7 de junho de 2010

Vilão em um, herói em outro

por Zé Luís

Caso você não tenha assistido as Crônicas de Nárnia – O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa e o Principe Caspian, saiba que seu autor, C.S.Lewis, escreveu-as por volta dos anos 50 do século passsado, e inclui nelas vários insights cristãos(contarei aqui trecho dos dois filmes).

Segundo a sequência dos 7 livros, o primeiro filme é, na verdade, o segundo livro, assim como Príncipe Caspian é o quarto, onde toda a trama que acontece entre mundos e dimensões tem um misterioso personagem central, um leão poderoso que surge em determinados pontos da história.

A história não parece ter sentido em diversos trechos até ser comparada a situações e vivências contidas na bíblia: o sacrifício do Leão, que aceita ser morto no lugar de uma insignificante e arrogante criança desobediente.

A ressurreição do leão, após seu calvário humilhante diante de uma feiticeira, símbolizando o mal,que insiste em ser chamada de rainha e onde toca, a ausência de calor congela e petrifica a todos que quer destruir.

O hálito do leão como sopro de vida sobre as criaturas trazendo-as de volta a vida para batalhar pelo reino que foi feito para o homem governar.

Tudo isso descrito como profecia, num mundo que enfrenta ciclicamente a desconfiança sobre a existência de Aslan, o grande leão criador de Nárnia (mais tarde se revelará que ele não fez apenas aquele mundo).

Quando o primeiro filme saiu, eu que já tinha lido os sete livros, fiz questão de levar minha família ao cinema. Na saída, ouvia-se a revolta das pessoas contra Edmundo, o arrogante garoto que, por seus pequenos motivos pessoais e mesquinhos, traiu a todos para seguir a feiticeira branca e ganhar seus manjares feitos de ilusão. Como xingavam o rapaz: “Se não fosse por ele, Aslan não teria morrido, não teria que ter passado por tamanha humilhação...”

Gostaria de ver a cara destas pessoas ao assistirem a sequência e constatarem que o mesmo vilão era agora o ponto de equilíbrio da história, que Pedro, o irmão mais velho e obediente, sentia em seu ser a obrigação orgulhosa de que o mundo tinha de tratá-lo como imperador, e de como suas ações e decisões eram inquestionáveis, já que se tornara uma alma prepotente.

Uma das cenas mais profundas é quando Pedro, após a derrota em uma das batalhas, sente-se tentado a ajudar a sedutora feiticeira branca a retornar da morte, afim de que o auxilie a vencer a guerra, mesmo sabendo quem era ela e de que era capaz. É quando Edmundo surge, o irmão vilão, e faz o que Pedro deveria ter feito e não fez: Destrói a imagem que luta por ressurgir, o que expõe a demência do primogênito, que até então, se achava sempre o certo.

Edmundo, transformado pelo perdão, liberto da pena de morrer pelo seu erro, é o único maduro o suficiente para entender o fraquejar alheio, e por isso entende tanto o que está acontecendo a sua volta, assim como sabe que falar não adiantaria: ele mesmo, quando naquela posição, não ouviu. Ele observa, se cala e só tenta proteger o irmão.

Por isso Deus usa aquele errado, aquele que você xinga e não aceita que seja perdoado. Nem imagina que será um destes que possivelmente saberá como te auxiliar quando for tão indigno de perdão quanto ele foi.

6 comentários:

  1. gostei...
    e gosto dos filmes, apesar de muitos acharem que contém simbologias da nova era, entre outros. Prefiro me deter na mensagem do sacrificio feito pelo amor a alguem
    abraços

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  2. Deus conhece a estrutura do homem. Bem como o do outro Pedro, discipulo amado, que negara a Jesus. Poderia não ser digno de ser chamado de discipulo, porém, Deus conhecia seu íntimo e, mesmo assim, confiou-lhe suas ovelhas, a despeito dos olhares acusadores.

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  3. "E olhando para cruz, não enxergo mais nada, a não ser sangue precioso derramado em amor. E neste sacrifício, do qual não sou merecedor, recebo minha salvação, que me fora dada de Graça. Não há vantagem em errar. Mas se existe algo que nos faça ser "mais filhos" é reconhecer em si próprio, todos os dias, o fruto desta mesma Graça e misericórdia, concretizado no perdão do Pai. E uma vez que isso acontece, saímos da condição de juízes e nos tornamos irmãos, como deve ser. "

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  4. Demais, Zé.... muito bom texto!
    Abraço do Robô!...

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  5. Os filmes são muito bons,
    voce tem sempre um ponto de vista interessante.

    Olha o Robô aí de novo,
    qual o link do Blog do cabra?

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  6. Ô, Eder.... eu não tenho blog. Ainda. Acho...

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