22 de outubro de 2010

Inversão de papéis

por Zé Luís

Inevitavelmente sorrio quando lembro de um trecho específico do filme dos Simpsons: A cena mostra uma igreja e uma boate, uma ao lado da outra, quando recebem a notícia que o fim do mundo acontecerá em pouco tempo: todos os que estavam na boate fogem para a igreja, assim como todos na igreja – incluindo o pastor – se refugiam no prostíbulo.

A questão cômica é uma dura realidade:

Os que estão na igreja procurariam saciar sua fome nos botequins? nas camas de bordel? nas paixões abafadas por anos ou mesmo no falar desembestadamente tudo aquilo engasgado e reprimido na garganta contra qualquer um: contra seu conjugê, pais, familiares, chefes e seu deus.

Revelar todos os dentes, garras e rancor que, em sua vida mesquinha manteve reprimido, em nome da aparência (que dizia ser ministério ou usando o Reino como pretexto, numa espécie de sacrifício que busca justificar-se diante de tudo que se falha).

“Deus não deve existir... e se isso for verdade, o que deixei de fazer que gostaria de fazer?”

Essa sensação que assalta a mente daqueles que vivem orbitando em volta de assuntos teológicos mostra uma reação esquisitíssima e antagônica quando a resposta pode ter a resposta acima.

Em contrapartida, os que entregaram sua vida a devassidão, os bêbados e quengas, os famigerados e sacanas, os viciados assumidos e mentirosos compulsivos, deprimidos por suas vidas desgraçadamente vazias (apesar de fazerem tudo que, reprimidamente, muitos dos “santos” desejaram, ou esconderam em muitas fases de sua vida) fomentarão a esperança em um refúgio Naquele que é Amor e que tudo perdoa. Instintivamente o fim grita isso aos ouvidos.

Jesus sabia disso, mas nem os pecadores assumidos ou fariseus hipócritas entenderam essa máxima.

A Graça, escandalosa, torna louca nossa noção de que viver pelo Caminho por nossa força – e não a Dele - faz de nós pessoas horríveis, fétidas, insuportáveis.

Se somos luz e sal, porque os que procuram luz e sal não encontra em nós, assumidamente cristãos, nem um ou outro? Somos insípidos e obscuros, indesejáveis no saleiro quando o sedento busca salgar.

O vazio nas almas dos que não encontraram a Cristo é real, e eles anseiam que alguém fale o idioma à suas almas para que possam encontrá-lo. Eles não entenderam que Jesus está voltando...nem nós...

Um comentário:

  1. Se fosse fácil explicar essa ambiguidade, simples aasim, os consultorios de psiquiatria n estariam lotados de crentes...dois lados de moeda explicam mas n justificam, todos temos reveses, a salvação não é garantia q você vai ter felicidade plena para todo sempre amém...isso pra mim tem outro nome, alienação.Titubear é normal e humano, desde que busquemos socorro em quem pode realmente socorrer.

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