15 de setembro de 2010

Patriotismo, partidarismo e guerra

por C. S. Lewis:

A guerra deixará de absorver a nossa total atenção, porque se trata de um objeto finito e, por isso, intrinsecamente inadequado para suportar toda a atenção de uma alma humana. Para evitar mal-entendidos, é preciso fazer algumas distinções aqui.

Acredito que a nossa causa é muito justa, como costuma acontecer com as causas humanas, e isso me faz acreditar que seja o nosso dever participar dessa guerra.

Todo dever é um dever religioso, e nossa obrigação de desempenhar esse dever é absoluta. Assim, pode até ser um dever salvar uma pessoa que esteja se afogando e, quem sabe, se vivemos em uma praia perigosa, devemos nos preparar para o ofício de salva-vidas, de modo que estejamos prontos caso apareça alguém se afogando. Quem sabe tenhamos até que perder a nossa própria vida para salvá-lo. Mas, se um dia alguém se devotasse ao ofício de salvar vidas no sentido de dedicar-se totalmente a isso – de modo que não pensasse ou falasse de outra coisa, ou exigisse que todas as demais atividades humanas cessassem até que todas as pessoas aprendessem a nadar -, ele seria um maníaco obsessivo. Assim, salvar a vida de pessoas do afogamento é um dever pelo qual vale a pena morrer, mas não para o qual valha a pena viver. Tudo indica que os deveres políticos (entre os quais eu incluiria os deveres militares) sejam desse tipo. Uma pessoa pode ter que morrer pelo seu país, mas ninguém precisa viver pelo seu país em um sentido exclusivo.

Aquele que se entrega sem reservas aos apelos temporais de uma nação, de um partido, ou de uma classe, está dando a César algo que, de maneira mais do que enfática, pertence a Deus: está dando a si mesmo.

(C. S. Lewis em “O Peso da Glória” (The Weigh of Glory), citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 281)

Vi o trecho no O Contorno da Sombra

Nota do editor: Esse pequeno livreto citado acima é a compilação de alguns sermões e palestras feitas por rádio em plena 2ª Guerra Mundial. Vale a pena lembrar que foi nessa época que ele começou a criar "As Crônicas de Nárnia", que contava a crianças que ficavam em sua casa durante os bombardeios nazistas sobre a Inglaterra.

2 comentários:

  1. Oi Zé!
    Sabe, lendo a respeito de C. S. Lewis fico aqui pensando; os homens estão sufocando esse legado ou não estamos vivendo situações tão caóticas a ponto de mostrar esses valentes?
    É pra se pensar..

    Abçs!

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  2. Sou eu traveizzz... hehe!

    Cara, adorei o fato de ver C.S.Lewis em seu blog. Quando vejo irmãos que apreciam obras de Lewis sinto-me tão contente, tão feliz. É disso que precisamos hoje: Lewis, Tozer, Piper, Chesterton, etc... Chega de teologia de Mamon (prosperidade). Chega de triunfalismo e confissão positiva. Voltemos ao "Cristianismo Puro e Simples".

    P.S.: ah, quase me esqueci. Chega de Voz da Mentira... hehe.

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