8 de julho de 2010

Quando Deus se retirou do templo

por Zé Luís

Ler o que vai na bíblia pode ser um exercício exaustivo e ingrato. Confesso que me parecia algo enfadonho, e se conhecesse antes as descrições superficiais de alguns ateus, concordaria com eles em numero, gênero e grau: Um livro cheio de espaços para duplos sentidos, mal traduzido, com lacunas facilmente questionáveis e histórias com conteúdo fantástico demais para o entendimento do homem contemporâneo.

Ao lê-la, encontrei um livro de histórias, onde Deus fala com suas criaturas como se pescadores e moribundos falassem num diálogo shakespereano. Com a alegação que aqueles textos chegaram a nós tendo Deus como seu Editor, me pareceu meio desleixo da parte Dele: custava suprimir a humanidade perversamente tosca de seus heróis? Deixar mais claro as opiniões sobre assuntos não tão triviais?

Ouvindo uma explanação de Ariovaldo Ramos sobre Caifás, Anás e João Batista, percebi que o problema não está tanto na escrita: surge em nossa falta de atenção oa que está claramente exposto.

Se você já leu o Pentateuco (Gênesis – Êxodo – Levítico – Números – Deuteronômio) quando chegar ao Novo Testamento não verá problemas em ver que existe um sumo sacerdote só, Zacarias (que será pai de João Batista) que tem um contato com um anjo que o deixa mudo.

Até aí, nenhuma novidade, certo?

Anos depois, nem nos apercebemos que o contexto da história muda de uma forma nada sutil: João Batista, descendente da tribo de Levi e herdeiro direto por direito, ao invés de estar no templo, usando vestes sacerdotais, vive no deserto, é chamado de profeta, usa roupas totalmente fora do padrão, e tem uma dieta totalmente fora do que era próprio para um sacerdote (vide Pentateuco).

No templo, em seu lugar, existem um grupo de pessoas que se revezam neste “ofício” de período em período, e você poderia encontrar um ou até mesmo dois sacerdotes(quando era para ser apenas um). Estes sacerdotes, que procuram demonstrar ao povo seu profundo respeito ao que vai escrito em seus pergaminhos sagrados, ignoram propositalmente que eles mesmos estão infringindo suas regras, quando se permitem ser o que não são.

Deus, com seu sacerdote legítimo, chamado então o maior de todos os profetas, abandona o templo, e se desloca para o Deserto. É lá que o encontro com o seu Filho está marcado, e não no lugar onde Israel se orgulhava em ter construído e tem-se por local onde Jeová habita.

Os que ali ficaram, homens que se auto-intitulavam sumo-sacerdotes eram de uma crueldade encoberta tão absurda, que se o Filho de Deus viesse em pessoa, eles não o reconheceriam, e mesmo que assim o vissem, procurariam destruí-lo sem o menor pudor, sem a menor culpa.

Hoje, muitos procuram as vagas dos sumo-sacerdotes, os lugares vagos deixados pelos verdadeiros homens de Deus que vão sucumbindo ao tempo e a este século, enquanto o povo torna-se ignorante priopositalmente.

A verdade das historias que hoje se repetem sucessivamente revelam que quem se intitula homem de Deus não leu que isso cabe a Deus revelar. Qual o problema de ser apenas uma ovelha falando a outra ovelha e esta, quando puder, falara outra? O lugar de destaque nos garante regalias que ovelhas não se interessam.

Os homens importantes de Deus dispensavam a necessidade das credência is, não eram homens de negócios a serviço do Reino, eram apenas homens a quem Deus dizia: vai, e ele ia, dizia, volta, ele voltava.

Como um livro tão obsoleto pode acertar tanto?