20 de junho de 2010

A grande diferença entre A Praia e a igreja

por Zé Luís

Passeando pelos DVDs da estante, encontrei A Praia, com Leonardo Di Caprio.

O filme conta a história de uma ilha secreta, uma praia paradisíaca, refúgio onde não há lei, moral, apenas viver da melhor maneira, ou da maneira que se acha melhor. Lá, um grupo de jovens lindos e atraentes se refugiam, onde a única regra é manter a localização da “praia” em segredo.

Tudo vai bem naquele lugar perfeito. O problema daquela perfeição é que as pessoas que ali estão não o são: são seres humanos típicos.

Em certa altura do filme, um dos personagens se fere gravemente, precisando de cuidados médicos, indisponíveis na ilha. Teriam que buscar embarcação em terra, alugar uma, prestar contas as autoridades do ocorrido, o que tornaria pública a localização do "paraíso". Esse detalhe faz com que eles adiem a ida do ferido, esperando que outra solução surja, ou que o grave ferimento se cure, o que não acontece: a ferida se agrava.

O enfermo começa a sentir muitas dores, febre, e geme de dor cada vez mais alto, o que começa a incomodar os colegas, que não mais se importam com o sofrimento do amigo, mas se aborrecem com o barulho que emite enquanto sofre.

Decidem levar o doente para longe, no meio do mato, onde não pudessem ouvir suas dores, e continuassem com seu jogo de vólei, deixando-o lá para morrer comido de bicho.

Já se sentiu assim em uma igreja?

Nossa igreja, nosso primeiro amor, refúgio de paz onde cantamos ao Senhor, falamos de sua Palavra, abraçamos nossos irmãos, celebramos a vitória de sermos de irmãos vitoriosos e imbatíveis na mesma fé, naquele mundinho que nos dará todas as repostas e jamais falhará.

Um belo dia, inexplicavelmente, dentro do mundo perfeito que tinha achado, um ferimento se abre, aparentemente inofensivo (já vira muito dessas feridas escondidos em ataduras religiosas, onde juravam não existir dores). Com o tempo, a inexplicável ferida começa a incomodar. Sem saber, vira a ameaça ao lugar perfeito, ao organismo que funciona bem, e uma certa exclusão paira no ambiente.

Não demorará até que ninguém se importe de você ser lançado em algum canto por causa da choradeira, da lamentação, das dores. Você se lembrará da velha máxima: “O exército de Cristo é o que mais mata os próprios soldados, ou os deixa para morrer”.

A diferença entre o filme e a igreja, é que por mais abandonado e doente que você esteja, no filme: ele morre.

Alguém pode dizer: mas espiritualmente, os mortos se multiplicam na comunidades cristãs, e falecem como na história acima. A diferença – você pode ter certeza disso – é que Ele enviará pessoas, corvos, burros para sua ressurreição, e caso não reviva, Ele virá em pessoa.

“Todo aquele que meu Pai me dá, virá a mim, e de forma algum lançarei fora...” Jo 6:37

Não estranhe se alguém que julgávamos morto reaparecer, transformado, amadurecido, contando sobre uma voz chamando seu nome no meio da escuridão, e ele não tinha nada a fazer, a não ser, voltar a vida.

3 comentários:

  1. Maravilhoso seu texto, muito boa comparação, é realmente tem muitos destes soldados dentro da Organização ops Igreja!

    ResponderExcluir
  2. Fico com esta parte.
    Alguém pode dizer: mas espiritualmente, os mortos se multiplicam na comunidades cristãs, e falecem como na história acima. A diferença – você pode ter certeza disso – é que Ele enviará pessoas, corvos, burros para sua ressurreição, e caso não reviva, Ele virá em pessoa.
    Maravilhoso texto!

    ResponderExcluir
  3. E quanto as doenças silenciosas? Aquelas que talvez não abram feridas, nem mesmo cause dor a ponto de incomodar?
    Existem aqueles que acreditam que a "saúde está perfeita", que não precisam de ajuda e nem percebem que estão morrendo e - sinceramente, na minha opinião - o que é pior: matando outros. Da "praia" de onde eu vim existem muitos assim... Coisas que me adoecem mesmo a distância.

    ResponderExcluir