23 de junho de 2010

GENTE, SERVE?

Nada melhor que reações humanas para nos sentirmos em casa

Vi no blog da Adriana, A Razão da Esperança

Como é bom conviver com gente, de carne e osso, portadoras de idiossincrasias avassaladoras, polaridades, alterações de humor, talentos deslumbrantes e defeitos horrorosos.

Neste momento da minha vida faço economia emocional para suportar a ideia de seres ideais, principalmente os que se postam como interlocutores entre o terreno e o sagrado e que se arvoram como projetos sem defeito.

Hoje tenho aprendido com tudo que é simples, meus filhos me ensinam, as pessoas sem grandes pretensões intelectuais mas que sabem viver e veêm a vida com bons olhos, são o alvo do meu fascínio.

Diante das possibilidades que a vida apresenta, saber escolher um amigo pode ser o fator preponderante para se estar bem acompanhado ou apenas cercado de pessoas.

Existe uma máxima que diz que "nas dificuldades que se conhece um amigo", este pensamento virou clichê e lugar comum, acredito que até tenha perdido seu peso, porque se torna uma generalidade na boca de quem só se presta a ser solidário em tragédias, doenças e no momento do desespero existencial alheio. Existe o egocentrismo solidário, um tipo de "doença" do super-sensacional-amigo.

Percebe-se sua atuação quando aquele que estava em desespero consegue se reerguer e o até então solidário se afasta, já que suas ações não serão mais trombeteadas aos quatro cantos.

Claro que nem todo amigo da hora da angustia é um ser vaidoso ,interessado no próprio umbigo, mas corremos o risco de ser alvo deste mecanismo ou sermos protagonistas deste teatro.

Proponho então uma relativização da tal máxima, e ficaria assim:

“são nas alegrias que nós conhecemos os verdadeiros amigos também”

Como é bom ter amigo gente, que é capaz de "chorar como os que choram", na mesma proporção que é capaz de se "alegrar com quem se alegra". Gente que está presente no momento da tormenta brava, mas quanto o sol aparece e o mar começa se acalmar, está do teu lado para comemorar. Amigo verdadeiro é gente. Amizade de verdade é compartilhamento de alegrias e conquistas, há sintonia de alma. Cada um é plenamente capaz de decidir quem que ser e qual pessoa continuará chamando de amigo. Decidir rever critérios, não é uma tarefa fácil, requer coragem, mas nos dá a possibilidade interessante de sermos mais verdadeiros nesta escolha.
Eu decidi que gosto de gente, porque eu me vejo e me encontro.