18 de julho de 2010

Planejando a montagem de um milagre

Zé Luís

Estou aqui tentando criar um texto. Um texto que não seja cotidiano, já que a intenção é fazê-lo para informar algo que julgo importantíssimo às próximas gerações (e quando digo, próximas gerações, tenho a intenção ilógica - ao meu ver - de informar as próximas gerações que se estenderão pelos próximos 20.000 anos.

Nesse desafio não poderei usar dos atuais recursos tecnológicos. Nem mesmo energia elétrica. O que tenho é a matéria-prima fornecida pelo que meu tempo oferece, além de minha descendência, a quem depende a propagação da minha ideia.

O tema? Física quântica.

Explicarei de uma forma popular como o Universo foi feito a partir das ações dentro deste contexto. Há de ser tão simples a explanação, que mesmo o mais desprovido intelectualmente terá, pelo menos, uma noção do que é o universo ao redor, e de como sua existência veio à tona, através deste processo.

Possivelmente, com a migração de meu grupo familiar pela terra, haverão modificações em um ou outro trecho do meu texto, já que meu raciocínio e deduções – não só o idioma - são diferentes na cultura imediatamente vizinha, o que pode trazer a médio prazo incompreensões na intenção das traduções.

Creio que a essência deste texto permanecerá pelos séculos e séculos, apesar de todas as condições e situações que o levariam fatalmente a uma distorção total da essência. Só com minha família, que se tornará uma grande comunidade familiar, e apesar dos exércitos das nações vizinhas, só por ser portador desta informação urgente, jamais serão totalmente destruídos (note-se que meu desejo prevalece contra nações muito mais poderosas, com poder bélico infinitamente maior, e com uma população que em comparação a nação formada por minha parentela, seriam em proporção de 1000 por 1).

Após esse breve processo de planejamento de um absurdo, não sei como um ateu permanece em sua crença.

A bíblia e seu contexto, assim como sua sobrevivência aos séculos é um absurdo impossível de existir: sua tradução, suas referências geográficas, escrito por pessoas totalmente descontextualizadas de nosso cotidiano, sem recursos de divulgação: rádio, TV, internet, orkut, twitter (ou mesmo energia elétrica). Um trecho de terra cercado por países muito maiores e mais fortes.

Ceticamente falando, a bíblia não existe.

Será que um “livre pensador” está livre para admitir este tipo de absurdo também? Não só o absurdo de crêr em um Deus criador, que entra na história do homem, se fazendo personagem, para que ela, a humanidade, seja também escritor.

Refiro-me a outro absurdo: o de ignorar fatores improváveis dentro de uma linha de tempo prolongadíssimos, impossíveis de programar de forma tão exata por um homem(ou mesmo por um grupo, pelos séculos), tornando esse livro tão comum aos nossos olhos um imenso milagre?

Será que teriam a liberdade de pensamento para já terem passado por este raciocínio e permanecerem no ceticismo? Isso não seria teimosia?

Talvez eu seja um religioso idiota, mas cabeça-dura? Também?