3 de junho de 2010

Meu bate-papo com o Robô Gigante

Zé Luís

Minhas conversas com Cláudio Márcio, correspondente honorário do CCC – Cristão Confuso Corporation – em Santa Catarina, sempre me rendem reflexões e frutos que julgo dignas de serem compartilhadas com meus leitores.

Assim como o conterrâneo Eder, do Recortes, o Robô Gigante - imagem que usou em seu profile durante um bom tempo – é cinéfilo, amante da vida, e dono de uma alma cheia de nobreza.

Creio que essa amizade nasceu na similaridade que temos nas cicatrizes que nossa caminhada Nele, cheia de ciladas e quedas, nos fizeram.

Conversávamos sobre a solidão de sermos cristãos que não se encaixa no modelo místico-evangélico vigente, que faz questão de viver Graça – e não Lei – ao pé da letra, e isso implica numa liberdade que requer extrema habilidade em se lidar, além da paciência de não ter que se explicar toda vez que somos taxados por desviados.

“Posso todas as coisas...” incomoda, assusta, tira da mão dos manipuladores religiosos o direito de nos limitar em quanto podemos desfrutar de TUDO que TUDO tem..(se você é este manipulador, certamente seu semblante se endureceu, por me julgar inconseqüente em meus ideais).

Cláudio contou-me sobre a história de um homem violento e sua reação ao lidar com a “liberdade” readiquirida. Detento em uma penitenciária de segurança máxima, foi visitado por evangelistas, o que ocasionou um encontro genuíno com Deus. É normal que esse encontro cause mudanças profundas de comportamento (anormal é que essas mudanças não ocorram se o encontro é genuíno) e não foi diferente para aquele presidiário.

Com o tempo, pode ser transferido da habitual solitária para uma penitenciária de segurança mínima, onde passou a ter direito a banhos de sol.

Conta ele, que quando o detento viu o imenso céu azul e aberto, sentiu uma vertigem imensa, uma tontura incontrolável, um mal-estar que o derrubou.

“É assim que muitos de nós nos sentimos diante da revelação sobre a liberdade que o Cristo dá, que está além da religiosidade...” concluiu meu amigo.

Lembrei de Pôncio Pilatos, questionando o Mestre sobre o que era a Verdade. Como podem tantos dizer que conhecem a Verdade – que é Jesus - se desconhecem até a vertigem desconfortável da Liberdade, ou seja, o efeito inicial que Ele causa?

“Afasta-te de mim, pois nunca os conheci, mesmo quando me chamam de Senhor! Se me conhecessem, certamente não usariam esses fardos, nem imporiam a outros que os carregasse.”

Entendo cada vez melhor a parábola de Ivan Karamazov, personagem de Dostoievsky, quando conta a seu irmão Aliócha seu conto, o Grande Inquisidor com seu discurso sobre as tentações no deserto.

O poder, o reconhecimento incondicional e o pão: tudo isso priva o homem da liberdade. Remove gradativamente do ser a liberdade de escolher a que Deus seguir. Se alguém segue a Deus pelo bem que ele pode lhe proporcionar, o conforto que pode lhe trazer, o futuro que pode lhe garantir, este não é livre. O diabo pode oferecer boas cestas básicas, se mostrar através de sinais e prodígios, e po-lo diante dos cargos e chefias em que governa.

Se Deus se submetesse a isso para que você o quisesse, sua liberdade de escolha estaria comprometida.