5 de março de 2010

Deus não responderá essa oração.


É comum ouvir pessoas passando por tribulações, e se compararem à Jó. Na maioria das vezes, o sofrimento que os tais tribulados passam não se compara nem de longe ao verdadeiro calvário vivído pela personagem principal do livro mais velho da Bíblia.

Na maioria dos casos, são pequenos sofrimentos íntimos, desilusões sentimentais, um emprego que se perde, uma perseguição em seu ambiente de trabalho, problemas de relacionamento com familiares, conjugês, pais e filhos, um namoro que não deu certo.

Muitos destes “sofredores” buscam uma resposta no Divino para saber o porquê de suas existência não estar saindo da forma que imaginaram que seria quando aprenderam a orar, pedindo (e muitos, exigindo) que o Céu se pronuncie a respeito dos mais diversos assuntos:

Qual a das duas vagas devo escolher?
Devo escolher quem para casar?
Por que o Senhor não mata logo aquele condenado?
Por que sempre fico em segundo plano?
Por que a vaga foi para quem não confessa seu nome como Senhor?
Por que ele me deixou?
Perceba que para Jó, que exigia uma resposta do Criador e, ao conseguir, se arrepende do louco desejo e pede desculpas pela insensatez. Isso foi imputado pelo próprio Deus como correto.

Segundo os teólogos, três são as vontades de Deus. Uma delas, é que, quando Ele projeta um propósito, ele será cumprido:

Ele chama Abraão, mas não diz com quem ou como ele deve ir. Abrãao vive sua saga mas deixa um Isaque.
Ele ordena a Jonas que vá a Nínive, e mesmo o profeta não concordando, indo para o lado inverso, acabou sendo entregue às portas da cidade por um peixe, após dias submerso no ventre dele.
Moisés não quis assumir seu propósito, era gago, tinha oitenta anos, fugira do Egito. Mas foi, conduzido por Deus, com o irmão como porta voz, e durante quarenta anos, entre trancos e barrancos, cumpriu sua missão.

Esse tipo de vontade de Deus é irrevogável.

O detalhe é que há propósito de Deus em um fim, mas não uma vontade específica de Deus em relação a tudo. Ricardo Gondim exemplificou isto como se estivessemos num imenso barco, conduzido por trilhos, onde todos chegarão a seus destinos, mas dentro deste estranho trêm, cada um escolhe com quem casa, escolhe o que melhor lhe convém para trabalhar e assim, sucessivamente.

Quem nunca se aborreceu por não ter de Deus mais que silêncio em questões pessoais tão preciosas? Precisamos urgentemente de uma resposta onde a escolha a fazer poderá mudar nossa vida, mas Deus desliga o celular, fecha as cortinas, e passa duzentas trancas numa imensa porta de bronze.

Talvez devêssemos aprender mais Dele. Usar a capacidade de discernir e avaliar situações, os impactos que existirão em nossa existência: Calcular o custo de nossas escolhas.

Como pode alguém orar para saber se namorará com alguém? Se caso essa pessoa case com o escolhido em oração, quem vai dormir com ele é a pessoa, e não Deus.
O que Jesus faz, normalmente, é capacitar sua capacidade de enxergar o preço a ser pago naquela relação, mas não preparar alguém para você. A escolha é sua: é sua demonstração de maturidade.

O Pai, muito possivelmente, não responderá tais questões. No último livro sobre dor que C.S.Lewis escreveu, Anatomia de um Luto, ele descreve o tormento de saber que a existência de Deus é inquestionável, embora preferisse que ele não existisse: a dor da morte de seu grande amor contrastava com a inexistência do milagre necessário para a cura daquele câncer.

No final, Lewis descobre o propósito maravilhoso daquele silêncio. Ele não tinha a noção do tamanho de sua fé. Só Deus sabia, e ele queria revelar isso a ele. Havia um propósito específico naquele caso, já que aquele ex-ateu divulgaria suas descobertas por muitas décadas, através de seus populares escritos.

Se Deus escolhece seu emprego, seu namorado(a), sua casa, seu carro, estaria te privando daquilo que o Filho morreu para te dar:  “Conhecerás a Verdade, e a Verdade te libertará”

Ser livre para escolher e viver suas escolhas, erradas ou não.

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