14 de fevereiro de 2010

Não andeis ansiosos com coisa alguma...


Zé Luís

Ouvi esta história há muito tempo, quando não tinha nem vinte anos, nem uma trempa de filhos.

“Certo homem viajava sozinho, a noite, pelo interior do país quando o pneu de seu veículo furou num estrada deserta. Encostou o carro, pegou estepe e chave de roda, mas percebeu que não tinha o “macaco” entre os utensílios necessários para a substituição.

Olhou o matagal a sua volta na silenciosa e escura estrada, e viu, a dois quilômetros, a luz fraca em uma casinha na beira da estrada. Pensou:

- Ah... Bem que o morador daquela casa poderia ter um macaco para me emprestar... não custa nada ir até lá e perguntar... pôxa... são quase duas da manhã, o morador pode ficar irritado com alguém batendo a essa hora em sua casa...mas Deus! É uma emergência! Eu não faria isso se não o fosse...

Andou mais alguns metros e conversava sozinho, sem perceber que o fazia:

- Bom... espero que ele não se irrite... mas será que tem alguém lá?... A luz tá acesa...o que não quer dizer nada: quando saio deixo a luz acesa as vezes... é capaz dele fingir que não está em casa. Quem bateria a porta essa hora? Um pobre viajante com um pneu furado, responderia eu... mas e se ele não tiver o macaco? Pode ser... mas por eu ser um estranho, pode ocorrer dele dizer que não tem, com medo de que eu o roube...muita maldade seria... por que eu acordaria alguém para roubar um macaco?... Poxa!

E assim foi ele nesse monólogo até a porta do casebre. Nem um minuto se passou desde que tocou campainha, e um senhor careca, de bigodes, trajando um roupão e chinelo de dedo:

- Pois não? - disse ele abrindo a porta e dando de cara com o viajante com um semblante irado.

- Você pegue o seu macaco, e engula que eu não quero mais!!!! - gritou o viajante, dando meia-volta e voltando ao carro, enquanto chutava pedras e falava palavrões.

O conto pode ser absurdo, mas a maioria de nós tem dificuldade de cumprir o que o Mestre disse:

“Não andeis ansiosos com coisa alguma...”

Sem perceber, deixamos muitas oportunidades escapulirem de nossas vidas pela simples angustia daquilo que pode - ou não -acontecer. Botamos pedras e tiramos pedras, sem ao menos conhecer se pedras serão ou não utilizadas naquele projeto.

Se pudéssemos aplicar em nossas vidas a simplicidade deste ensinamento, enxergaríamos com mais clareza o que Deus tem para nós, ao invés de procurarmos o lugar onde ele ouve as orações. O problema não está no que Deus envia. Está no caminho que percorremos até chegar no que nos deu.

Um comentário:

  1. Ja ouvi essa historia.... lembro bem quem me contou... pena que mtos de nós nao conseguimos aplicá-la na vida... eu mesmo não, rs

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