18 de junho de 2010

O tempo não para...

por Zé Luís

Dizia um velho tutor que o tempo é o nosso maior mestre, mas infelizmente, mata todos seus discípulos.

Enquanto você lê e passeia por estas páginas, seu tempo foi usado de maneira irreversível, e não existe nada mais precioso e letal para os que não são eternos que esse ato incontinente.

Neste mundo, nossas almas são feitas de areia, e independente do que fazemos, a matéria prima de que ela é feita escoa constantemente. Ninguém sabe sua medida exata, mas isso não impede que ele deixe de escoar, implacavelmente, apesar de que se pense ou faça.

Ironicamente, gostamos de ver nosso tempo se acabar nas coisas mais fúteis. Ficamos satisfeitos com a aproximação do fim:

Com que alegria vemos nosso fim de semana se esgotar rapidamente com as atividades mais fúteis? Com que determinação teimamos em desperdiçar cada gota dele com projetos e trabalhos?

E nossa inabilidade em distribuí-lo em nossas vidas? O quanto dormir? O quanto trabalhar? Estar com a família ou sustentá-la da melhor maneira possível? Aproveitar do prazer que nossa existência pode proporcionar ou guardar isto para o momento – possivelmente – oportuno, em um futuro possível...ou não.

Somos loucos vestidos de gente séria e confiável, fingindo saber desfrutar do que temos da forma que se deve.

Isaías, num bate papo com o Criador, questiona, após Este pedir que aquele profeta console, que os ajude a não desespeerar: Que é o homem para que dele Tu se importe? Um tipo de mato, erva que nasce de manhã e logo floresce, mas no fim da tarde, está seco, morto.

Deus sabe dessa finitude, mas também sabe que quando nos fez, criou para a eternidade. A serpente não mentiu totalmente quando disse ao homem que seriamos como Deus, que tem seus próprios critérios e juízos. Tristemente, foi justamente isso que trincou nosso recipiente, nos fazendo perder a areia que sustenta nossa matéria.

E por mais que se escreva sobre o tema, não aprenderemos a negociar nosso período de existência. Por isso sei que não somos deste mundo. Gastamos o tempo como se fossemos eternos, por mais que as evidencias garantam o contrário. Essa eternidade, segundo consta, foi plantada em nosso coração pelo próprio Deus.

Resta-nos esperar por ela, enquanto trilhamos o caminho no Caminho.

*O trecho citado de Isaías está no capítulo 40.