3 de julho de 2010

Sobre Crepúsculo e jogos de futebol

por Zé Luís

A grosso modo:
“Crepúsculo” é como futebol: "Os personagens ficam durante duas horas, ninguém marca nenhum tento e bilhões de fãs insistem em dizer que você simplesmente não consegue entender como tudo aquilo é super legal...”

Tenho aqui comigo que a origem da frase é americana.

Norte-americanos, em sua maioria, não apreciam futebol. Na terra do basquete, eles não conseguem entender como um jogo pode acabar sem que ninguém faça ao menos um ponto no placar durante quase duas horas (daí, a comparação com o filme).

Hoje, vi meus três filhos chorarem e lamentarem um grupo de brasileiros que, ao final de pouco mais de 100 minutos, deixaram de concorrer em um campeonato. Ouvi lamentações durante os quinze minutos que percorri da minha casa até o ponto de ônibus, continuando pelos quase cinquenta minutos do trajeto até o trabalho.

Observei pessoas entrarem acabrunhadas no coletivo, um conterrâneo nordestino entrar falando alto, como se desse pronunciamento esperado a toda a lotação, repetindo as frases prontas que os comentaristas lançam sistematicamente. Ri quando lamentou todo o esforço que ele tinha feito em prol da seleção e mesmo assim ela – o time – não retribuiu a altura. O amigo que subira com ele gaguejava para que fosse sentar, mas o discurso permanecia.

Xingaram o Dunga conforme os canais de mídia ordenavam, e alguns, com pose de “sei-mas-que-todos” tentavam explicar que tudo não passa de uma armação, um pré-combinado: “Esse ano é da Alemanha, todos já sabem, a Nike é quem deu a ordem...”

No serviço, as pessoas se arrastavam, colegas de olhos inchados pareciam experimentar o que as mulheres vivem mensalmente, e chamam por T.P.M.

Os mesmos comentários.

“Dunga não é mais técnico...” gritou alguém, ao ler a noticia pela internet. Pronunciamentos emocionado dos jogadores, o protesto repetitivo do colega sentado ao lado. Nem parecia que o pai dele estava na U.T.I. após um A.V.C.

O comércio permanecia de porta baixadas, como em luto. Não tem o que fazer com tantas camisas, cornetas, chapéus, e tantos cacarecos vendidos por causa do magnânimo evento. Alguns ainda usam a camisa pirata da seleção, por um amor a pátria que acontece de quatro em quatro anos(em breve a usarão em peladas, quando for mexer no motor do carro velho, ou for pintar o portão). Outros, mais exaltados, já tiraram-na: é a sua forma de protesto contra o fiasco.

Eu, particularmente, não sei porque amamos tanto o futebol, mas posso dizer que os americanos nem imaginam o que estão perdendo. Quanto a série Crepúsculo: eu ainda não assisti (nem li nenhum dos livros). É bom?