20 de julho de 2010

Com que autoridade ensina isso?

por Zé Luís

Entre os homens que comandavam o templo aquele ano, estudantes, escritores, mestres e sumo-sacerdotes, havia um impasse. Embora fosse comum surgirem pessoas se declarando o tal messias esperado, esse estava causando um desconforto tal que alguns santos daquele lugar sagrado seriam capazes de mata-lo para que se calasse.

O caso é que o tal homem -que não se declarou o Cristo, os outros o faziam – conquistava uma popularidade imensa entre os que frequentavam os “cultos”. Na mesma proporção, esse sujeito, que crescera em Nazaré – local onde as Escrituras nada diziam sobre o surgimento de um Messias – se comportava de uma forma totalmente inesperada: os sacerdotes e mestrados na Palavra não eram tratados de forma diferenciada por Ele. Ora! Era de se esperar que esse homem-Deus encarnado desse um tratamento VIP, já que era das mãos deles que o povo recebia o conhecimento do que Deus fez a seu povo pelos séculos.

Ao contrário: Ele cobrava posturas, questionava a razão egoísta que esses homens faziam seu sermão, buscando benefício próprio, exaltação pessoal, acusava-os de serem como o bicho mais pessonhento que existe, e terem em suas almas a podridão de um cadáver pútrido.

Um dia, vendo que o povo preferia ouvir os ensinamentos do moço às portas do Templo, vieram em peso, e questionaram com que autoridade Yeshua falava como mestre.

Na verdade, era costume entre os rabis da época que o pretendente a vaga de mestre passasse pela avaliação e aprovação de pelo menos dois deles.

Quando eles não aprovavam um candidato, eles perguntavam:
“Por acaso vieste abolir a Lei?”

Quando eles eram aceitos como mestres, era dito:
“É dado em suas mãos as chaves do Reino...”

Quando Jesus foi questionado sobre sua autoridade, eles queriam saber quem teriam sido os dois rabis que haviam-lhe dado o “alvará” para ensinar a quem quer que fosse.

O Nazareno tinha dois grandes mestres, que não só tinham dado testemunho de sua capacidade, mas deram-lhe o status de "filho-de-Deus-que-tira-os-pecados-do-mundo”. Mas antes de responder, precisava deixar claro para os tais fariseus sobre a opinião deles sobre um dos que deram a autorização de ensino. Perguntou sobre as ações de João em seu batismo.

“Aquilo, o batismo de João, vinha do céu?” - perguntou o Mestre.

Diante da questão, eles se calaram: havia muito a perder com uma resposta objetiva: Se dissessem que João Batista não era de Deus, tornariam-se impopulares diante do povo que os seguiam, mas admiravam João. Se admitissem que era de Deus, teriam que se explicar perante todos o porquê de nunca terem o aceitado nem o seguido.

Jesus havia sido confirmado por João, o último dos profetas, e por decendência, era por direito o sumo-sacerdote daquele tempo. N momento de seu batismo, uma voz se ouviu rugir dos céus, confirmando que ali ia o Filho de Deus. Era voz do próprio Deus.

Jesus tinha o reconhecimento de quem importava, embora o clube dos religiosos populares não o aceitasse. Por isso, até as provocações do Diabo no deserto, desafiando a se apresentar como quem realmente era não o tirou de sua posição: Deus já o havia reconhecido. É o que deve bastar.
Quem dera não nos entregássemos a qualquer ato na busca de sermos aceitos por certos homens que se dizem mestres de algo que mal compreendem.

Se quem te confirmou foi o próprio Altíssimo, fique em paz: se você está passando pelo que for, é Ele quem permite, e portanto, apesar dos pesares, das lágrimas e mentiras, injustiças e maledicências, se regojize! Eles só tem a confirmação de outros homens.