3 de julho de 2010

Era uma vez, uma velha história ardilosa...

   por Zé Luís


Em um país não muito distante e muito semelhante, eles tinham a peteca jurânia como esporte nacional, embora tivesse sido criado em outro país, a tempos atrás (outra história).

Os petequeiros de fim de semana eram comuns, e era praticamente obrigatório para todos os nascidos naquele estranho e grande país ter um grupo preferido deste esporte: Alguns torciam para os Efesias, outros para os Samambaia Peteca Clube, o Peteca Clube Devils já havia sido lugar de petequeiros reconhecidos como os melhores de todo o planeta. E esses era apenas alguns das centenas de núcleos onde se praticava o jurânia (jogo de peteca em grupo).

Um dia, um fabricante de roupas percebeu que as pessoas que assistiam às partidas, na intenção de se aproximar de seus ídolos, procuravam usar as mesmas vestimentas, os mesmos adereços, os mesmos tipos de luva utilizadas pelos seus admiráveis jogadores e teve uma ideia:

Chamou um dos petequeiros mais populares e ofereceu vestimentas, luvas e calçados, além de pagar ao jogador uma quantia razoável para que ele só usasse confecções de sua fabricação.

A fórmula deu certo. As pessoas começaram a acreditar que o petequeiro usava utensílios daquele fabricante por que era a melhor opção, e alguns pagavam o preço que fosse para ter em suas vestimentas apetrechos iguais a do ídolo.

Não demorou para que outros fabricantes descobrissem isso, e começassem a caça dos petequeiros mais populares, não só daquele país, mas do mundo todo.

Fazer de um petequeiro contratado um celebridade era garantia de boas vendas naquele país.

Decidiram divulgar o Jurânia no máximo de países, propagandas maciças nas Tvs, rádios, internet. Espaços reservados para se falar sobre os jogos, os lances da semana, as contratações dos jogadores, e claro, a divulgação dos fabricantes das roupas que eles usavam (na verdade, quem estava pagando todas estas coisas eram os fabricantes, que dependiam do jogador ser visto usando suas confecções, tornando tudo em um círculo vicioso).

Um dia, organizaram um campeonato mundial de Peteca: países de todos os continentes entrariam na disputa, os melhores jogariam (e claro: os fabricantes de roupas bancando tudo, e botando suas lojas nestes lugares).

O problema é que aquele país era muito superior aos outros em relação a seus jogadores( e o pior: não era o país que mais consumia seus produtos. Eles, o tal país, vendia cópias dos produtos fabricados por uma pequena fração do preço da fabricação original...outra história).

O povo daquele país amava o jogo de Peteca, mas não fazia questão de usar petecas dos fabricantes que financiavam toda aquela festa. Faltava dinheiro para comer, como gastar em petecas de couro de antílope?

Qual o problema disso? A constante vitória deste poderia causar um desinteresse nos outros países naquele esporte tão lucrativo, e sem interesse pelos ídolos, não haveria consumo das roupas daquele fabricante.

O que fazer? Simples: Manipular os resultados dos jogos de peteca, alternando entre os países, o campeão de cada campeonato, convencendo aos fãs de peteca que todos tem as mesmas oportunidades iguais, mesmo quando claramente juízes interferem, jogadores não fazem o que sabem.

Por que um jogador, admirado por sua habilidade, concordaria com tamanha desonestidade? Eles são funcionários destes fabricantes, e muito bem remunerados. Se os fabricantes não venderem, não poderão bancar os ricos salários dos petequeiros. E sabe como é: dinheiro fala alto.

E o povo que vai aos estádios de peteca? Não ficarão indignados com tamanha farsa? Nada... eles chorarão com a evidente farsa ,como se fosse algo real, e na copa que vem, lotarão estádios, consumirão material dos mesmos fabricantes, e chorarão novamente, caso sua seleção de petequeiros não for a escolhida para vencer pelos fabricantes de apetrechos, roupas, sapatos, naquele ano.

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