19 de agosto de 2010

Entre louvores e adoração: do que se trata?

por Zé Luís


Esse conjuntinho de palavras tão utilizadas por miríades de cantores de músicas de cunho “evangélico”(uso o termo para aquele cristão chamado protestante, mas que assumiu um aspecto um tanto místico, meio radical-fundamentalista em sua compreensão um tanto rasa, com frases prontas e crenças absurdamente desconexas) é uma “Tag” de uma vertente de mercado fonográfico que rende milhões.

Mas afinal: Você já parou para pensar sobre o significado destas palavras? Louvor e adoração?

Você louva a Deus pelo que Ele faz, e adora a Deus pelo que Ele é.

Quando você reconhece que o Mestre está por trás daquela situação inusitada e maravilhosa, é inevitável que você louve-O por suas obras e ações. Alguns se emocionam, choram, outros gesticulam e saltitam, reações variadas muito de ser para ser. No Brasil , por exemplo, na explosão da comemoração de um gol no futebol, muitos jogadores erguem os indicadores ao céu, e agradecem a Deus, não sem depois soltar um sonoro palavrão e cuspir saliva seca.

Quando você consegue vislumbrar de alguma forma o Grande Eu Sou, só há duas reações: a de total aversão e medo, e a de total adoração(não existe outro nome que substitua esse). Uma reação próxima a de Pedro, que se assombra com a grandiosidade do que ia alma do Cristo pede que se afaste, para que não seja fulminado pode ser considerada natural.

A forma única de conseguirmos adora-lo – nos moldes do “em Espírito, em Verdade - só é alcançado mediante a autorização do próprio Espírito – quando conseguimos tatear sua real Natureza, tão fantástica e familiar.

Dentro deste pequeno e simples mapa, um gabarito quase binário, fica claro o quanto nosso entendimento está distante do que é e o que se pratica quando cantamos louvores, e de quanto são raros na essência de sua composição.

Como alguém pode louvar um deus, se suas verdadeiras ações não estão em foco? Prega-se, por exemplo, que o verdadeiro interesse de Deus é nos tornar financeiramente estável. Louvar por algo que ele não prometeu é como ser grato pelo presente que não foi dado por Ele, o que é preocupante: perde-se o discernimento gradativamente do “objeto” que deveríamos adorar. 

Apenas com sinceridade é queLouvo, reconheço como ato dos Céus. Se não os vejo, os simulo como um exercício respiratório, o que nada mais seria que uma invencionice da minha parte, uma mentira.

Mesmo é a adoração: é possível estar cantarolando bobagens, declarando coisas que não creio nem entendo, imaginando ser isto adoração: repetições de elogios rasgados - embora sejam feitos de forma mecânica, sistemática, a alguém que nem mesmo conhecem(e muitos, mesmos profissionais da área, estão ateus neste quesito, e o pior: sabem disso).

Se você pretende fazer um “louvorzão”, saiba que ele pode ser feito na unidade da alma, onde ela é íntima e solitária. Se conseguir ser assim um adorador, você pode se dizer fantasticamente feliz.