17 de agosto de 2010

Afastado, desviado, desiludido...

por Zé Luís

Conheço muitos dos chamados “desviados”. Onde trabalho eles se multiplicam na velocidade em que seus raciocínios e desejos se alinham (sem contar as milhares de confissões públicas pela internet).

Embora haja quem os chame para voltar à igreja, estes, os que tentam a reconciliação, são em bem menor número dos que frequentam igrejas evangélicas, o que pode significar uma tendência: Seria de se esperar que a totalidade dos que frequentam cultos ao Mestre se empolgassem nessa tarefa, recuperar “ovelhas perdidas”.

O detalhe é que muitos daqueles que – aparentemente – permanecem no Caminho, não o entende e por isso, em algum momento, sabem que são candidatos a estarem se afastando destes lugares, engrossando a estatística dos que se afastam das denominações ditas cristãs. O cheiro do “redio” está cada vez mais insuportável para eles, apertado, e a grama, regada com promessas de ração para lobo, já não enchem mais o estômago daquelas que deveriam ser apenas ovelhas.

“Eu nunca vou te abandonar, Jesus!”, trecho cantado em alguns louvores, deve ser algo que Deus ouve de tantos filhos, e baixa seu semblante, balançando a cabeça divina. Ele sabe das bobagens e maldades que ainda faremos, as promessas que quebraremos, as alianças feitas a serem rompidas, as mentiras que fingiremos ser.

E isso tudo nos será por aprendizado. O Mestre faz, como só Ele consegue, fazer de nossos tropeços, utensílios para nosso crescimento, dispensando o uso de lideranças bem falantes, aulas de reforço espiritual, conhecedores extra-curriculares e tantas fórmulas que nos explicam passo-a-passo como chegar a lugar nenhum. Sim: Ele nos fará fortes durante nossa imbecil fraqueza.

Mas...

E a volta para casa?

Muitos simplesmente não aprendem: o que era da igreja que usava véu, continua não dispensando o uso do mesmo. Ele continua achando que isso não é dispensável (mesmo com sua compreensão transformada pelo próprio Deus).

Mesmo com o Criador explicando que dons carismáticos podem ser perfeitamente plausíveis no meio de seus filhos, os que voltam das denominações - chamadas – históricas, continuam com seu sentimento de abominação quanto a esse tipo de comportamento.

Continuam associando o dízimo a sucesso financeiro, continuam usando saias para poderem falar com o Pai, permanecem demarcando onde está a linha do que é e o que não é aceitável.

Conheço cristãos verdadeiramente convertidos, ministrando em igrejas a mais de uma década, e continua crendo que frequência em culto dominical é o suficiente para a saúde espiritual de um ser humano (mesmo que lá ele nada cultue, apenas esteja na cantina, ou olhando os carros dos visitantes).

Um velho conhecido, um dia professor, obreiro, saxofonista da banda e diácono da Assembleia de Deus, passa os dias de sua velhice pitando seu cigarrinho diante da dominical programação horrorosa da TV, ao lado da acamada esposa, também afastada. Ele espera que suas forças voltem, recebe visitas dos irmãos do tempo de igreja, agora tão grisalhos quanto ele.

“-Espero que no céu haja uma Assembleia de Deus nos moldes daquela da minha juventude...” - comenta ele, ao explicar o porque de nunca ter se adaptado a nenhuma outra igreja (inclusive frequentou na mesma em que congrego algumas vezes, mas nunca se firmou).

Apegados a suas letras, abdicam, por exemplo, de perdoar suas rixas passadas, enquanto defendem suas correntes teológicas.

O trabalho do Espírito no espírito é realmente é algo que só Ele é capaz de fazer. Como quebrar o querer humano, sem tirar-nos a liberdade de escolha?

Só Ele e nEle. Um milagre transparente e cotidiano.