14 de outubro de 2010

Confissões de uma (ex) esposa de pastor

Ele disse um dia: em primeiro lugar está meu ministério.

Senti-me traída, a mais traída das mulheres. Posso até “competir” com outra mulher, outros lábios, outro corpo, outros abraços, outros beijos e ganhar (ou perder) a batalha. Mas com o “ministério” é demais pra mim. Foi pior que vê-lo na cama com outra.

Claro que se ele dissesse "Deus está em primeiro lugar na minha vida" eu aplaudiria e ficaria feliz, mas ministério não é Deus, e esse é o problema de muitos líderes, que confundem trabalho, atividade, serviço, com relacionamento com Deus. Lastimável!

Aos poucos, ele foi demonstrando essa preferência. Eu não estava mais na sua listinha de prioridades, nem eu, nem os filhos. Somente o ministério importava, por ele daria a vida, era algo quase insano, doentio. “Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua família?”

De forma progressiva, suas atitudes foram se tornando agressivas e incoerentes, pois como alguém que viajava pelo mundo falando do amor de Deus não conseguia de fato amar sua própria família? Primeiramente, vieram agressões verbais, depois as físicas, a mim e aos filhos. Nada que questionasse ou desvalidasse seu ministério poderia ser refutado ou contrariado. Ele reagiria com unhas e dentes. A família não importava mais, somente seu belo e frutífero ministério.

E assim segui... fingindo por 18 anos para todos e pra mim mesma que tudo isso era normal, e que para não envergonhar o ministério (dele), eu deveria aceitar calada a situação.

Ah! Mas como Deus me ama... Me ama tanto que foi ele mesmo que disse: “Filha: chega disso!”

Foi então que liberei o tão dedicado pastor e missionário de seu jugo de ter uma família. Agora ele deve estar feliz sozinho “servindo ao Senhor”.

Seguimos eu e meus filhos rumo ao centro da vontade de Deus, que é perfeita e agradável. Um Deus que ama e que não deixa seus filhos sofrerem além do que podem suportar.

Sim, eu fui traída. Sim, ele cometeu adultério. Adulterou com o próprio ministério, em nome de Deus, destruindo a própria família. Eu já o perdoei, mas acho que nunca vou entender...

por motivos óbvios, a identidade da autora do texto será mantida em sigilo.

Visto no Pavablog

4 comentários:

  1. Só pra constar, Zé: o que a falta de sono faz com um homem...rs!

    Sobre o texto:
    A maior hipocrisia é chamar de ministério, o tipo de vida que levam indivíduos como esses!
    Sou filho de pastor. Sei do que se trata. Graças a Deus, aprendi (a duras penas) a ser melhor pai, melhor marido, melhor amigo - embora de poucos - melhor pastor (!?)... há muito pra se fazer, Zé.

    Mas te garanto que se eu tiver de ser cobrado de Deus, não serei por abandono de família.

    Tem muito "colega de ministério" (acho horroroso o termo!) trabalhando na Igreja de Jesus, sem ter mais nenhum contato com o Mestre.. por isso a coisa está assim, toda badernada!

    Deus tenha misericórida.

    Acho que agora consigo dormir..rs

    Ah! Desculpa o sumiço!

    Abçs pro cê, véi!

    Gildo

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  2. Primeiro Deus...
    Segundo a família...
    depois o ministério...
    Um homem que não cuida de sua família não tem condições de cuidar de um rebanho... infelizmente essa é a realidade de muitas famílias de pastores...

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  3. Não concordo com a abordagem feita pela autora. Quem é pastor sabe como é duro estar a frente de um ministério. Ainda mais tendo uma esposa que fica o tempo todo querendo disputar atenção, medir forças com a atividade pastoral. "Quem ele ama mais, eu ou o ministério?" Cara, isso é horrível.

    Mulheres, por favor, entendam: vocês são bênção em nossas vidas, mas precisam parar de nos fazer escolher entre vocês e o ministério. Durante muito tempo minha esposa brigou comigo por eu ficar respondendo perguntas depois da escola dominical, em vez de chegar no horário para o almoço. Hoje ela entende que o horário do almoço póde mudar, mas o ensino na Palavra não pode parar. Graças a Deus por isso.

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  4. talvez diante de tanto impasse,o ideal seria que as futuras pretendentes à esposas de pastores pensem bem,pois é uma situação de muita cobrança em cima da esposa e dos filhos e isto se torna ainda mais desanimador quando se tem um marido pastor super dedicado ao rebanho , mas ignorante e pouco atencioso com a esposa e filhos. Fico esperando que ele nos chame para orarmos juntos que seria minha alegria ,mas só me procura quando quer ter sexo.E pior, não posso me abrir com ninguém. Detalhe:sou responsável por todas as minhas despesas, inclusive alimentação. Só Cristo para me dar forças!

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