27 de novembro de 2010

Quando errar é eminente

por Zé Luís

O que fazer?

Convertido legitimamente - na forma que só os convertidos são capazes de entender, deparasse com a própria humanidade! Justo agora que podia garantir que todo aquele sentimento maldoso, que tão bem derreteu diante da presença Dele, parecia estar vencido, ele sorri e acena, cínico com sua garra sensual de gente errada.

Desespero! O que fazer com o velho homem que voltou a aparecer como se nunca tivesse saído? Por que ele retomava a palavra torpe em meio a chuva de coisas boas que saiam de sua boca? Sente-se enganado por ter crido em algo que parece evaporar diante de deus olhos.

Seu senso de justiça começa a tatear a procura de algum culpado que justifique sua maldade intima, que parece tão agradável naquele momento, ao ponto de nem procurar o arrependimento necessário para atos e pensamentos daquele tipo. E pior: com quem compartilharia? Todos são santos onde vive. Não há intimidade suficiente que permita que ele encontre alguém tão imundo quanto ele e possa compartilhar seu fardo fétido de pessoa que erra. Ele será inquirido, uma fogueira estará reservada para gente como ele. Ele sabe, já colocou lenha em algumas com cânticos de louvor.

É nesse momento que começa a enxergar o que é o grupo ao qual tornou-se parte, e gradativamente, começa a sentir as fissuras críticas onde antes só existiam encanto e perfeição:

A culpa é do... ou aquela turma que... Já sei! Aquela raça de hipócritas! Os músicos! Pastores, pregadores, diáconos, profetas, as irmãzinhas do circulo de oração e os irmãos em geral! Todos! Cansei-me – grita ele – diante da dor da desilusão.

Nem se deu conta do quanto deixou-se levar por ilusões, o quanto ignorou o próprio Cristo apontando para o Caminho inverso de seu erro, embora este fosse a ele mais conveniente. Também não entendeu a tranquilidade de Deus quando se arrebentou, e Este não deu um “piu”.

Ele tateia agora, entre discursos prontos e frases feitas, repete mentiras para tentar se convencer, declara palavras decoradas e faz trejeitos que quem tem intimidade com Deus.

Mas ele – e nós – sabemos que lhe falta algo, porque falta em nós também. Ele continua mentindo e mentindo às portas da Cura, mas nunca deixa que se aproxime para aplicar o medicamento.

Não entendeu que o Pai sabia dos riscos que corria quando lhe concedeu talentos, fossem eles um, cinco, dez. Deu-os para que fossem negociados, e o volume destes valores não tem outra forma de crescer se não for colocando-os em risco. Ele os tem, mas o Pai, em sua infinita sabedoria, sabe que ele preferirá enterrá-lo em mentiras, e dirá, enganando-se, que não poderia correr riscos em um mercado tão arriscado.

Viver é correr riscos, por mais que lhe pareça não condizente. Enterrar é seguro, mas lhe valerá ter nada daquele Reino, e amargar essa verdade quando poderia desfrutar a oportunidade de lutar por algo que valesse a pena realmente.

Chegará ao final com as glórias de quem aprendeu a lutar o bom combate?

5 comentários:

  1. É Zé...este texto falou muito comigo,
    Gostei muito!

    Bjão Cris*

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  2. Q posso dizer dos seus textos???
    Sempre encontro o q preciso aqui.

    Abr,
    Angela

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  3. Pecado : adj. Alto, elevado.
    Superior, insigne, ilustre, notável: jurista eminente.

    Ou:adj. Que ameaça cair sobre; pendente.
    Que está para vir, que está em via de efetivação imediata; muito próximo: partida iminente.

    Fiquei na dúvida, pq sei que alguns pecados foram permissivos e sei que pecados podem ser tambem inevitaveis (por razões diversas). Os dois estão corretos, mas qual o texto se refere, eminente mesmo?

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  4. Olá Cris.
    os
    Quando o Mestre nos dá "talentos", na parabola, ele espere que o coloquemos em risco, já que corremos o risco em nossa jornada quando negociamos com isso.

    É eminente a possibilidade de cair em tentação, seja ela qual for o tipo, já que estamos colocando nossa "cara a tapa".

    Se formos bem, corremos o risco de sermos orgulhosos, soberbos, prepotentes. arrogantes.

    Se nos entregarmos aos instintos, como hedonistas, deixaremos nosso desejo e apetite ditar nossas regras.

    Tudo é um grande risco, e ele está às portas, eminente.

    Não creio que Deus seja pego de surpresa quando falhamos, embora tentemos enterrar o tempo todo nosso dom, tentando salvar o que já está perdido.

    Era isso

    Paz

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  5. Cada vez que releio esse texto encontro novos significados. Excelente!

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