisso, parece mais com Ele.
A Lázaro ressuscita, mandando voltar a vida com o redundante "Sai para fora...".
Aos discípulos, ordena "Paz Seja Convosco".

Na paz que excede todo o entendimento sobrevivemos a tribulações, dores, morte. E esta paz não há religião que ofereça, por que Cristo não é religião, e só Nele a paz real habita, e dá a quem quiser.