8 de abril de 2010

Religião segundo Rubem Alves

Por Rubem Alves (vi no Recortes)

“Eu leio os textos sagrados como quem lê poesia e não como quem lê jornal. Quem lê jornal procura a verdade dos fatos. Eu procuro a beleza”.

“Se é verdade que a religião é um fato social, a pessoa que faz promessas ao seu Deus para que seu filho viva, ou dobra os joelhos, na solidão, chorando, ou experimenta a paz indizível de comunhão com o sagrado, ou se curva perante as exigências de sua fé, confessando pecados que ninguém conhecia e pedindo perdão ao inimigo, sim, esta pessoa e seus sentimentos religiosos se encontram numa esfera de experiência indiferente á análise sociológica, por ser intima, subjetiva, existencial. Mas será que isso a torna menos real?”.

“Queremos ficar curados, queremos arrancar o espinho da carne, queremos parar de sofrer. É isso que esperam todos aqueles que fazem peregrinações aos lugares sagrados, onde virgens e santos aparecem de vez em quando. Pena é que apareçam tão raramente, em lugares tão distantes. Melhor seria que aparecessem no coração das pessoas, lugar do amor”.

“Deus criou os pássaros. As religiões criaram as gaiolas. As gaiolas criadas pela religião são feitas com palavras. Elas têm o nome de dogmas”.

“Pessoas há que pensam que fé é um recurso mágico que garante que Deus vai nos atender. Para elas um Deus que não atende pedidos é um Deus muito fraco. Elas desejam garantias. Na minha interpretação, fé é uma relação de confiança com Deus: é flutuar num mar de amor, como se flutua na água”.

“Sou filho da tradição protestante. Não posso me livrar dela, nem quero. O que amo nessa tradição? A ousadia de pensar diferente, de andar na direção contrária: é o que mais amo. Não consigo viver sem dizer o que penso. Razão porque estou sempre me retirando de grupos que cultivam ortodoxias, universidade, psicanálise, política, religião. Não consigo brincar de ‘boca de forno’”.