29 de maio de 2010

Lições práticas: Deus nos faz querer, efetuar...

por Zé Luís

Um dos primeiros versículos bíblicos que aprendi na enxurrada deles que se recebe quando se começa a frequentar uma igreja foi este:

"... porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fl 2:13).

Segundo meu discipulado, teria de meditar nestas coisas de dia e de noite, e por absoluta falta de conteúdo que valesse a pena em minha alma, fiz isso sem nenhum grande esforço...durante algum tempo. Intrigava-me que Deus pudesse mover meu querer para isso ou aquilo, e até a forma que a coisa seria realizada.

Logo que comecei a frequentar minha comunidade, era tratado como uma espécie de celebridade recém-adquirida, e comecei acreditar nisso. Era “o melhor músico, o mais profissional, um compositor, um sujeito notável...”

Compunha dezenas de “louvores” compulsivamente, e não demorou para ser convidado a estar apresentando essas composições nas igrejas da região com minha nova banda.

A inspiração se dava logo após a meditação e reflexão naqueles trechos bíblicos, e naquela primeira noite, esse versículo junto a outro me vieram, embora não houvesse nada em relação à música que apresentaria a uma casa cheia (muitos vieram para ouvir minha arte, eu creio): Uma balada simples, com quatro acordes, mas com uma letra brilhante.

Minha banda parecia incomodada com minha postura, mas o que entendiam de música?

A música teve aproximados quatro minutos, onde cantei e toquei meu contra-baixo, e estranhamente, vi o semblante do povo que nos ouvia ir mudando, para aquele olhar típico de quem se decepcionou. O Zé Roberto, que ajudava nos vocais, se aproximou ainda com cara de espiritual e disse a meu ouvido ainda quando estávamos no púlpito, diante do frustrante resultado:

“Você fumou maconha?”

Sim, caros leitores: errei uma música de quatro acordes de ponta a ponta. Para qualquer músico amador isso é impossível, ainda mais quando o compositor era eu mesmo. Cantei num tom, toquei em outro, sem ter percebido durante todo o tempo em que realizamos o louvor.

Pensei no versículo, e percebi que havia algo naquela história. Poderia ter me irritado, entristecido com Deus, com a nítida interferência. Mas ri. Notei o senso de humor do Mestre em sua forma prática de demonstrar sua Palavra e corrigir um filho tão idiota.

Diante de todos, errei porcamente. Querer e efetuar. Eu quis mostrar algo, efetuei uma ação que mostrou um resultado totalmente imprevisível. A calibragem daqueles desejos e ações, assim como o produto desta situação geraram frutos a longo prazo que valeram a pena.

Percebi que na Igreja quem manda, quando esta é declarada ser Dele, é Ele, embora possa parecer humilhante e dura certas situações propostas pelo Mestre.

Sobre o outro versículo meditado naquela noite?

“A soberba precede a queda”- Provérbios 16:18.

Sim. A arrogância enraizada na alma, esse pecado luciferiano, o “se achar bom demais” é algo a ser expurgado de nossa existência, segundo o que o Pai pretende fazer com seus filhos.
Não estranhe se desejos irresistíveis e inadequados começarem em seu coração, quando sua teimosia em permanecer em um erro contarem que isso não é tão mal assim.

Deus pode estar permitindo que você conheça o que realmente é e tem de deixar de ser. Sinais de alguém que tentou mostrar outras maneiras de te transformar, mas como você não aceitou...