6 de maio de 2010

A igreja da Arca e o Pastor Noé - Prólogo

por Zé Luís

Nessa época, onde se divulgam sobre descobertas arqueológicas sobre a arca de Noé, e ser desmentido como fraude logo em seguida, gostaria de revelar aqui detalhes possivelmente ocorridos naqueles tempos difícieis.

Noé acabou por fundar uma igreja dentro da arca. Isso mesmo: ele pregou anos a fio o que Deus mandou, mas incrivelmente, apenas sua família, esposa, filhos e noras, além dos animais, foram os que concordaram em congregar na Igreja da Arca.

A água veio conforme profetizado, e cada individuo daquele povo todo não pode evitar a lembrança: um louco, durante séculos os avisou sobre aquela tragédia "natural". Esse tal louco acreditava tanto no que pregava que chegou a construir um barco no meio do seco. Agora, morriam afogados, desesperados, conscientes que tudo aquilo era o cumprimento de uma promessa de um Deus que ignoravam espontaneamente. Pereceram sabendo porque e por Quem.

Arca fechada, bicharada devidamente distribuída, os primeiros solavancos que o barco deu quando a água conseguiu suspende-lo. Os olhos de Cão, Sem e Jafé se encontraram, esbugalhados. Papai não era tão doido afinal, pensaram. As três esposas abraçadas, choravam por suas famílias incrédulas que escolheram não seguir o profeta.

Todo o barulho e gritaria, misturado a forte tempestade jamais antes vista, estranhamente, não alvoroçava os animais. Eles descansavam em paz: estavam no único lugar que permitia que continuassem vivos.

Noé estava onde Deus havia oferecido, mas estranhamente, o Criador estava silencioso. Uma festa começou a se formar na arca, a senhora Noé assava um bolo, e seu marido, chegado a um vinhozinho, comemorou sua vida salva.

O problema é que estariam juntos, naquele pequeno barco, por quarenta dias chuvosos, e um ano após o dilúvio.

Eis aí o momento onde o pastor Noé surgiu. Teria que lidar com a sujeira que a vida em comunidade produz. Conviver com o cheiro, os cacoetes, os costumes, as manias. Alguém tinha que ajudar a lidar com as diferenças.

Ter que recolher todo o esterco gerado, suportar os cios de um rato a um elefante, em pleno “alto mar”. Perder a intimidade: Aquela proximidade não permitia momentos de privacidade. Como acalmar os ânimos de um leão e seu par, vivendo ao lado de um suculento casal de corsas?

As esposas gradativamente passaram a detestar gradativamente uma as outras, e houve dias que até os sorrisos dos maridos salvadores as irritavam profundamente (não que os filhos não se aborrecessem: eles nunca pensaram em separação. Assassinato? Toda semana).

Mas como era a vida na congregação da Igreja da Arca e o Pastor Noé?

Deixemos para contar isso em outra oportunidade. Revelar os pormenores do que foi a vida naquele período.