25 de fevereiro de 2010

Quando não se entende um propósito


por Zé Luís

Jesus não procurava promoção pessoal; só isto já desclassificaria muitos dos que se auto-intitulam cristãos (termo pejorativo dado, na época, à pessoas que tinham o mesmo comportamento).

Certa vez, o Mestre disse coisas que não foram aceitas pelos seus seguidores:

"Se não comerem de minha carne, e não beberem do meu sangue" – disse Ele – "não tereis parte comigo!"

Naquela hora, muitos discípulos se afastaram. Canibalismo é algo inaceitável para um judeu, e foi isso que eles ouviram e entenderam da boca do Santo.

- O que ainda fazem aqui? - pergunta aos que ali ainda ficaram – Por que ainda me seguem?
- Para onde iremos. Ónde há outra verdade se não a que vem através de Ti?

Em determinado ponto de nossa peregrinação, veremos com estranheza determinadas situações que parecem levar a dedução de que Deus não é bem quem pensávamos que fosse. Lembramos que aquele Deus bom e justo não era bem aquilo que deduzimos.

Esquisitices podem vir nos afastar e colocar-nos em uma encruzilhada, onde temos que decidir:
Ou desisto diante dos absurdos que ouço, ou continuo mesmo assim, já que não existe nada mais a procurar: “Se não for este nazareno, não será ninguém...”. Nesta hora, racionalizar só atrapalha.

Neste momento, muitos, em sua insensatez, podem procurar aceitar em sua alma, pensando
em formas de temperar o corpo que canibalisarão, ou mesmo de que forma aquele sangue será bebido. Ordens são ordens.

Nisso, se faz necessário recapitular de que forma Deus vem agindo, e por que mudaria sua maneira de agir tão radicalmente.

Na noite em que tomaram a última ceia, Jesus pega um pedaço de pão sem fermento, e o reparte com seus seguidores, e explica:

"Esse é meu corpo..."

Alimento partilhado numa confraternização entre amigos. O sentido simples e profundo do corpo repartido está revelado: A lembrança do sacrifício que se sucederá há de ser lembrado, e entre amigos, compartilhado, digerido, e levado em nós, até que uma nova ceia seja celebrada.

"Este é meu sangue... - distribuindo o vinho."

A bebida que alegra é servida, para que flua no organismo de quem a sorve. Sangue é vida, e partilhar da alegria, naquele momento, era algo paradoxal: Celebrar tamanho milagre às custas de tamanho sacríficio.

Pão e vinho era o alimento dado aos soldados quando voltavam da guerra.
Celebramos a vida eterna como quem se alimenta para um combate. Combater o bom combate, expurgar de nossas almas o veneno que ingerimos durante nossa existência, como quem luta contra um grande Golias.

Não se preocupe com os ventos que dizem que o Mestre não é quem diz ser. Lembre-se apenas de como Ele sempre trabalhou, e dê seu voto de confiança. No mais, onde você pretende procurar outra Verdade?