1 de junho de 2010

Quando a injustiça nos vence


por Zé Luís

Fazia um ano que a Ana fora despedida da empresa, quando ligou para o departamento, perguntando como os ex-colegas de serviço estavam.

Ela nunca sentiu necessidade de controlar suas opiniões na mesma proporção que as expunha através da língua afiada, nunca hesitou em denunciar a burrice alheia já que sempre foi provida de um raciocínio e perspicácia invejável, lhe proporcionando uma visão mais ampla das pessoas que a rodeavam.

No dia em que a jovem moça foi convocada a assinar sua demissão, era notório que não estava sendo dispensada por falta de capacidade, e sim, por pura rixa, já que uma das pessoas mais burras do setor, segundo sua pública opinião, foi quem indicou nomes para o corte de funcionários que a empresa precisava oferecer.

Ela porém, antes de dar as costas ao setor, diante do gerente geral e da tal pessoa, revelou a esse chefe tudo de errado e esdrúxulo que sua denunciadora fazia em seu serviço, humilhando-a diante de todos os presentes. Esta continuou empregada, mas tempos depois, foi posta de lado, após constatação de que a funcionária demitida estava correta no que falou.

O mais interessante desta história é que Ana tinha uma preocupação quando ligou: Sua ex-chefe sofria? Se sim, o quanto? Ela chora no departamento?

O tempo passou, a empresa na vida dela também, mas o rancor continuava empurrando a existência daquela moça de vinte e poucos anos. Para ela, ter em seus pensamentos que a ex-chefe sofria, mesmo que ela não pudesse ver, era satisfatório e prazeroso.

Perdão é algo fácil quando não temos que fazer isso, mas ao mesmo tempo, é a única forma de nos libertar dessas pedras nas quais, ocasionalmente ,nos enroscamos no caminho da vida.

Ana, uma ex-frequentadora de igreja evangélica, passa a vida atada a memória de alguém que a feriu, que “venceu” injustamente na batalha de “quem fica com a vaga de emprego”, mesmo sendo menos inteligente.

Quantas “Anas”, - até declarados cristãos - são motivadas por esse ódio por alguém que o merece, mesmo quando o Mestre ORDENA que essas pessoas sejam liberadas em suas almas, que o perdão os purifiquem e o libertem de carregar lixo em seus coações.

“Ele não merece que eu o perdoe” - protestamos. Desgraçadamente, depois de toda dor que nos causam, ainda arrastamos estas tranqueiras por todos os lugares, ruminando a amargura de uma vingança que não nos pertence.

Deixe ir este sentimento, e guarde bem essa decisão: muitas vezes, esta raiva voltará a sua porta, tentando fazer você reconsiderar. Fique firme, vigie, para que você, que conheceu a Verdade, ande liberto disso.