3 de abril de 2010

Fábrica de Loucos


Por Pr. Weber. Indicado por @Mauricio Zagari

Esta semana tomei conhecimento de um dado estatístico assustador: 70% dos pacientes internados em manicômios do Brasil são de origem evangélica. Sinceramente, perdi o chão. Que a religião pode ser um fator que contribui para o desequilíbrio psíquico, ao mesmo tempo que pode constituir um espaço confortável para desequilibrados mentais, eu já sabia, o que não sabia era que a contribuição evangélica para este desastre fosse tão acentuada.

A razão para esse trágico dado passa pela teologia, pela liturgia, e principalmente pelo compromisso do resgate de um Cristianismo mais bíblico, emoldurado pela Verdade escrita e não pela “verdade” sensitiva. Já não é de agora que denominações inteiras cultivam e estimulam um emocionalismo barato, sem o menor temor de rotular suas práticas ao “mover do Espírito Santo”. Com isso, transformam suas reuniões e grandes encontros num autêntico espetáculo do circo dos horrores, com gente caindo pra todo lado, tremendo, correndo, saltando e expressando sua insanidade em gargalhadas descontroladas, tudo isso sob a bandeira de um suposto “avivamento espiritual”. O mais preocupante em todo esse processo é a falta de alguém lúcido e psicologicamente são, que seja capaz de sugerir um exame criterioso das Escrituras.

A espiritualidade cristã jamais será moldada por qualquer geração doente. A chancela do que é saudável e do que é doentio é dada pelo próprio Cristo, por Seu ensino e exemplo. A tentativa de desenvolver uma espiritualidade vinculada à cultura ou às tendência de qualquer desequilibrado que aparece, contando uma visão ou uma revelação, só contribui para aumentar o número dos que dão entrada em clínicas psiquiátricas em meio a verdadeiros surtos psicóticos. O pior de tudo isto é que ninguém fala absolutamente nada.

É bem provável que a causa deste silêncio seja o despreparo teológico da maioria e a construção de certos paradigmas podres. Um deles é relacionar o estudo teológico à falta de unção. Com todo respeito, não há estupidez maior do que esta. Na verdade, é a resistência ao texto que colocou o movimento evangélico no Brasil e no mundo sob suspeita.

Uma rápida leitura dos Evangelhos, deixará em qualquer leitor minimamente atento, a real impressão de que o ministério de Jesus foi reflexivo. Ele nunca tencionou provocar transes e catarses. Suas mensagens e ensinamentos tinham o objetivo de fazer sua audiência pensar. Logo, embarcando na boléia de Jesus, Sua espiritualidade tinha um caráter mais cognitivo do que sensitivo, por isso Ele foi chamado de Mestre.

Já estou antevendo os comentários que chegarão: “O intelectualismo é morte”; “a letra mata”; “a teologia não presta pra nada”… Mas, vou correr o risco e fazer uma colocação final.

Todo cristão precisa estar comprometido com Cristo e o seu ensino. Nenhuma manifestação que escape ao escrutínio bíblico e não faça parte das práticas pessoais de Cristo e dos apóstolos, merece ser considerada, sequer analisada como possivelmente legítima, sob o risco de se abraçar a loucura ao invés da fé. Pense nisto!

Sola Escriptura!

4 comentários:

  1. mano, estou contigo na defesa do evangelho, e os q quiserem criticar vc, por favor, critiquem meu blog tb, pois acho q faço parte dessa "raça ruim" tb [ironia nordestina à toda]

    =o)

    abs, apz.

    ResponderExcluir
  2. Eu discordo de que toda a culpa do desequilíbrio psíquico causado pelo mundo evangélico seja típica de pentecostais, carismáticos, neopentecostais traduzidos em cultos mais voltados ao mover emocional sob a capa de ação do "Espírito Santo". Eu concordo é que esses movimentos acentuam o desequilíbrio que o meio evangélico possa gerar, mas não é toda a causa. Nem acredito que conhecimento teológico sistemático de qualquer natureza (ou linhas) seja o remédio. Pois já vi pessoas adeptas de debates virtuais com o nome sob um Pr. e ares de autoridade teológica esboçarem um comportamento virulento, desequilibrado e repugnante justamente enquanto defendiam o academicismo, o conhecimento teológico e a crença nas escrituras como Palavra de Deus.

    Minha noção aponta pra lógica de que a questão é muito mais complexa e há muito mais profundidade em causas do que essas expostas. Os fariseus tão combatidos por Jesus não eram carismáticos, nem pentecostais e etc. no mínimo tinham um costume de culto mais rigoroso e engessado, diferente dos atuais "culpados de desequilíbrio" e, no entanto eram os desequilibrados de fato da época devido a arrogância de santidade baseada em leis cerimoniais e distanciamento do amor vivido pelo Cristo, entre outras coisas.

    Acredito que o problema, ou um dos problemas, mais primários que causam todo esse desequilíbrio em evangélicos seja a própria sensação de "poder e autoridade" que a fé numa crença que se arroga como a única verdade e medida de justiça pra todos os homens pode deixar em humanos não preparados pra lidarem com essa possível responsabilidade. Ao invés de assumirem a postura humilde e submissa do Filho do Homem crucificado - que negava a si mesmo e a suas vontades e prol do próximo, e ainda que Mestre não se arvorava em dominar mentes com pretexto de mais conhecedor dos mistérios espirituais, pelo contrário, compartilhava do seu saber e se fazia igual aos seus discípulos, os chamando de amigos - muitos dos evangélicos acabam sofrendo de uma espécie de "narcisismo espiritual" com pretensão de portadores duma revelação (seja puramente mística ou com base em uma fé mais ou menos razoável) e atraindo pra si outras desordens psíquicas e emocionais por consequência.


    Leão

    ResponderExcluir
  3. O Sola Scriptura só ajuda a aprofundar a loucura.

    Como é possível considerar um texto inspirado se não é inspirada sua autoria imediata - a Santa Igreja? De onde vem o cânon bíblico? De onde vem a autoridade bíblica? Por acaso ela caiu do céu, diretamente escrita por Deus, tal qual os mandamentos?

    Fazia parte das práticas pessoais de Cristo ler a Bíblia? Ou mesmo escrever blogs ou qualquer coisa que o valha?

    ResponderExcluir
  4. os bancos das igreja permitem que aqueles que já tem alguma pré disposição fiquem mais "a vontade".O ambiente,as figuras carismáticas, a liturgia, manipulação, são os gatilhos.
    Preciso pensar no Mestre despedindo o gadareno e o impedindo de segui-lo, Ele o enviou aos sues pra que ele podesse, sim pregar, mas estar em familia pra ser cuidado, já que esteve durante muito tempo em estado alterado de consciência.
    As igrejas engessadas "prendem" dentro de 4 paredes e podem sim se tornar a mantenedoras da loucura.As penteca ou neo pentecas expõe como em feiras livres suas mazelas, as históricas e tradicionais podem servir como repressoras de pulsões latentes.
    Na minha opinião, os ajuntamentos humanos promovem, criam, aceleram o que há de melhor e o que há pior no ser humano.

    Zé, continue escrecendo em blogs, por favor!!!

    ResponderExcluir