10 de janeiro de 2010

O que nós somos, O que eles veem...

Zé Luís



Imagine se Pedro decidisse ir até o romano Cornélius antes deste pedir a Deus para O conhecer. Pense em um Paulo atravessando o mundo antigo, sem a convicção de que isso era o que o Espírito Santo planejava. Fosse por ir, por vontade própria, na certeza de que, se qualquer bobagem fosse feita, Deus daria seu “jeitinho”...

No final do ano passado, um conhecido dramaturgo, Mario Bortolotto (conhecido não por mim, diga-se de passagem) levou quatro tiros em um bar durante assalto. Blogueiro, tem em seus leitores gente que o trata como íntimo amigo. Foi entre esses amigos que o crime aconteceu. Até aí, é o que mídia divulgou, e foi apenas o que me predispus a querer saber. Por dia, são dezenas de crimes em São Paulo, anunciados em diversos canais. Nosso cotidiano de violência nos fez aceitar gradativamente o descaso deste governo em relação a postura do seu policiamento. Pelo menos, para o crime, existe democracia: as balas dos que se tornam marginais matam ferem qualquer classe social, e não se detém com nenhum argumento, injustiça social, ou crença.

O tal dramaturgo, agora mais notório,sobreviveu e acabou por chamar a atenção de muita gente, e entre estes, evangelistas (oportunistas?) trazendo a ele um “puxão de orelha” para aquele homem “tão ímpio”.

Creio que estes evangelistas deveriam orar um pouco mais e afinar a sintonia fina do chamado, quando procurarem um “famoso” e tentar fazer dele o mais novo adepto de sua crença. Certamente, eles alegarão que o próprio Deus os enviou a fazer isso. Ao anônimo ou mesmo ao mesmo homem, antes do assalto, certamente, Deus não os enviou. Deus é sempre o culpado em não ser ouvido.

Falo isso, pois recebi uma indicação de meu “a-religioso” cunhado (cunhado é parente? rss) sobre o blog desta vítima de assalto. Alguns podem ficar indignados com a postura agressiva e seu vocabulário recheado de xingamentos, mas ele é extremamente lúcido quando confessa que levou os tiros pelo excesso de álcool que ingerira. Isto o deixara com a valentia imprudente necessária para atiçar os gatilhos. Ter sobrevivido ao atentado não mudou em nada em suas convicções e crenças pessoais, já que deseja que os ladrões apodreçam no inferno e se pudesse, faria isso pessoalmente. Sente dores no braço atingido, mas o que mais o aborrece são os tais evangélicos que o procuram no momento, cobrando uma vida de devoção por conta do livramento. Estes não sabem que ali há um católico com cinco anos de seminário, e que não cabe argumentos misticos e profetadas para convencer que Deus tem propósito para o cara.


- Ninguém me procurou antes deste episódio, e não quero que me procurem agora – disse ele, entre palavrões e indignação. Não são amigos que o procuram, são pessoas com interesse em arrebanhá-lo para seu clã.

Os amigos, estes sim, fizeram vigília, pedidos de oração e reza pela net, e em vários locais do país isso se repetiu. São amigos que choraram a dor do outro, não irmãos em Cristo buscando oportunidade para falar da bíblia.

Aos irmãos com pretensão evangelística fica esta história:

Se Deus mandar você entregar algo, saiba que antes, alguém pediu a Ele para que esse algo fosse entregue. Se foi Deus quem falou, Ele não falou só a você, mas ao outro também. Portanto, não invente chamados de mão única, que só acontecem em sua cabeça(ou no seu ego).

Não faça como os advogados que não podem ver um crime na TV, que correm para a porta da delegacia, alegando querer defender uma causa, mas na verdade, buscam projeção e propaganda rápida e barata.

Alguém pode se defender:

Então, não se deve evangelizar celebridades? Se você procura falar da Palavra a alguém pelo o que ela é, desista: seu interesse não está em apresentar o Cristo. Seu interesse é auto-projeção, quer mostrar para os do seu grupo o quanto você é bom no que faz.

Última:

Quem convence é o Espírito. Não tente fazer o trabalho do Espírito sem que Ele esteja no projeto, e nunca... Nunca tente passar por Ele. Se você quiser saber qual seria o resultado de um evangelismo desastroso, visite o Blog e leia – sabendo que não está em um ambiente evangélico - a opinião dele, e dos seus comentaristas (mais de 270 até o momento) sobre o que nós somos para eles.