12 de fevereiro de 2010

De repente, quarenta!

Zé Luís

A partir do dia dez de fevereiro deste ano, passei a usar o “enta” sempre que responder sobre minha idade. Isso só mudará se, por acaso, chegar aos 100, mas pelo andar da carruagem...

- Não sei explicar como cheguei aqui, mas noto algumas coisas que começam a me incomodar:
O numero de pessoas que começam a me chamar de tio aumenta de forma alarmante.
- Embora possa contar piadas do Costinha e Ari Toledo, por que parecem completamente novas às novas gerações, tenho que ouvi-las o tempo todo de meus filhos. Isso se deve ao oportunismo de algum outro pai, que conta essas barbaridades aos filhos, que repassam para os meus, e dá no que dá.
- Por ouvir piadas de 30 anos atrás, não consigo rir, o que me faz ganhar a fama de “velho rabugento” entre minha própria prole.
- Não tenho mais paciência para explicar o que foi o seriado Chips, Elo Perdido, Peter Potamus, Bop Pai e Bop Filho, MacGiver, Ki-chute, Vitrola, Ultraman, Fantomas, Vila Sésamo, etc. E mesmo quando venço minhas próprias forças e explico, a garotada me olha com uma pergunta nos olhos: “Como você gostava destas porcarias?”, sem saber que faço a mesma pergunta sobre o que eles assistem hoje.
- A pergunta “Como era na sua época?” se torna cada vez mais freqüente, e a melhor forma é se adaptar com o volume delas que se agigantará nos próximos anos.
- Observações sobre o tamanho da minha barriga, o restante de meus cabelos brancos, ou mesmo sobre “essa cara de acabado” também se avolumam. (mesmo porque, os cabelos insistem em se jogar pelo teclado enquanto digito).
- Quando caçoam de minha idade, digo que estou “enxuto”, que não sou “cafona”,e logo tenho que explicar o que esta palavras significam.
- “Esse seriado que você falou é daqueles que só pessoas acima dos quarenta viram?” tem constantemente respostas positivos de minha parte.

Interessante é que pessoas mais cristãs gostam de lembrar que Moisés começou uma nova fase em sua vida a partir dos quarenta. Não compreendo que vantagem é essa: Ele pensou estar preparado para defender seu povo, e acabou tendo que fugir pois o mesmo povo que defendia, o ameaçava de entrega-lo as autoridades.

Fugiu, para reaparecer gago, aos oitenta, depois de um exílio onde cuidou de ovelhas, curiosamente um dos bichos que seu antigo co-patriotas egipcios detestavam. Reapareceu para viver mais arduos quarenta anos, conduzindo um povo ingrato, e morrer a metros de conhecer a terra prometida.

Eu sou só um Zé, nome usado para parar construções (grite Zé numa obra cheia de funcionários, que a metade para o que está fazendo, só para saber se é ele o Zé chamado).

Um Zé de quarenta, confuso, barrigudo, cheio de falhas, mas portador de uma estranha paz, e uma gratidão pelo Divino que, na maioria do tempo, me sustenta.

Tomara que um dia possa postar: “De repente 50, 60, 70, 80... “. Não com tamanha confusão mental, mas essas coisas não estão em nossas mãos. Por isso a paz: confio nas mãos em quem estou depositado.