26 de maio de 2010

Dois pesos, duas medidas

por Zé Luís

Engraçado - e estranho - como não nos apercebemos dos absurdos filosóficos que aceitamos em nossa vida já refeita por Deus, quando o que era para ser apenas "Vida em abundância" vira engano seguido de frustração. Frustração essa por que a fórmula falha, e se atribui intimamente esta falta a Deus.

Quando digo filosofia, e não teologia, me refiro ao ato de pensar ao invés de tentar transformar determinadas crenças imaginadas em um estudo sobre Deus quanto este não tem a menor relação às Escrituras.
Imagine que se você pudesse escolher um cardiologista para uma operção séria, Deus o livre, para um filho, uma mãe, um conjugê, por exemplo - qual você escolheria: Um profissional formado com honras, experiência e um currículo invejável (independente da religião), ou um crente em Jesus, sem a formação adequada, mas por ser comprovadamente servo fiel, merece seu voto de confiança?

Temos duas opções de piloto de avião: o experiente sem religião nas credenciais, ou o com poucas horas de voo, mas com várias de joelhos dobrado, e milhagens e milhagens de horas de púlpito?

Você que é crente, faça sua escolha, porque a pergunta não parece fazer sentido para quem não é do meio evangélico. Quantas orações - e as vezes oleo da unção - se faz sobre um currículo pobre para que Deus chute a bandeja onde ele for postado, dispensando os infiéis, fazendo que o entrevistador veja apenas o dele, e não os daqueles mais capacitados pelo próprio esforço.

"Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos" é uma frase que não discordo, mas não se pode usar em todas as situações, como um argumento para aquele sem a capacitação necessária, mas insiste, por exemplo, em fazer uma entrevista em inglês, sem o "know how" mínimo para o mesmo (conhecer o idioma, por exemplo).

Jesus certa vez contou-nos uma parábola sobre um servo iníquo, que trapaceava enquanto seu chefe não via. O chefe por sua vez, dispensou-o, e admirou-se com a capacidade de seu ex-funcionário em se adaptar a situações onde estava em desvantagem, usando a mesma capacidade para ajudar e se ajudar: o tal servo usava o que tinha para dar continuidade a sua existência, não buscou poderes sobrenaturais para resolver seus justificáveis problemas.

Deus, embora não aprovasse as ações de Ninrode (Genesis, neto de Noé), não deixou de ressaltar suas qualidades de caçador.

Mesmo Jacó, com toda as suas "presepadas" contra o próprio irmão, pai, sogro e esposas, tinha o afeto do Pai Celestial, que sabe reconhecer o esforço em um homem (assim como fez que retornasse a cada situação, para que se retratasse, por mais que Jacó evitasse os confrontos).

Eis a grande diferença nos atuais "adoradores". Não entenderam que quando se ganha uma Jericó, há de se lutar ainda por ela, que o direito de ser filho vem com uma morte de cruz, que não é um simples pensar ou querer. É ação.

Se Deus te prometer um reino, como fez a Davi, se prepare para o que pode vir: Davi passou por dez anos de não pouca tribulação até sentar ao trono.

José não chegou a 1º Ministro Egipcio - fazendo acontecer os sonhos da adolescência - sem ter  que enfrentar o que enfrentou.

Os filhos, seguidores do Filho, teriam que procurar ser os melhores no que fazem, ou pelo menos os que mais batalham na busca disso: o sal da terra, a luz do mundo, é algo que é para ser seguido como exemplo, e não para ser motivo de chacota por querer plantar vento, e querer colher "tudo do bom que esta terra pode oferecer".

Se houver a oportunidade, se prepare ao máximo, e aí sim, espere em Deus, que o melhor que VOCÊ pode ter lhe será dado. Isso sim seria teologia.