9 de abril de 2010

Restitui o que?

Congresso Pentecostal onde preguei recentemente

por Zé Luís

As vezes, ouço que sou um sujeito chato quando opino sobre as letras de certas canções evangélicas (e já começa por aí: eles sempre me corrigem e dizem que o nome correto é Louvor).

Que sou chato, não resta dúvida: É só perguntar para qualquer um de meus três filhos, ou mesmo a seu amigos, que insistem em pensar que a sala de casa é albergue de cabra desocupado que vive para jogar Win-Eleven no video-game.

Esses dias, ouvia um "louvor" que dava ordem a Deus:
"Restitui! Eu quero de volta o que é meu!"

Se isso não é um "imperativo", não sei mais o que é.

Lembro-me que assim que a minha caminhada com o Mestre começou, aconteceram algumas coisas diferentes do mar de rosas prometido: perdi meu emprego, com a falta de pagamento de minhas obrigações, meu nome ficou sujo na praça, fui despejado, dependi de doações de cesta básica de pessoas que nem imaginava, fui morar de favor.

Olho para este trecho de minha vida, mas o medo de não ter, de viver sem conseguir se bancar, não é algo que me causa medo, angustia ou insegurança. Aconteceu a tempestade, e o barco não foi a pique, embora muitas vezes pensei em levantar meu punho em riste contra o céu que me oprimia (não podia ser o inferno: me ensinaram que dizimistas como eu não passavam por apertos financeiros. Ou Deus mentiu, ou quem me ensinou o fez).

Passada essa tempestade, percebi o que havia para mim: do outro lado da tormenta havia aprendido a superar aquelas tribulações com demasiada tranquilidade. Era mais lúcido, firme, real, equilibrado.

Jamais poderia cantar - ou louvar - dizendo: "Deus! Te ordeno! Devolve aquele velho emprego que me fazia ser um ser humano pior! Restitui meu carro velho! Meu jogo de quarto! Traz de volta meu Atari e minhas chinelas de couro de bode"

Tudo que me foi tirado, privado, não caberiam no novo ser que estava sendo criado em mim(como jamais imaginei poder ser). Aquelas porcarias todas não podem mais me fazer ajoelhar e chorar sua perda. O que me faz ajoelhar hoje é mais que digno de tal ação.

O interesse do Mestre não é restituir valores e contas bancárias. É colocar-nos na trilha dos valores realmente importantes.

Quanto às outras coisas, que nos faz dormir sem preocupações sobre o que comer, vestir, dirigir, pilotar, digerir: "Busca o Reino Dele, estas coisas vos serão acrescentadas..."

De um chato para outro: O Reino primeiro, ok?

15 comentários:

  1. Olá Zé Luís!

    Cara parabéns pelo artigo. Que bom saber que não tô sozinho no time de chatos. Sempre escuto isso tb, rsrs.

    E sobre as letras de música creio que existe muita, muita porcaria por aí. E com o fato de termos deixados de ser Igreja para nos tornamos um alvo de mercado, o mercado evangélico, com certeza seremos inundados de porcaria.

    Mais uma vez parabéns!

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  2. Então, são canções emblemáticas da visão que se tem de Deus e demonstram o perfil do "crente".
    Apego ao material, Deus que está a disposição como caixa-eletronico, revanchismo evangélico e etc.
    Certa vez ao questinoar este tipo de crença uma amiga (amiga da onça!!) me disse: Vc não crê que Deus tira do impio para dar ao justo? Vc não crê que ele te devolve o que te foi tirado?
    Pois é, eu creio em várias coisas, menos em um Deus abobalhado que faz o que meu coração mimado deseja, que se preocupa com presentinhos en detrimento de meu crescimento como gente, eu não consigo acreditar.

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  3. Valeu chato! É por isso que hoje em dia acabo ouvindo mais Milton Nascimento, Chico Buarque, Marisa Monte e outros. Infelizmente muitas músicas "do mundo" conseguem ter mais conteúdo que algumas cristãs. Mas acho que essas letras não fariam um sucesso estrondoso se não fosse isso que o povão quisesse ouvir... fazer o que?

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  4. Oi Zé Luíz,
    Muito bom seu texto, eu o postei, espero que não tenha problema.
    Somente que tirei sua "auto crítica"(rs).

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  5. Eu também fico encucada com algumas letras de músicas... Especialmente quando a música tem erros claros de português ou o pessoal a canta errada! Hahah...

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  6. Olá tudo na paz.Também logo que comecei minha caminhada junto ao Senhor perdi meu emprego,pare no serasa,spc...mas é como tu escreveu do outro lado da tormenta.Ha também falo musica.

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  7. Que mais "chatos" levantem a voz, pra a abrir os corações e a mente de tantos "patrões" de Deus!
    beijo,
    Elaine

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  8. Para mim, o importante é Deus, nada mais! Prefiro ser chamada "chata" do que abrir mão da minha Salvação.

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  9. Pois é, tem muita coisa ruim mesmo!já ouvi piores do que esta...

    além da incoerência ideológica, têm os muitos erros de português, que fazem doer ainda mais...



    concordo com o Éder; às vezes prefiro ouvir as músicas que o vocabulário gospel chama de "secular".Nunca entendi essa nomenclatura.vem de século?de algo que é segundo?sei lá...



    Apesar disso, ainda tem gente série fazendo música boa, com letra boa.Música boa que quase ninguém mais ouve;coisas do tipo VPC, som maior, Estênio, João Alexandre, prisma, novo tom, e por ai vai.



    Mas eu acho que o que mais me incomoda nisso tudo, é o fato de dizermos pra Deus o que Ele tem que fazer.Ele sabe de todas as coisas, e não sou eu, mero mortal, que vou mandar em Deus.

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  10. Parabéns pelo post, é bom saber que no imenso mar de mediocridade que assola o "mundo cristão" eu não sou o único chato e confuso.

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  11. eu sou chato assim tbm só não sei me expressar tão bem explicitamente qdo a vossa senhoria.

    parabéns!!!!

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  12. Brother neste mundo "evangélico" onde o ter tomou o lugar do ser é assim mesmo. Estou como você não entendendo um monte de letras que cospem na cruz e resumem o relacionamento com Deus a uma causa e efeito. Bom texto,
    Carlos Rizzon
    www.igrejaurbana.org

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  13. Desculpa por comentar tanto tempo depois do post, mas como não estava fechado pra comentários, aqui estou eu.
    Como diz minha filha: - Então...
    De um chato pra outro...
    A letra da música fala de uma pessoa dando conselhos pra outra, pra ela não deixar a "peteca" cair. Antes de entrar na estrofe ela (a pessoa) diz pra que a outra pessoa levante um clamor, se é clamor não é uma ordem, é uma súplica, uma lamentação, logo, a palavra "restitui" se vale da "licença poética", pois há de concordar comigo que "restitua" não se encaixaria na melodia.
    Creio que sua "chatice" neste caso não vale. Mas não nego que tem muito cântico por aí sem nenhuma base bíblica. É uma pena que o pastor, ministro de louvor ou o responsável qualquer que seja, não se dê ao trabalho de ler a música.

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  14. É a primeira vez que leio um texto seu que me deixou sem "palavras". Nossa vc está com toda razão....

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