15 de junho de 2010

Ainda sobre a "Corrente do Bem"

por Zé Luís

Sou chorão para filmes, confesso.

De uns tempos para cá, evito de assistir filmes com minha família, devido a chateação que me fazem quando me debulho em lágrimas.

E não é filme novo não: as vezes é propaganda de panetone ou margarina. Ridículo, eu sei...

O último foi “A Corrente do Bem” com Kevin Spacey , Helen Hunt e o garotinho Haley Joel Osment(o que fez o “Sexto Sentido”).

Ok: O filme é cheio de clichês, mas gostei da ideia.

Um repórter investiga a origem de um movimento que se espalha pelos Estados Unidos. O movimento consiste em fazer o bem por fazer, simplesmente por ter recebido algo semelhante. Na outra ponta da história, um garoto tem um projeto de ciências sociais: que cada um cometa três atos de bondade, que não sejam fáceis, e não por mérito: o perdão a alguém que não o merece, auxílio para aquele que desperdiçou a vida como quis, apanhar no lugar de alguém, atos de misericórdia, perdão imerecido. Sem que Deus seja citado, sem que Ele nos recompense. Apenas bons atos.

O drama inteiro se dá nos ecos destes atos e na dificuldade em que o ser humano encontra em se fazer o que tem de se fazer diariamente. No filme, a obrigação são 3 atos, e como é dificil com que as pessoas consigam fazê-lo.

Hipocritamente nos intitulamos “cristãos”, onde estes atos de perdão, altruísmo, doação, deveriam ser força do hábito, mas a distância de sermos assim é quilométrica.

Mercenariamente, oramos exigindo de Deus o reembolso de nossas pseudo- boas ações, cobramos nosso conhecimento nas Escrituras (essa coisa de “Orar a Palavra”, onde se lembra ao Todo Poderoso detalhes da bíblia que escreveu).

O fim do filme não poderia ser outro: o garoto se sacrifica em nome de seu projeto, por que nele, o ato não pode ser medido, só feito. Isso desencadeia no país inteiro uma onda de boas ações.

Esse deveria ser nosso projeto diário, mas sabemos que na prática, viver o título que nos denominamos é bem mais complicado do que parece, coisa de ficção mesmo.

Graças que Deus é essa corrente do Bem, o motivo de não sermos consumidos, tanto os maus quanto os piores. E nem nos emocionamos com isso.

Só com propagandas de margarina, panetone... ridículo, ridículo...