5 de outubro de 2010

Como votam os evangélicos

Por Ciro

Como conhecedor da "mentalidade evangélica" há 30 anos convivendo no meio posso afirmar que o conservadorismo social não se reflete na opção política na hora do voto. O eleitor evangélico que é de esquerda não tem o menor problema em votar num candidato de direita que é "irmão" e vice versa. Isso porque o discurso "liberal x conservador" nos âmbito da prática sociail (moralidade) acontece externamente a questão "direita ou esquerda". Você vai encontrar esquerdistas convictos absolutamente entranhados de conservadorismo social e direitistas socialmente liberais (basta pensar no Gabeira).

As pesquisas de opinião não conseguem captar como vota esse eleitorado, já que para ele o voto "político" (no plano esquerda x direita) é absolutamente secundário em relação ao voto social. Isso acontece sistemáticamente com as pesquisas eleitorais nos EUA que tendem a subestimar continuamente o voto conservador americano. Qualquer candidato que defender o casamento gay por exemplo perderá no sul dos EUA, independente de ser repúblicano ou democrata. O eleitor religioso vota de forma diferente do eleitor não religioso da mesma faixa etária, sexo, renda, geografia. E isso não entra nas tabulação das pesquisas eleitorais.

Ao mesmo tempo a Marina tem uma IMAGEM que apela ao público evangélico. Ela É de fato a típica irmã da assembléia de Deus, e apenas o preconceito da inteligentzia pode imaginar o contrário. Marina pode até ser considerada por uma parte de seu eleitorado como uma candidata hype, porém outra parte a vê como uma evangelista de porta de igreja. Quando a vi fazendo seu discurso ontem por exemplo eu via uma irmã da assembléia de Deus com direito até ao tradicional coque e atendendo aos "usos e costumes" (regras de vestimenta), só faltou me dar um panfleto e cantar "Segura na mão de Deus".

E tendo tido a oportunidade de conviver com ela mais de perto (meu pai é grande amigo dela) como tive sei que isso é uma REALIDADE da vida dela, e não apenas uma aparência. E assim ela capta esse eleitorado com facilidade. Coisas que nem Serra nem Dilma fazem com naturalidade - ambos candidatos completamente seculares focados em questões políticas.

Independentemente da onda de boatos, ela já teria um eleitorado evangélico grande pela identificação. Deve-se lembrar inclusive que a onda de boatos funcionou de forma contrária a ela em alguns casos com pastores dizendo que ela é pior do que os infiéis pois é uma traidora do evangelho devido a sua postura com relação ao plesbicito do aborto/união civil por exemplo. Ao mesmo tempo ela conquistou o apoio de muitos pastores sérios, alguns até que declararam voto pela primeira vez.

Outra questão no voto evangélico foi a eficácia do boato "Nem cristo me tira essa eleição". Óbvio que todos nós sabemos que ela não disse isso, porém tanto o Lula em suas últimas declarações quanto a campanha dela passaram essa imagem para quem já estava pré-disposto a aceita-la. Não precisa ser verdade, se tem aparência de verdade. E para boa parte do eleitorado evangélico, isso teve facilmente aparência de verdade. Mesmo o eleitorado que gosta do Lula mas acha que ele tinha que tomar cuidado para não cair no "pecado da vaídade e soberba", e o pânico da grande mídia e as pesquisas eleitorais ainda reforçavam essa imagem. O eleitorado evangélico resolveu dar uma lição ao Lula, e conseguiu.

Visto no blog do Luís Nassif

Um comentário:

  1. Não dou ouço e nem leio esses boatos. Mas, tenho que admitir que havia uma certa "soberba" nos discursos da Dilma... Ela já falava como presidente eleita. Isso não é lá muito apelativo...

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