19 de junho de 2010

Quando a culpa é do capeta...

por Zé Luís

Não costumo culpar o diabo a toa, mas ouvindo Ariovaldo Ramos, concluí algumas coisas. Antes, uma pequena parábola:

“Um vendedor muito bem apessoado, embora saibamos com puro extinto que aquela pessoa não nos transmite confiança, por mais que seus ternos e perfumes sejam os mais caros e elegante:
-Tenho algo para você: Um carro excelente, econômico, sem nada para fazer! Inteiro! Com ele você poderá viajar com sua família, as mulheres o olharão com outros olhos, será um homem bem sucedido... basta que faça um pequeno desfalque em sua empresa...
-Poxa... trabalho com meu pai, ele não perdoa este tipo de traição...
-Ele disse isso? - questionou o astuto vendedor – Ele só não que que você seja como ele. Por isso impõe essas regras tolas...

Vendo que podia fazer de tudo na empresa do pai, pensou que uma pequena regrinha, um desfalque não faria mal algum, além de faze-lo sentir-se diferente. Uma sensação que ele ( e sua familia, já que todos campactuaram com a ação nefasta do homem) sentiu. Parecia prazer, mas era o que se sente quando se erra deliberadamente. Tem um gosto fuilgaz, que se espalha pelo peito, nos adoece e mata. Ele desfalcou, mas o vendedor não quis o dinheiro. Só queria ver a reação previsivel do pai.

O estranho desta história era que o rapaz, filho do empresário, tinha em sua garagem um carro melhor do que o oferecido pelo vendedor. Ele podia viajar a hora que quisesse, e embora tivesse uma esposa que o satisfizesse, se quizesse outras, teria, sem precisar do carro..."

Ele já tinha tudo que o maldito vendedor oferecia.

Adão tinha em si a vida eterna. Tinha a imagem e semelhança do Pai, ou seja, já era como Deus. O casal primórdio já sabia a diferença entre o que era bom e o que não era, o que podia e o que não podia.

Mas ser Deus significava ter tudo, pois TUDO foi feito por ELE.

A cobiça louca do homem procurou a necessidade de TER, e as consequências ainda são nefastas.

Por que pessoas resolvidas procuram coisas que já possuem? Por que gente que tem paz se atrai pela guerra? Por que tantos que tem seu “viveram felizes” o abandonam, na procura de um “viveram felizes” pior?

O maldito diabo ainda nos engana com suas ofertas que só são tão atraentes por serem exatamente aquilo que já é nosso, que nos cabe, que já estão – ou estarão - a nossa mesa, em nossos quartos, em nossos bolsos.

Nada melhor que bater a porta na cara deste maldito vendedor. Quem dera aprendessemos este pequenino e simples dom. Essa seria uma oração que poderiamos sempre fazer. Fazemos?

Um comentário:

  1. Excelente! É isso mesmo: o plano do diabo não implica exatamente que façamos a vontade dele, mas a nossa. Ao aceitarmos isso, conseqüentemente deixamos de agradar a Deus. Um tiro saindo pela culatra...

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